Estante

Este espaço tem por objetivo divulgar a produção haicaísta em língua portuguesa. Se você é autor, veja como expor seu trabalho aqui, gratuitamente.

Janelas e Tempo

Teruko Oda

Coletânea de haicais. Prefácio de H. Masuda Goga. Introdução da autora. Inclui o ensaio da autora: "Um convite à reflexão". Escrituras Editora, São Paulo, 2003. 60 páginas, 13cm x 19cm. ISBN 85-7531-092-96

Da Introdução: (...) o cerne da questão tem sido: qual o sentido de se classificar o sol ou a noite, por exemplo, dentro das estações do ano (sol de verão, noite de inverno), uma vez que o sol é apenas sol e a noite é sempre noite, não importando o frio ou o calor. As mesmas colocações em relação aos dias, meses, rios, montanhas, céu, ventos e tantos outros. Tentando justificar meu posicionamento, e muitas vezes não o conseguindo de forma convincente, percebi o quanto é difícil mostrar, racionalmente, por meio de palavras, o que é para mim constatação intuitiva. Diferente da poesia ocidental, o haicai não informa, não explica, não mostra tudo. É poesia predominantemente sugestiva, de efeito sensorial. A cena haicaística procura mostrar apenas o suficiente para possibilitar ao leitor a oportunidade de completá-la através de evocações poéticas próprias. (...) Janelas e tempo é uma pequena coleção de cenas e momentos capturados ao longo de alguns anos de estreita convivência com a natureza brasileira. Aqui e ali, as sensações e emoções decorrentes de um mesmo elemento em épocas diferentes.

Amostras:

No breve curvar-se
Do gari que varre as flores --
Vai-se a primavera.

Também no vizinho
As luzes ainda acesas --
Noite de verão.

Em noites como esta
encontrar quem já partiu --
Luz da Via-Láctea.

Esquina de sempre --
Mãos estendidas em concha
cheias de garoa.

Há Estações

Eunice Arruda

Coletânea de haicais. Introdução da autora. Prefácio de Teruko Oda. Escrituras Editora, São Paulo, 2003. 60 páginas, 15cm x 15cm. ISBN 85-7531-093-3.

Da Introdução: Coordenando oficinas de poesia optei incluir, dentro da programação, mais como um exercício de síntese, elementos teóricos e a prática do haicai. Mas as luas mudavam e uma questão prevalecia: como colher o haicai exato diante da escassa nitidez das estações? Com o objetivo de sistematizar a aprendizagem, passei a participar das reuniões do Grêmio Haicai Ipê. Informação, leitura e escritura de haicai foram me aproximando desta linguagem. Ao mesmo tempo, integrei antologias coordenadas pelo Grêmio e dei continuidade às oficinas, algumas específicas de haicai. Este livro representa uma pequena amostra -- sete haicais de cada estação -- de uma década de convivência com o Grêmio Ipê. E tenta responder à questão de como colher o haicai exato diante da escassa nitidez das estações. Na verdade, é o próprio haicai que se apresenta. Exato como uma lua boiando no azul do céu. Cúmplice do outono, apaga indagações. Quando estamos onde estamos, há estações.

Amostras:

Olhar de menino
sustentando -- leve -- no ar
a bolha de sabão

Verão. Meio-dia
Na sombra de uma nuvem
o boi cochila

Porta entreaberta
Filhos -- alegres -- saindo
Frio leve chegando

Solidão no inverno
O velho aquece as mãos
com as próprias mãos

Poezen

Jota Marins

Coletânea de haicais (relançamento). Sem prefácio. Araucária Cultural, Curitiba, 1985 (1a edição). 206 páginas, 11,5cm x 21cm. Contato: josemarins@pop.com.br

Informações prestadas pelo autor: "Os haicais do Leminski que eu os lia aqui e ali, esparsos, eram meus modelos. Depois fiquei conhecendo um pouco mais, quando ele publicou o livrinho 'Bashô, a lágrima do peixe'. Meses depois saiu o 'Sendas de Oku' na versão da Olga Savary e devorei-o. Portanto, só fui conhecer haicai com métrica e, principalmente, o kigo, dez anos depois, quando tive a felicidade de ler e estudar a antologia do Grêmio Haicai Ipê, 'Quatro Estações'. Lia Millôr Fernandes, Olga Savary, Alice Ruiz, Helena Kolody e alguns guilherminos. Fiz os 88 haicais-livres do livro na pura intuição, com parcos conhecimentos ou nenhum. Leminski, meu amigo, dizia para eu não me preocupar com métrica: 'você tem o toque zen, que é o que importa'". O lançamento do título em 1985 levou Leminski a escrever, em sua coluna de literatura no jornal Correio de Notícias, que esse tinha sido uma das melhores coisas acontecidas na poesia paranaense daquele ano.

Amostras:

banco vazio
espera o luar
que ali vem sentar

sem pressa o tempo
calendário antigo
na parede ao vento

orvalho frio
brilham ao sol
malvas vermelhas

ônibus lotado
meus olhos cheios
de rostos cansados

Hai-Quase

Fernando Sérgio Lyra e Sidney Wanderley

Coletânea de haicais. Introdução de Hildeberto Barbosa Filho. Escrituras Editora, São Paulo, 2002. 64 páginas, 12cm x 18cm. ISBN 85-7531-054-2.

Da Introdução: (...) A condensação do vocábulo, o vigor da imagem repentina, a sutileza da percepção a originalidade do pensamento, aquela atenção inusitada às virtualidades poéticas e metafísicas do mínimo, dos nonadas imperceptíveis da realidade imprimem a sustentabilidade estética dos hai-quase destes poetas alagoanos. (...) Fernando, mais impregnado dos elementos anímicos da fauna e da flora, mais tocado pelo óleo da sensualidade, mais ativo nas sugestões psicológicas; Sidney, por sua vez, mais sujeito às injunções do cotidiano, mais distanciado pelo olhar irônico, mais ferino na captação crítica. Ambos, contudo, revelando um visível domínio do método minimalista de compor, uma acentuada inclinação para o insight verbal, para a concentração poética (...)

Amostras:

Solitário em casa
Abro por abrir a porta --
Uma borboleta! (FSL)

Num iluminuto
Corri atrás do haicai
E ele leminskivou-se (FSL)

O retinir do balde
No fundo do poço seco:
pranto dos lábios. (SW)

deixou-se inundar pela chuva
o velho chapéu emborcado
nele bebem os lobos e a lua. (SW)

Revista Poesia Sempre

Ano 10, número 17, dezembro de 2002
Fundação Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro. 260 páginas, 18,5cm x 23cm. ISSN 0104-0626.

Do editorial: Este número da Poesia Sempre presta homenagem à grande poesia e cultura do Japão, no conhecido viés multidisciplinar de suas quatro últimas edições. Homenagem que representa o índice de cosmopolitismo da cultura brasileira, tão profunda e arraigada, que não teme o rosto de outras vozes, para ampliar sua vocação ultramarina. (...)

Do sumário: A poesia e suas demandas/ Luís Antonio Pimentel; Desenhando a palavra/ Chisato Usui; O haicai no Brasil/ Paulo Franchetti; Massao Ohno: meio mago, meio monge/ Álvaro Alves de Faria; A desejada parte oriental na moderna poesia portuguesa/ Stephen Reckert; Quem sou eu? Cinema japonês contemporâneo e a identidade em cheque/ João Luiz Vieira; Poesia Clássica (antologia); Divan Ocidental-Oriental/ Ban'ya Natsuishi e Casimiro de Brito; O haicai no século XX (antologia).

Chão de Pitangas

Débora Novaes de Castro

Coletânea de haicais. Introdução da autora. Artigos de Cyro Armando Catta Preta, Débora Novaes de Castro e Teruko Oda. Scortecci Editora, São Paulo, 2002. 136 páginas, 14cm x 20,5cm. ISBN 85-7372-809-4.

Da Introdução: (...) Nesta publicação, 270 haicais, em três estilos (posturas ou escolas) de haicais: o Oriental, o Moderno ou Livre e o Guilherminiano ou Guilhermino. Este último, um misto de oriental e moderno uma vez que, tendo conservado a silabação, Guilherme de Almeida inova na colocação de títulos e rimas. Referendando essas diferenciações, e no propósito de trazer mais lume a essas formas de poesia, transcrevemos dois artigos assinados por Cyro Armando Catta Preta (haicais guilherminianos) e Teruko Oda (haicais orientais) (...) Débora Novaes de Castro discorre sobre o haicai moderno ou livre, forma alimentada pelo modernismo europeu e difundida, no Brasil, pelos nossos modernistas. (...)

Amostras:

notas de sol
amores de sabiás
nos pessegueiros

ponteando miçangas
louçãs nas claras manhãs
um chão de pitangas

fontes cristalinas
as flores namoradeiras
aos beijos do sol

menino sozinho
seu agasalho a garoa
que cai de mansinho

Sínteses Poéticas

Sebas Sundfeld

Coletânea de trovas e haicais. Introdução de Giselda Medeiros. Edição do autor, 2002. Contato: Caixa Postal 53, 13710-970, Tambaú, SP. 86 páginas, 15,5cm x 21,5cm.

Da Introdução: (...) Poeta dos bons, vem emprestando sua poesia para deleitar-nos a vida. Incansável trovador, exímio em seus haicais, ele sabe que o poeta é necessário, hoje, mais do que nunca, a estes tempos de profunda falta de Deus. (...) E vamos indo e voltando nessas águas límpidas, a ouvir-lhe as trovas e haicais na sinfonia do vento, no olhar macio da alvorada, no chiar da chuva que semeia a terra, no cair da tarde que se vai. (...)

Amostras:

Detalhe

Na haste, parada,
mistura a sua figura:
- lagarta rajada.

Geada

Fria madrugada.
Na certa, a manhã desperta
toda congelada.

Prazer

Arrebatador
mormaço sensual do abraço...
Momento de amor.

Devaneio

Saudades, agora,
de alguém, tristonhas, me vêm
da chuva lá fora.

Antologia Poetrix

Goulart Gomes (org.)

Antologia de poetrix (vários autores). Apresentação de Anibal Beça. Texto da orelha por Alice Ruiz. Scortecci Editora, São Paulo, 2002. 220 páginas, 14cm x 21cm. ISBN 85-7372-776-4.

Do texto da orelha: (...) Na poesia, os três versos sempre acharam alguma forma de se impor como forma, nem que fosse como estrofe. Até, enfim independentes, atingirem seu apogeu no haikai. Mas como poesia é liberdade, nova independência surgiu. E agora, diziam os poetas, que fazer com os tercetos que não seguem as regras do haikai mas insistem em acontecer? Eis que o profeta, digo, o poeta Goulart Gomes, tirou-os do limbo em que viviam, por falta de batismo, inventando a palavra Poetrix. (...)

Amostras:

guardiã

a vela
vela
a velha.
(Angela Bretas)

pessoix

um terço de mim delira
um terço de mim pondera
outro terço: ah! quem dera!
(Goulart Gomes)

insisto...

não sei fazer dias
não sei passar horas
habito nas demoras
(Kátia Marchese)

solidão

noite de solidão
os uivos do perdigueiro
e o som de um violão
(Rosa Clement)

Ecos do Silêncio

H. Masuda Goga (haicais); Isabel Kioko Noda (fotos)

Haicais e fotografias. Prefácio de Teruko Oda. Escrituras Editora, São Paulo, 2002. 96 páginas, 21cm x 21cm. ISBN 85-7531-039-9.

Do prefácio: (...) O paciente trabalho de Isabel Kioko Noda retrata, com imensa pureza e fidelidade, a exuberante natureza do Japão, mais precisamente, a beleza fugaz e transitória da região do Monte Fuji no decorrer das estações do ano. das imagens capturadas pela câmara, a poesia flui ora suave, ora agressiva, sempre carregada de significado e vida. (...) Por outro lado, os haicais do mestre H. Masuda Goga falam de seu amor pela natureza universal e nos tocam profundamente pela delicadeza, simplicidade e despojamento. (...) No entanto, fotografia e haicai - ambos frutos de um instante poético vivenciado pelos autores junto à natureza - quando vistos em conjunto, ganham um novo significado e nos surpreendem pelo admirável entrelaçamento que faz do todo um poema único - o haikai renga. (...)

Amostras:

Chega a primavera
a passos largos nos parques
e nos jardinzinhos.

A água da nascente
lá no fundo borbulhando.
O resto é silêncio.

Silente alvorada
tão divina e melancólica.
É tempo de outono.

Nada é permanente,
nem mesmo o tempo da gente.
Ah... O frio intenso!

Flores do Asfalto

Teruko Oda

Coletânea de haicais. Prefácio de Sergio Dal Maso. Neko Books, São Paulo, 2002. 64 páginas, 12cm x 20cm. ISBN 85-88799-01-4.

Do prefácio: (...) Teruko nos mostra, com sua notável mestria, que a Natureza viceja não importa em que lugar. Basta saber perceber esta presença (...) Quando esses fugidios momentos, que caracterizam a percepção do kigo pelo haijin, vêm carregados de múltiplos significados e de emoções ou sentimentos, então eles podem transformar-se em genuínos haiku, ou seja, os concisos poemas que nos permitem alcançar a comunhão com o Uno. Em outras palavras, conseguir a integração na totalidade. (...)

Amostras:

No ipê amarelo
nenhum indício do vento
que acaba de passar...

teimoso, renasce
entre as fendas do jazigo --
Capim de primavera.

Procurando a bola --
As flores da aboboreira
que ninguém plantou...

Ruazinha estreita --
Quaresmeiras perfiladas
derramando flores.

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Atualização em 11 de janeiro de 2007