Estante

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O Fundo do ar e outros poemas

Alexandre Brito

Coletânea de poemas, haicais e poema visuais. Contém nota bio-bibliográfica. AMEOP - ame o poema editora, Porto Alegre, 2004. 120 páginas, 13cm x 18,5cm. ISBN 85-98240-13-3.

Do texto da orelha: "Alexandre Brito tem uma poesia da intimidade. Nasce na intimidade com a palavra. Poucos são capazes como ele de encontrar palavras escondidas dentro de uma palavra aparentemente banal. Poucos são capazes de revelar tão surpreendentes associações deforma, de som e de sentido. Como quem passeia lá pelo interior da linguagem. Daí a escrever poemas curtos, longos, sonoros, livres, visuais com a mesma naturalidade. Mas a intimidade do Alexandre também desce ao interior das idéias, dos sentimentos, das percepções, dos objetos, da paisagem. É capaz de achar um solo de percussão na escova do engraxate. Uma indagação socrática num toque de calcanhar do ex-craque Sócrates. Toda a luz do dia numa borboleta amarela. E muito mais. Descubra você, leitor."

Amostras:

chuva de verão
minha rua
vira parque de diversão

depois de horas
nenhum instante
como agora

sopra o vento
sento em silêncio
sentir é lento

inverno
agasalhar as crianças
ficar mais velho

Cupido: cuspido, escarrado

Estrela Ruiz Leminski

Coletânea de poemas e haicais. Contém introdução/ apresentação e nota bio-bibliográfica. Texto da orelha por Arnaldo Antunes. AMEOP - ame o poema editora, Porto Alegre, 2004. 112 páginas, 13cm x 18,5cm. ISBN 85-98240-10-9.

Do texto da orelha: "não é por ela ser filha de peixe ou de dois peixes não dos que se inspiram mas dos que respiram a poesia a cada hora do segundo dia do minuto sempre isso talvez a ajude e atrapalhe ao mesmo tempo mas seu jeito para a brincadeira é sério está na cara vê-se dos hai kais da infância ao jorro transparência do final do livro a intimidade o trato o tato a convivência natural com as lâminas flechas e plumas da expressão verbal aprimorando os sensos interpenetrando a vida e vice-versa a cada verso é claro a gente identifica aqui leminski alice ali piscando o olho cúmplices mas desse ninho veio um jeito dela um ovo de linguagem própria genuína e sem ingenuidade rima imagem ritmo sonoridade sem perder o tom de quem conversa solto que atravessa todo esse cupido como se cada poema completasse o outro articulando partes de um só corpo veias nervos ligamentos de um discurso inteiro que percorre como um fio enreda os temas com frescor que encanta por falar tão franca e claramente seja do que for (...)"

Amostras:

infelicidade:
só o teu cachorro
estava com saudade

ser moderna é muito chato
cinturinha de pilão
sentimento de pilatos

Tudo tem o seu recheio
A vida
tem os seus receios

a pipa corta o céu
desenha nas nuvens
o sonho de criança

Teleférico

João Angelo Salvadori

Coletânea de poemas e haicais. Contém nota bio-bibliográfica. Texto da orelha por Luís Augusto Fischer. AMEOP - ame o poema editora, Porto Alegre, 2004. 112 páginas, 13cm x 18,5cm. ISBN 85-98240-09-5.

Do texto da orelha: "Já me aconteceu, e mais de uma vez, de olhar para um viaduto e lembrar do poema "Cumplicidade": 'ontem senti amor pelos viadutos// não bem isso/ era mais complicado// um compromisso/ firmado'. (...) O poema volta agora, no apenas terceiro livro de poesias do João, neste livro teleférico, livro que nos faz sentar confortavelmente, mas em cadeira pendurada sobre o abismo, livro que nos carrega com delicadeza, mas densamente. O poema volta na companhia do que de melhor se pode esperar de um poeta comedido, discreto, parcimonioso e muito, muito bom. João Angelo nos apresenta uma seqüência de poemas sempre breves, indo até o hai-kai, que maneja com total certeza e acerto".

Amostras:

faróis desligados
os namorados
e a Via Láctea

sinos do Centro
o som não vem da igreja
vem de dentro

dia muito frio
o vento desalinha
a plumagem do passarinho

espelho no corredor
um estranho passa
com as minhas roupas

Haicais Maturidade

Hazel de São Francisco

Coletânea de haicais (100 haicais). Editora Oportuno, São Paulo, 2004. 112 páginas, 10cm x 19,5cm. ISBN 85-904684-1-0.

Informações obtidas do site da editora: A autora é natural de Bauru e reside em São Paulo. Professora formada em Educação Artística com habilitação em música e especialização em iniciação musical. Professora de Piano, instrumentista de órgão, artista plástica, haicaísta e escritora. Membro titular do Clube dos Escritores de Piracicaba, área de letras. Fotógrafa amadora. Participa do Grêmio Haicai Ipê e do Grêmio Haicai Caminho das Águas. Não gosta de introduções ou prefácios em seus livros: "Ao ler um livro cada pessoa vai descobrir por si mesma quem sou, não pelo o que outro opinou. É uma maneira de deixar o leitor livre para tirar suas próprias conclusões, sem julgamento preconcebido. 'Haicais Maturidade' é uma homenagem a um povo, pela sua contribuição ao desenvolvimento do país (à sua maturidade) e à minha maturidade como poeta de haicai".

Amostras:

Canto da cigarra
e a música dos sinos
na primeira missa.

Após a colheita
espantalho sem trabalho
se abraça na cruz.

O vento faz chover
sobre meu chapéu de palha
flores do ipê.

Caminho da serra
as marias-sem-vergonha
colorindo o vento.

A Montanha e o Vento

Sonia Sales

Coletânea de haicais (100 haicais). Contém introdução da autora e estudo crítico de Darcy França Denófrio. Zennex Publishing, São Paulo, 2004. 112 páginas, 14cm x 21cm.

Da Introdução: "No Brasil e em outros países, os poetas algumas vezes fogem do haikai tradicional, usando imagens e outros elementos contemporâneos. A importância da métrica porém é seguida, com as mesmas 17 sílabas distribuídas em três versos com cinco sílabas no primeiro, sete no segundo e cinco no terceiro. O haikai, como um dos mais valorizados meios da poesia procura dar a cada palavra o peso exato e fazer a mente passear na Natureza enfocando o instante que passa, sem pretensões de amanhã. A busca de uma idéia de forma compacta com o objetivo de captar a visão da eternidade. É essencialmente uma poesia contemplativa que instiga à meditação. A posse da natureza num momento divino de amor e conjugação".

Amostras:

A rosa repousa
na tristonha sepultura.
Um anjo se foi.

Entoei uma nota
da canção dos namorados
meu amor entendeu.

Pousa a borboleta
no ramo em flor da ameixeira.
Escuto o silêncio.

Pessegueiro em flor
menina apaixonada
sem saber que é amor.

6a Antologia/ 2a Mostra de Haicais

Grêmio de Haicai Caminho das Águas

Antologia de haicais (15 autores, 110 haicais). Contém ensaio de Teruko Oda, ficha técnica da 2a Mostra de Haicais e histórico do Grêmio. Edição dos autores, Santos, 2004. 42 páginas, 13cm x 19cm. Contato: npavesi@uol.com.br

Texto preparado com base no histórico: O Grêmio de Haicai "Caminho das Águas" é um grupo que se reúne para o estudo e a prática do Haicai. Tem o status de uma entidade cultural sem fins lucrativos, abrigada no SESC-Santos, à Rua Conselheiro Ribas, 136, que, gentilmente, tem cedido o espaço para as reuniões que ocorrem no segundo sábado de cada mês, das 14h00 às 17h00. Sua origem remonta ao projeto "Caminho das Águas - um mergulho na cultura japonesa", que o próprio SESC desenvolveu em julho de 1995. Um projeto que trouxe até o público santista diferentes manifestações culturais japonesas, entre elas a arte de escrever haicais. Mais precisamente, tudo começou na Oficina de Haicais oferecida pela haicaísta Teruko Oda que até hoje coordena os trabalhos do grupo e ensina os delicados meandros da arte de ser haicaísta. O Grêmio Caminho das Águas segue a linha do Grêmio Ipê, fundado na cidade de São Paulo por um grupo de poetas liderados pelo mestre H. Masuda Goga".

Amostras:

Qual São Francisco
O espantalho acolhe
Quem deve espantar
(Roberto da Graça Lopes)

Nas mãos do menino
Seu brinquedo e ganha-pão --
Frescos caranguejos.
(Mahelen Madureira)

Futebol gorou --
E na tarde esvaziada
Chuto folhas secas.
(Sônia Adhariass Soares)

Na soleira da porta
Aguarda o pardal de inverno
Migalhas da toalha.
(Paulo Roberto Rodrigues)

32x2 instantâneos

Margarida Oliva (haicais); Idéo Bava (ilustrações)

Coletânea de haicais ilustrados. Contém prefácio. Musa Editora, São Paulo, 2003. 72 páginas, 18cm x 18cm. ISBN 85-85653-70-1.

Texto da contra-capa: "À moda dos haikais, este livro retrata momentos fugidios - sentimentos evocados por um incidente qualquer, intuições, descoberta de sentido oculto sob o trivial, sensações... Tem tudo a ver com o tempo que passa: mais um dia que se junta aos anos que se foram. Mas que de alguma forma se deixam ficar: ao desfolhar das flores seguem-se os frutos. Tem tudo a ver com memórias e com sonhos. Mas sobretudo tem a ver com a vida presente tal como ela é: uma realidade inacabada a se perfazer continuamente, nas mil e uma relações do viver humano. Assim este livro: os 32 instantâneos colhidos ao longo de alguns anos adquiriram vida nova ao serem traduzidos em outros 32 instantâneos gráficos. Mas não acabou aí. O conjunto, depois, recebeu os retoques artísticos para a apresentação final. E por quantas outras mãos e por que outras artes e saberes passou este livro antes de ser entregue ao público! Agora, é a vez do leitor. Nas suas mãos, com a sua criatividade, continuará se completando, o nosso livro".

Amostras:

Sino ao longe
acorda o silêncio.
Ah! É domingo...

Preguiçoso o sol
se arrasta no céu azul.
Zumbem abelhas.

Velhas lembranças
ressurgem em ondas mansas
ao som do piano.

Ao entardecer,
quieta, repousa a alma
em meditação...

A Capa de Palha do Barqueiro

Regina Bostulim (tradutora)

Traduções de Bashô, Buson, Issa e Shiki. Contém dados bio-bibliográficos. Edições Felinas, Curitiba, 2003. 52 páginas, 10,5cm x 15cm. Contato: rosasarda@hotmail.com

Informações prestadas pela autora: "Acho que tenho um jeito muito particular de ver os hai-kais. Não é revolucionário, nem de transgressão, mas um jeito mais humilde de vê-los, sem muita cerimônia. Fazendo o hai-kai vir tomar café na cozinha comigo, ao invés de ficar engravatadinho na sala. Quando aprendo qualquer coisa, meu processo é assim. Trazer para minha realidade as coisas. Uma vez, para decorar uma fórmula matemática, imaginei uma mãe e uma criança. Assim fiz com os hai-kais. Meu processo não foi ir aparando arestas e consertando. Saía tudo pronto. Chegou a me passar pela cabeça que poderiam ser memórias de alguma coisa que tivesse lido, mas acho que não. Porque às vezes eu ia encontrando memórias próprias, como naquela vez, eu fazendo hora no shopping, de sombrinha na mão, lendo Mafalda e Pato Donald, enquanto a chuva caía lá fora... Minha motivação foi o respeito por estes clássicos. Sempre pensei... Por que essa versão tão certinha, tão quadradinha... Mas que não me diz muita coisa. Sempre imaginava os mestres rindo comigo enquanto eu reescrevia os hai-kais deles".

Amostras:

entra ano sai ano
a cara do sagüi
me macaqueando
(Bashô)

não pise na grama!
ontem passou por aqui
um vagalume
(Issa)

frio que rasga a alma
patinhas de rato
a raspar o prato
(Buson)

que noite!
enquanto te espero
a chuva me encharca
(Shiki)

Armadilha de Polvos

Regina Bostulim

Coletânea de haicais e traduções. Contém Prefácio e dados bio-bibliográficos. Edições Felinas, Curitiba, 2003. 36 páginas, 10,5cm x 15cm. Contato: rosasarda@hotmail.com

Texto preparado a partir do Prefácio: "Vinha haicaiando desde que comecei a escrever (1977), sem saber que haicaiava. Em 80 conheci Paulo Leminski e Alice Ruiz, e me tornei amiga da Alice. Ela fez uma oficina, acho que em 92, da qual participamos eu, Ignácio Dotto Neto, Marília Aiko, Jane Bodnar, Rollo de Resende, etc." Seus livros anteriores, "Mar na Caverna", "Mulheres de Bali" e "Mar de Hai-kai" mostram essa influência de Alice. Já "Armadilha de Polvos" é resultado da oficina que a autora fez em 2003, ministrada por Ignácio, que estudou com Franchetti: "Desta vez eu não era mais uma colega de oficina, mas uma aluna, comendo na tigelinha humilde; uma discípula. Tem repetições, pois é a transcrição literal de meu processo criativo, de como nascem meus hai-kais. É como se fosse um mata-borrão, em que se vêem as costuras do vestido de noiva. É o retorno da roda para o local inicial". Além dos haicais da autora, o livro ainda inclui traduções de classicos japoneses e trabalhos de alguns autores brasileiros.

Amostras:

flor de pitanga
caindo da árvore
uma flor ou uma lágrima?

boca fechada
não precisávamos
de mais palavras

longe de casa
coisas que lembram minha terra
pinha pinheiral pinhão

primavera
tudo em flor
mas a rosa caída no asfalto

Mar de Hai-kai

Regina Bostulim

Coletânea de haicais. Sem Prefácio. Sem Introdução. Contém dados bio-bibliográficos. Edições Felinas, Curitiba, 2003. 2a Edição, 20 páginas, 16cm x 11cm. Contato: rosasarda@hotmail.com

Informações prestadas pela autora: "Mar de Hai-kai" é, na verdade, o desmembramento de uma obra anterior, "Mulheres de Bali", publicada em 1996, sob o pseudônimo de Laura Maar, dividido entre haicais e poemas. "Eu morava numa cidade da região metropolitana de Curitiba, de 40 mil habitantes, chamada Piraquara. É de certa forma perto do litoral, e parecidíssima com as cidades do litoral do Paraná. Fiquei impressionada com a pobreza do local e muito mais com a gente pobre do local. Tanto que comecei a atuar como professora voluntária em oficinas de arte para crianças, e até na criação de uma igreja local, onde até hoje a pastoral da criança é muito ativa. Então as mulheres de Bali não são balinesas, mas as sofridas mulheres meio índias do litoral do Paraná. O litoral da China não é o litoral da China, a baía de Ha-Long não é a baía de Ha-Long. É o litoral do Paraná, as baías do Paraná. A filha do cerzidor de redes não é a filha de um chinês, mas talvez uma menina índia qua ajuda o pai a costurar redes na Ilha da Cotinga, onde existe uma reserva índia". Esta é a origem dos haicais deste livro, publicado com o apoio da Fundação Cultural de Curitiba.

Amostras:

Pontes de Wang-Ho

com as cheias
as águas
vão subir

Da Filha do Cerzidor de Redes

amanhã
se tiveres ido embora
entenderei

Vozes de Náufragos I

montanhas azuis
farol de névoa
despindo o dia

Falas do Catador de Conchas I

rendeiras teciam
canções de sal
dentro das ondas

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Atualização em 16 de abril de 2005