CONTEMPLAÇÃO
DA LUA
2016


REUNIÃO DE POETAS PARA CONTEMPLAR A LUA CHEIA DE OUTONO
E COMPOR
HAICAIS SOBRE A OCASIÃO.


24 de março de 2016
Espaço Cultural Soto-Zenshu
Templo Busshinji
Rua São Joaquim, 285, São Paulo





O QUE FOI

Durante o outono, quando a lua cheia surge de forma esplêndida, os japoneses costumam admirá-la e aproveitam para compor poemetos conhecidos por haicai ou haiku, acompanhados de comida e bebida.

Para os poetas de haicai, a estação do outono tem um significado profundo, de grande introspecção. A lua de outono é um dos temas preferidos deste exercício poético.

Simbolicamente, nesta estação, a lua se mostra mais próxima aos olhos do poeta e, portanto, imensamente grande. Veja como foi em 2015, 2014, 2013, 2012, 2011, 2010, 2009, 2008, 2007, 2006, 2005, 2004, 2003, 2002, 2001, 2000 e 1999.

COMO FOI

Noite de chuva ocasional. Na rua, o tráfego lento dos automóveis e a procissão interminável dos pedestres contrastam com a solidão nas dependências do Templo Busshinji. As luzes feericas da cidade traduzem-se na débil claridade emanada pelo céu encoberto e os onipresentes ruídos urbanos compõe a trilha sonora da megalópole onde quatro poetas, olhando para o alto por algum tempo, lamentam a ausência da principal convidada. Ainda assim, não há razão para tristeza. Ao eternizar no papel o testemunho deste momento, os poetas renovam, ano após ano, a celebração da amizade e do reencontro.

Céu noturno
Nuvens cor de rosa
Em vez da lua.

Carlos Bueno


Sala do Templo
Revejo amigos poetas
Mas não a lua.

Carlos Bueno


Nuvens cor de rosa
Os poetas aguardando
O branco da lua.

Carlos Bueno


A chuva engrossou
Na contemplação da lua
Os amigos fieis.

Edson Kenji Iura


Quase certeza
Escondida pela chuva
A lua não vem.

Edson Kenji Iura


Na noite sem lua
Quisera ao menos sinal
Do amigo sumido.

Edson Kenji Iura


O sino ressoa
Enquanto espero no escuro
A lua chegar.

Edson Kenji Iura


Diante da ausência
desta lua envergonhada
rabisco paredes!

Francisco Handa


Cada vez menos
apreciadores da lua
A chuva nos olhos

Francisco Handa


Nem sinal se forma
da lua mostrar a cara.
Dedilho na mesa.

Francisco Handa


Na falta da lua
uma lâmpada amarela
ilumina a noite.

Zekan Fernandes


Na falta da lua
eu rabisco devagar
uma no papel.

Zekan Fernandes

Enquanto ainda espero
a lua que nunca chega
eu danço no escuro.

Zekan Fernandes


Me faz companhia
enquanto a lua não chega
um papel em branco.

Zekan Fernandes


Eu sigo esperando
sabendo que não virás --
Lua desta noite.

Zekan Fernandes




REALIZAÇÃO

Espaço Cultural Soto-Zenshu (Templo Busshinji). Apoio Cultural: KakiNet


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