Contemplação da Lua: Página Inicial



CONTEMPLAÇÃO
DA LUA
2012


REUNIÃO DE POETAS PARA CONTEMPLAR A LUA CHEIA DE OUTONO
E COMPOR
HAICAIS SOBRE A OCASIÃO.


5 de abril de 2012
Espaço Cultural Soto-Zenshu
Templo Busshinji
Rua São Joaquim, 285, São Paulo





O QUE FOI

Durante o outono, quando a lua cheia surge de forma esplêndida, os japoneses costumam admirá-la e aproveitam para compor poemetos conhecidos por haicai ou haiku, acompanhados de comida e bebida.

Para os poetas de haicai, a estação do outono tem um significado profundo, de grande introspecção. A lua de outono é um dos temas preferidos deste exercício poético.

Simbolicamente, nesta estação, a lua se mostra mais próxima aos olhos do poeta e, portanto, imensamente grande. Veja como foi em 2011, 2010, 2009, 2008, 2007, 2006, 2005, 2004, 2003, 2002, 2001, 2000 e 1999.

COMO FOI

Seis poetas reunidos para, mais uma vez, celebrar a lua cheia com seus haicais. Lá fora, o burburinho incessante de homens e carros não deixa de lembrar que o Templo zen-budista Busshinji é um oásis de paz encravado na megalópole bandeirante. Neste mundo de concreto, até a lua pede licença para surgir, algo constrangida, no espaço possível entre os prédios. Ainda assim, despida de todo o pudor, ela se mostra inteira aos poetas que não fazem mais senão perscrutar todos os seus segredos, como mostram os haicais abaixo:


Ilumina-me
Entre o vão dos edifícios
Lua desta noite

Carol Ribeiro


Uma oração
Aos amigos ausentes
Lua desta noite

Carol Ribeiro


Na calma do templo
Inspira, expira, inspira
Lua silenciosa

Carol Ribeiro


Mal posso tocar
esta lua fugidia.
-- Ajudem me amigos.

Francisco Handa


De um furo no céu
a luz chega radiante
ou será a lua?

Francisco Handa


Um balão redondo
flutua em meio à cidade.
-- Lua do menino.

Francisco Handa


Velhos companheiros
onde andarão neste instante?
Venham ver a lua.

Francisco Handa


Pontinho de luz
num quadro-negro gigante.
Lua desta noite.

Francisco Handa


Numa faixa negra
entre as paredes dos prédios
-- Lua soberana.

Francisco Handa


Sem grandes pudores
a lua surgiu sem nuvens
como uma vedete!

Francisco Handa


Surge entre os prédios
o rosto de um velho amigo --
Noite de lua cheia.

Edson Kenji Iura


De dentro dos prédios
tantas vozes diferentes--
A lua no alto.

Edson Kenji Iura


Só por um instante
A rua livre de carros--
Noite de luar.

Edson Kenji Iura


O meu pensamento
entre os amigos mortos--
Noite de lua cheia.

Edson Kenji Iura


Lufa-lufa no metrô.
Lá fora
A lua, a lua.

Elisa Sayeg


Halo em volta da lua.
Óculos embaçados
Ou tempo bom?

Elisa Sayeg


Fresta entre prédios--
No alto da torre azul,
a lua cheia.

Teruko Oda


Os bambus ao vento--
Em absoluta quietude,
o monge, a lua.

Teruko Oda


Início de outono--
A suavidade da lua,
o calor dos amigos.

Teruko Oda


Avança a noite
e não preciso de lanterna--
Lua cheia!

Teruko Oda


No alto do céu
Brilha a lua indiferente
Ao telejornal.

Zekan Fernandes


Tanta gente junta
Olhando para a lua
Só falta um amigo.

Zekan Fernandes


Um reflexo pálido
Sobre os bambus do jardim
Brilha a lua cheia.

Zekan Fernandes


Buzinas na rua
Silenciosa lá no alto
A lua de outono.

Zekan Fernandes


Nas frestas dos prédios
Brincando de esconde-esconde
A lua de abril.

Zekan Fernandes


REALIZAÇÃO

Espaço Cultural Soto-Zenshu (Templo Busshinji). Apoio Cultural: KakiNet


CONTEMPLAÇÃO DA LUA NO RIO DE JANEIRO
Grêmio Haicai Águas de Março e Grêmio Haicai Sabiá
Casa de Cultura Laura Alvim, Ipanema, 10 de abril de 2012


COMO FOI


Apesar da noite nublada, oito poetas reuniram-se na Casa de Cultura Laura Alvim, um Centro Cultural completo à beira mar, em Ipanema, com cinemas, teatro, galeria de arte e museu. Em 1986, tornou-se um importante polo cultural do Rio de Janeiro, pertencente à Secretaria de Estado de Cultura. Localizado na Avenida Vieira Souto, Ipanema ao lado do Arpoador, onde se pode assistir o por de sol mais lindo do Rio de Janeiro. Lá se reuniram para confraternizar e celebrar a primeira lua cheia de outono, que, empanada pela noite chuvosa não deu o ar de sua graça. Mesmo assim, os poetas não perderam a inspiração e saudaram a lua ausente. Mais tarde, já na volta para casa, viram-na alta e brilhante o céu. A seguir os haicais compostos pelo grupo.



Casa de Cultura --
Haicaístas reunidos,
e nada de lua.

Benedita Azevedo


Em busca da lua
caminham os haicaístas...
Nenhum resultado.

Benedita Azevedo


Nebulosidade --
Só escuridão no céu
e luzes na praia

Benedita Azevedo


Noite nublada --
Na ausência da lua cheia
o papo co'amigos.

Benedita Azevedo


O brilho da lua
sobre as nuvens carregadas.
Só vejo reflexos.

Benedita Azevedo


Janela entreaberta
e a lua brilha no céu --
Já é meia noite.

Benedita Azevedo


O vento trás nuvens.
A lua cheia no céu,
Desaparece.

Djalda Winter


Teus olhos brilhando
E nada da lua cheia.
Mágico encanto.

Djalda Winter


Noite nublada.
Espero a lua cheia
Que não aparece.

Djalda Winter


Contemplando o céu
Pela fresta da janela...
A lua brilhante.

Djalda Winter


Até agora, a Lua
não deu o ar de sua graça...
Noite nublada.

Guin Ga


Enfrentando a chuva
e bebendo caipirinhas...
Mas nada da Lua !

Guin Ga


Estação bem cheia !
Enquanto a barca não chega
busco a Lua no céu...

Guin Ga


No aeroporto vizinho
vão pousando os aviões...
E nada de Lua !

Guin Ga


A desoras, desisti...
Já na barca de onze horas
a Lua brilha no céu !

Guin Ga


Olho o céu de abril,
só penso em Natividade --
Ver de lá a Lua...

Iraí Verdan


Não pude saudar
hoje, a esperada Lua --
Céu quase encoberto...

Iraí Verdan


Nuvens espaçadas
deixam estrelas visíveis...
E onde está a Lua?

Iraí Verdan


Anoitecendo
Céu azulado sem nuvens
Lua de Outono

Lourdes Fontes


Quando anoiteceu
Veio banhar as nuvens
Lua de Outono

Lourdes Fontes


Entre as nuvens,
Escondida a brilhar no céu...
Lua de outono.

Lourdes Fontes


com esplendor
pela janela entreaberta,
Lua de Outono

Lourdes Fontes


Noite nevoenta.
No céu, nem réstias de luar --
Mudança de tempo.

Maria Nascimento


Olho para o céu
e a lua não aparece.
Vigília inútil.

Maria Nascimento


Outono chuvoso.
A Lua Chria entre as nuvens
esconde os seus raios.

Maria Nascimento


Lua citadina
difere da natural.
Desfiguração.

Marilza de Castro


E a poça de chuva
duplica a Lua do céu.
Espelho da Cheia.

Marilza de Castro


Luz fria da Lua,
simples reflexo do Sol.
Luar banha a Terra.

Marilza de Castro


Na imaginação...
A lua de outono chega
Na espuma das ondas.

Nelson Savioli




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