Caqui: revista brasileira de haicai

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20/06/2004

Autoras de haicai na Livraria Duas Cidades

No dia 19 de junho de 2004, sábado, das 11:00 às 13:00, realizou-se palestra das poetas Eunice Arruda e Teruko Oda sobre haicai, na Livraria Duas Cidades, em São Paulo. Reunidas no aconchegante espaço cultural situado nos fundos da livraria, quase 20 pessoas acompanharam atentamente as duas haicaístas, integrantes do Grêmio Haicai Ipê, grupo paulista há 17 anos dedicado ao estudo e à prática dessa forma poética.

A palestra se iniciou com as palavras de Eunice Arruda, expoente da chamada "Geração 60", que chegou ao haicai através de seu trabalho em oficinas de poesia. Desde seu ingresso no Grêmio Haicai Ipê, associação pioneira no estudo e prática do haicai em língua portuguesa, vem refinando seu entendimento desta forma poética. Ao assinalar as diferenças entre a poesia e o haicai, caracterizou este último por sua fidelidade ao exterior, como uma fotografia, estática e objetiva, mas de alguma forma imbuída pelo sentimento de seu autor. Esta característica, assim como sua simplicidade formal, com seus três versos sem rima nem título, levaram Eunice a ver no haicai a base ideal para uma oficina poética para a 3a idade, suportada pela Prefeitura de São Paulo. Através de exercícios constantes, os idosos, muitos deles com históricos de problemas psicológicos tais como depressão, são sensibilizados a se abrirem para o mundo exterior e descreverem suas percepções na forma de haicais, num procedimento com grandes implicações terapêuticas.

Teruko Oda (de pé), ao lado de Eunice Arruda

Ao final da palestra, o chá oferecido aos presentes

Teruko Oda, professora com intensa atividade junto a entidades assistenciais, é filha de imigrantes japoneses e travou seu primeiro contato com o haicai ainda na infância, através das reuniões mantidas por seu pai, escritor de haicais em língua japonesa e discípulo do mestre itinerante Nempuku Sato. Ela resume o clima destas reuniões como uma "coisa mágica", embora, à época, como criança, ainda não soubesse avaliar o que acontecia, mais preocupada em ajudar sua mãe a preparar e servir lanche aos convidados. Classificando o haicai praticado pelo Grêmio Haicai Ipê como "tradicional e ortodoxo", que não dispensa a referência às estações e o formato de 5-7-5 sílabas, destaca o fato de seu último livro, "Janelas e Tempo", assim como o de Eunice Arruda, "Há Estações", terem sido escolhidos para distribuição às escolas dentro do Programa Nacional do Livro Didático, caracterizando assim o ingresso, "pela porta da frente" do haicai nos programas escolares e seu estudo como literatura brasileira.

Tentando enquadrar a prática do haicai, Teruko Oda disse que se trata de expressar "a situação transitória de algo que é eterno". Tão poética colocação revela uma verdade muito simples: descrever, em linguagem simples, objetiva e direta, o que se apresenta à frente de nossos olhos. Afirma que, enquanto na poesia convencional, dependemos muito de nossa inspiração, no haicai o que conta é primordialmente a prática diária da leitura da natureza. Eunice Arruda reforçou estes conceitos, quando, ao argumentar contra aqueles que afirmam não existirem estações e natureza em São Paulo, contrapõe a necessidade de se prestar atenção ao mundo exterior e às inúmeras manifestações da natureza que passam despercebidas à maioria das pessoas, deixando-se tocar pelo "impacto do momento". O haicai, enfim, confirma uma outra forma de ver o mundo, a partir de uma realidade externa, e não filtrada pelos próprios pensamentos.

O ambiente transfigurou-se para um animado debate após a intervenção de Izo Goldman, poeta e trovador, que afirmou ser desnecessária a experiência real para se escreverem bons haicais. Para ele, ex-presidente da seção de São Paulo da UBT (União Brasileira dos Trovadores), é perfeitamente plausível escrever-se um haicai excelente a partir da própria imaginação, citando em sua defesa os grandes escritores que sempre se valeram desse recurso. Neste ponto, Eunice Arruda sintetizou notavelmente a essência da questão, dizendo tratar-se de colocar "Fernando Pessoa contra Bashô".

Sendo o poeta "um fingidor", nas palavras de Pessoa, lembramo-nos de Alberto Caieiro, um de seus heterônimos, e suas eternas viagens a um mundo idílico e bucólico de pastoras e aldeias, com os quais sua personalidade urbana provavelmente nunca teve intimidade, em contraponto a Bashô, com sua poesia de viagem colada ao momento presente, numa "epifania do instante", nas palavras do Professor Paulo Franchetti. Sem dúvida, enquanto forma poética, as regras do haicai podem ser facilmente dominadas. Para escrever sobre uma borboleta, não é necessário ver uma borboleta, bastando ler sobre ela, conversar com pessoas que a viram ou, até mesmo, imaginá-la. A ficção científica existe para provar o poder ilimitado da imaginação.

Entretanto, ao dispensar a experiência real, perdemos também a oportunidade de exercitar um dos mais interessantes aspectos do haicai, e talvez o mais esotérico deles, que é o "exercício de alteridade", tantas vezes proposto por Paulo Franchetti. Ao assumirmos o olhar de uma outra cultura, estranha a nós, que privilegia a vivência do real, utilizamos a linguagem não mais como mera verbalização de conceitos e categorias mentais, mas como uma ponte, abrindo a possibilidade de atingir a comunhão entre o sujeito do poeta e o cosmos, corporificado na natureza ao redor. Sem a necessidade de ler pesados tratados sobre zen-budismo nem praticar estranhos exercícios de meditação, a composição de um bom haicai pode abrir as portas a um momento de plenitude.

Ao contrário, enquanto escrevemos haicais imaginários, somos simples poetas. A prática do haicai como um mero jogo de palavras, "poesia pela poesia", empobrece nossa experiência e torna mais longo nosso caminho rumo a uma arte transcendente.




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