<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>SENNIN</title>
	<atom:link href="http://www.kakinet.com/sennin/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.kakinet.com/sennin</link>
	<description>haicai e mais um mundo de trivialidades</description>
	<lastBuildDate>Sun, 29 Mar 2009 16:14:51 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.0.3</generator>
		<item>
		<title>O Haicai no Brasil</title>
		<link>http://www.kakinet.com/sennin/2009/03/o-haicai-no-brasil/</link>
		<comments>http://www.kakinet.com/sennin/2009/03/o-haicai-no-brasil/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 05 Mar 2009 16:58:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sennin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Lembretes]]></category>
		<category><![CDATA[franchetti]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.kakinet.com/sennin/?p=143</guid>
		<description><![CDATA[Está no ar um artigo de Paulo Franchetti sobre o haicai no Brasil, resultado de sua participação no &#8220;Coloquio Internacional El Sentido del Orientalismo desde Mexico y Brasil&#8221;, promovido pela Embaixada do Brasil e pela Faculdade de Filosofia e Letras, Direção Geral de Assuntos de Pessoal Acadêmico e Cátedra Extraordinária João Guimarães Rosa do Colégio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Está no ar um artigo de Paulo Franchetti sobre o haicai no Brasil, resultado de sua participação no &#8220;Coloquio Internacional El Sentido del Orientalismo desde Mexico y Brasil&#8221;, promovido pela Embaixada do Brasil e pela Faculdade de Filosofia e Letras, Direção Geral de Assuntos de Pessoal Acadêmico e Cátedra Extraordinária João Guimarães Rosa do Colégio de Estudos Latino-americanos da Universidade Nacional Autônoma do México, durante os dias 13, 14 e 15 de novembro de 2007.</p>
<p><a href="http://www.scielo.br/pdf/alea/v10n2/07.pdf ">http://www.scielo.br/pdf/alea/v10n2/07.pdf </a><br />
<br/><br/><br/><br/></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.kakinet.com/sennin/2009/03/o-haicai-no-brasil/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O orvalho sobre a pedra</title>
		<link>http://www.kakinet.com/sennin/2009/03/o-orvalho-sobre-a-pedra/</link>
		<comments>http://www.kakinet.com/sennin/2009/03/o-orvalho-sobre-a-pedra/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 01 Mar 2009 17:59:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sennin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[bashô]]></category>
		<category><![CDATA[bôsha]]></category>
		<category><![CDATA[marsicano]]></category>
		<category><![CDATA[metáfora]]></category>
		<category><![CDATA[orvalho]]></category>
		<category><![CDATA[outono]]></category>
		<category><![CDATA[tradução]]></category>
		<category><![CDATA[wolverine]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.kakinet.com/sennin/?p=119</guid>
		<description><![CDATA[Circula por aí um haicai muito famoso atribuído a Bashô: Ao sol da manhã uma gota de orvalho. Precioso diamante. Há muitas páginas na internet trazendo este poema, publicado no prefácio a “Haikai”, antologia de haicais traduzidos por Alberto Marsicano (Editora Oriento, 1988), e novamente publicado no prefácio a “Trilha estreita ao confim”, tradução feita [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="center" src="http://www.kakinet.com/sennin/images/wolverine1.jpg" alt="Wolverine e o haicai" /></p>
<p>Circula por aí um haicai muito famoso atribuído a Bashô:</p>
<p>Ao sol da manhã<br />
uma gota de orvalho.<br />
Precioso diamante.</p>
<p>Há muitas páginas na internet trazendo este poema, publicado no prefácio a “Haikai”, antologia de haicais traduzidos por Alberto Marsicano (Editora Oriento, 1988), e novamente publicado no prefácio a “Trilha estreita ao confim”, tradução feita também por Alberto Marsicano do famoso diário de Bashô.<br />
 <span id="more-119"></span><br />
Mesmo não sendo um especialista no mestre japonês, me chamou a atenção a construção deste haicai, em torno de uma metáfora comparando uma gota de orvalho a um diamante. Não é o caso de dizer que o haicai não comporta a metáfora. Sempre se escreveram versos com o intuito de saudar pessoas, como este:</p>
<p>Olhando de perto<br />
Nem mesmo um grão de poeira &#8211;<br />
Crisântemo branco.</p>
<p>Bashô escreveu o haicai em homenagem a sua anfitriã Sonome, aludindo à pureza de seus sentimentos. Isto é, o haicai é uma metáfora do caráter de Sonome. Entretanto, a diferença em relação a um uso mais “ocidental” da metáfora está no fato que o haicai sempre permite duas leituras, a objetiva (o crisântemo está limpinho) e a subjetiva (Sonome é pura como um crisântemo).</p>
<p>Modernamente (a partir do século 20), a metáfora ganhou lugar no haicai japonês, tanto entre tradicionais como entre conservadores. Mas isso é assunto para outra conversa. O que quero assinalar é que dificilmente Bashô (século 17) teria escrito o poema tal qual se apresenta.</p>
<p>Como sempre, a culpa inicial recai sobre o pobre tradutor, quem quer que tenha sido. Por isso fui à procura do original. Minha hipótese era de que deveriam ser mencionadas as palavras &#8220;orvalho&#8221; e &#8220;pedra&#8221;. Entretanto, depois de vasculhar uma coleção dos 1000 haicais originais de Bashô, não achei nada parecido. </p>
<p>Eis alguns dos haicais do mestre que citam orvalho:</p>
<p>Ao orvalho da manhã<br />
fresco e enlameado<br />
o melão.</p>
<p>Orvalho branco &#8211;<br />
a flor de lespedeza ondeia<br />
sem derramar.</p>
<p>Um outro, muito famoso, é este:</p>
<p>Não se esqueça<br />
do gosto solitário<br />
do orvalho branco.</p>
<p>Mas este, vejam só, está classificado na seção de “duvidosos”, haicais tradicionalmente atribuídos a Bashô cuja autoria é contestada. </p>
<p>Sem pista sobre o misterioso haicai (que agora sei que, definitivamente, não é de Bashô), apelei ao Google: uma busca pelas palavras-chave em inglês (diamond, dew, etc.) retornou com um haicai muito próximo da versão em português:</p>
<p>A drop of dew<br />
sits on a rock<br />
like a diamond.</p>
<p>(tradutor: Yuzuru Miura)<br />
<a href="http://www.wonderhaikuworlds.com/posts/view/857">http://www.wonderhaikuworlds.com/posts/view/857</a></p>
<p>Não achei nada em francês, nem em espanhol. Em italiano, consegui o seguinte:</p>
<p>una goccia di rugiada<br />
come un diamante<br />
su una pietra</p>
<p>(tradutor desconhecido)<br />
<a href="http://nettunodue.splinder.com/archive/2007-10 ">http://nettunodue.splinder.com/archive/2007-10 </a></p>
<p>Pode-se verificar que a versão em português, “Ao sol da manhã/ Uma gota de orvalho/ precioso diamante”, ganhou alguns enchimentos. “Ao sol da manhã” contextualiza o haicai, mas explica o que não é necessário, pois o orvalho que reluz como diamante só poderia ocorrer ao sol da manhã. E diamantes são, normalmente, preciosos, o que torna o adjetivo absolutamente redundante.</p>
<p>Bem, o autor do haicai misterioso, conforme indicado nas páginas de onde vieram as traduções, é&#8230; Bôsha. Sim, ao invés de Bashô, Bôsha. Um equívoco feito por um leitor apressado ou simplesmente uma “correção” bem-intencionada e temos um haicai atribuído a Bashô, no melhor estilo de lenda urbana, potencializada pela internet, como é o caso dos lindos textos de auto-ajuda, atribuídos a Jorge Luis Borges ou Carlos Drummond de Andrade, que normalmente encontramos afixados nos murais das empresas e do restaurante por quilo.</p>
<p>Resolvido o mistério da autoria, resta o mistério da origem da lenda. Nas antologias traduzidas que tenho em mãos (Svanascini, Geir Campos, Olga Savary, Primo Vieira), não existe este haicai. Por enquanto, ele só aparece nos dois livros de Marsicano citados no início. Como nenhum deles traz bibliografia, não se pode avançar muito na investigação.</p>
<p>Quanto a Kawabata Bôsha, o verdadeiro nome do autor, este nasceu em 1897 e morreu em 1941, tendo sido filiado à escola de haicai Hototogisu, tradicional. O haicai de que falamos foi publicado em 1933. Mais sobre sua vida pode ser encontrado em:</p>
<p><a href="http://wkdhaikutopics.blogspot.com/2007/04/kawabata-bosha.html ">http://wkdhaikutopics.blogspot.com/2007/04/kawabata-bosha.html </a></p>
<p>E o haicai em si, será um bom poema?</p>
<p>O original em japonês éassim: &#37329;&#21083;&#12398;&#38706;&#12402;&#12392;&#12388;&#12406;&#12420;&#30707;&#12398;&#19978;</p>
<p>A transliteração e a tradução palavra a palavra vêm a seguir:</p>
<p><em>kongô</em> | <em>no</em> | <em>tsuyu</em> | <em>hito</em> | <em>tsubu</em> | <em>ya </em>| <em>ishi</em> | <em>no</em> | <em>ue</em><br />
&#8220;diamante&#8221; | de | orvalho | uma | gota | &#8212; | pedra | da | alto</p>
<p>(As aspas em torno de &#8220;diamante&#8221; não são gratuitas)</p>
<p>Vamos, de início, partir para uma tradução bem literal:</p>
<p>De &#8220;diamante&#8221;<br />
Uma gota de orvalho &#8211;<br />
Alto da pedra.</p>
<p>Esta tradução não é muito funcional em termos de poesia, mas sua vantagem, para os leitores já acostumados à linguagem do haicai, é expor a técnica da justaposição, um dos pilares do haicai tradicional, e o ponto exato de corte entre as partes, delimitado em japonês pela sílaba ya (conhecida por kireji ou palavra de corte) e em português pelo travessão (&#8211;):</p>
<p>1. Gota de orvalho de &#8220;diamante&#8221;<br />
2. Alto da pedra</p>
<p>A segunda parte me parece ser apenas uma contextualização da primeira, situando a gota de orvalho no espaço. Portanto, pelo menos neste poema, a justaposição não tem um efeito tão dramático quanto o que vemos em outros casos, em que a junção de entidades sem nexo lógico imediato constrói um novo sentido, diferente do que representam as partes separadas. Logo, o &#8220;ponto&#8221; do poema está na primeira parte. </p>
<p>De imediato, percebemos que o autor não tem nenhuma dúvida sobre a natureza da gota de orvalho. Não é uma mera comparação, como na versão de Miura, que passo literalmente para o português:</p>
<p>A drop of dew<br />
sits on a rock<br />
like a diamond.</p>
<p>Uma gota de orvalho<br />
Assenta-se sobre uma rocha<br />
Como um diamante.</p>
<p>Além de ter morrido de tuberculose, um mal assaz freqüente entre os poetas d&#8217;antanho, Bôsha foi pintor, especializado em naturezas-mortas. Sua escola propunha olhar fixamente o objeto a retratar, até que sua verdadeira natureza se revelasse. O haicai bem pode ter sido resultado de um desses exercícios, ainda mais quando se sabe que os haicaístas são um povo estranho, acostumado a enxergar o universo dentro de coisas tão insignificantes quanto um grão de areia ou o olho de uma libélula. </p>
<p>Por outro lado, no âmbito da cultura clássica, o orvalho sempre foi considerado o símbolo da impermanência, um conceito budista. Ao surgir de manhã, brilhando ao sol, e desvanecer-se sem deixar vestígio ao cabo de horas, o orvalho torna-se uma metáfora da limitada vida humana e suas vicissitudes. Entretanto, nos minutos em que Bôsha encarou aquela gota sobre a pedra, estática, densa, redonda e gloriosa em sua plenitude, a visão de um paraíso eterno e inabalável se revelou.</p>
<p>Para Bôsha, a gota de orvalho não se parecia com um &#8220;diamante&#8221;.  Ela era o &#8220;diamante&#8221;. </p>
<p>Foi da tensão entre a efemeridade física do orvalho e a eternidade vislumbrada que Bôsha resgatou a palavra <em>kongô</em> (&#37329;&#21083;), que até agora entendêramos como &#8220;diamante&#8221;, entre aspas.</p>
<p>Por que as aspas em &#8220;diamante&#8221;?</p>
<p>A palavra japonesa <em>kongô</em> tem origem no chinês, que por sua vez deriva do sânscrito <em>vajra</em>. Denomina o cetro (pode ser um raio) indestrutível usado pelo deus Indra para combater a ignorância. Por extensão, também significa uma substância dura, tão dura que não há, no universo, o que possa destruí-la. </p>
<p>Enquanto isso, no ocidente, ao descobrirem que as pedras de carbono cristalizado encontradas sob a terra eram a substância mais dura conhecida, os homens passaram a chamá-las de diamantes, cuja etimologia é o grego adámas (&#7936;&#948;&#940;&#956;&#945;&#962;), que quer dizer indestrutível ou indomável. </p>
<p>Logo, por analogia, o ocidente costuma traduzir <em>vajra/kongô</em> por diamante. Vejam o exemplo da Sutra do Diamante, texto sagrado budista (em sânscrito: <em>Vajracchedika Prajnaparamita Sutra</em>; em japonês: <em>kongô-kyô</em>), também conhecida como o ensinamento que, por ser duro e afiado como o diamante, corta a ilusão.</p>
<p><a href="http://zatma.org/Portuguese/literature/sutras/diamond.html ">http://zatma.org/Portuguese/literature/sutras/diamond.html </a></p>
<p>Porém, no japonês moderno, a pedra preciosa diamante é nomeada pela palavra inglesa <em>diamond</em> (&#12480;&#12452;&#12516;&#12514;&#12531;&#12489;), ficando a palavra <em>kongô-seki</em> (literalmente &#8220;pedra de <em>vajra</em>&#8220;) reservada para uso literário.  </p>
<p>No ocidente, o grego adámas também derivou para &#8220;adamante&#8221;, palavra reservada para um uso mais &#8220;poético&#8221;. De adamante, chegamos a adamântio ou adamantium, a substância mitológica e indestrutível, existente apenas no mundo Marvel, de que são feitas as garras do mutante Wolverine. </p>
<p><a href="http://es.wikipedia.org/wiki/Adamantio ">http://es.wikipedia.org/wiki/Adamantio </a></p>
<p>A palavra diamante tem seu valor como símbolo de dureza, luminosidade e durabilidade (&#8220;diamantes são eternos&#8221;), mas está longe da dimensão mítica alcançada pela palavra <em>kongô/vajra</em>. Ao enxergar a inexpugnabilidade de <em>vajra</em> no efêmero orvalho, quem sabe Bôsha tenha feito uma metáfora de si mesmo, expressando a enorme força interior emanada de seu corpo doente. </p>
<p>É por isso que usamos aspas para o diamante da tradução, que não é uma mera pedra preciosa.</p>
<p>Antevendo esse problema, um tradutor mais esperto simplesmente ignorou a palavra <em>kongô</em>:</p>
<p>Just one drop of dew<br />
Situated on a rock &#8211;<br />
Indestructible.</p>
<p>(tradução: Yutaka Nakamura)<br />
<a href="http://worldkigo2005.blogspot.com/2005/04/dew-tsuyu.html ">http://worldkigo2005.blogspot.com/2005/04/dew-tsuyu.html </a></p>
<p>Só uma gota de orvalho<br />
Assentada sobre uma rocha &#8211;<br />
Indestrutível.<br />
<br/><br/><br/><br/><br />
Bibliografia</p>
<p>MATSUO, Yasuaki (editor). Haiku Jiten &#8211; Kanshô (Dicionário de apreciação de haicai). Tóquio, 1971. Ôfûsha.</p>
<p>NAKAMURA, Shunjô (editor). Bashô haiku-shû (Coletânea de haicais de Bashô). Tóquio, 1991. Iwanami.</p>
<p>YAMAMOTO, Kenkichi. Shinpan gendai haiku (Haicai moderno em nova edição). Tóquio, 1990. Kadokawa.</p>
<p>Wikipédia. Disponível na internet via www. URL: <a href="http://www.wikipedia.org">http://www.wikipedia.org</a>. Acesso em 28/02/2009.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.kakinet.com/sennin/2009/03/o-orvalho-sobre-a-pedra/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Rastros de sonhos</title>
		<link>http://www.kakinet.com/sennin/2009/02/rastros-de-sonhos/</link>
		<comments>http://www.kakinet.com/sennin/2009/02/rastros-de-sonhos/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 28 Feb 2009 03:11:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sennin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[bashô]]></category>
		<category><![CDATA[shirane]]></category>
		<category><![CDATA[verão]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.kakinet.com/sennin/?p=89</guid>
		<description><![CDATA[Fora a obra de Paulo Franchetti, faltam livros em português sobre o haicai e seu estudo. Enquanto a lacuna não é preenchida, recomendo este, em inglês. Traces of dreams (Rastros de sonhos), de autoria do professor nipo-americano Haruo Shirane, é mais do que um manual de haicai, uma biografia ou uma antologia de poemas. O [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="center" src="/sennin/images/capa-shirane.jpg" alt="capa - Shirane" /><br />
Fora a obra de Paulo Franchetti, faltam livros em português sobre o haicai e seu estudo. Enquanto a lacuna não é preenchida, recomendo este, em inglês. <em>Traces of dreams</em> (Rastros de sonhos), de autoria do professor nipo-americano Haruo Shirane, é mais do que um manual de haicai, uma biografia ou uma antologia de poemas. O título vem de um dos mais famosos haicais de Bashô, que, por sua vez, é um dos mais conhecidos poetas japoneses no ocidente:<span id="more-89"></span></p>
<p><em>natsugusa  ya tsuwamono domo ga yume no ato</em></p>
<p>Ervas de verão &#8212;<br />
rastros de sonhos<br />
de antigos guerreiros.</p>
<p>(trad. literal da versão em inglês de Haruo Shirane)</p>
<p>O livro trata do haicai e de suas raízes, expondo idéias que só se via discutidas em textos japoneses, como a questão da justaposição, do termo de estação (kigo), a personalidade dual do haicai, mundana e ao mesmo tempo tradicional, o renga (versos encadeados, a origem do haicai), e até mesmo os mitos sobre o haicai formados no ocidente. Será útil também para entender a questão do humor. A partir do estudo da obra de Matsuo Bashô, considerado o responsável por elevar o haicai à categoria de arte, este livro expõe como o haicai se consolidou como forma poética, apropriando-se de referências históricas e literárias do passado e reinterpretando-as para renovar o entendimento da tradição. As informações contidas no livro do Shirane podem até ser encontradas espalhadas em outros lugares, mas pela primeira vez estão reunidas num volume abrangente em língua inglesa. Esses assuntos são expostos com profundidade ao longo de 384 páginas. Entretanto, posso garantir que sua leitura é agradável e envolvente.</p>
<p>Título: Traces of Dreams: Landscape, Cultural Memory and the Poetry of Bashô<br />
Autor: Haruo Shirane<br />
Editora: Stanford University Press<br />
Preço: US$ 27,95<br />
ISBN: 0-8047-3099-7</p>
<p>Leia um tira-gosto do livro <a href="http://www.haikupoet.com/definitions/beyond_the_haiku_moment.html">neste link</a>.</p>
<p>E aqui, <a href="http://www.poetrymagazines.org.uk/magazine/record.asp?id=10861">uma entrevista</a> com o autor.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.kakinet.com/sennin/2009/02/rastros-de-sonhos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Parque Estadual do Jaraguá, S.Paulo</title>
		<link>http://www.kakinet.com/sennin/2009/02/parque-estadual-do-jaragua-spaulo/</link>
		<comments>http://www.kakinet.com/sennin/2009/02/parque-estadual-do-jaragua-spaulo/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 27 Feb 2009 22:30:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sennin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bloco de Notas]]></category>
		<category><![CDATA[cigarra]]></category>
		<category><![CDATA[s.paulo]]></category>
		<category><![CDATA[verão]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.kakinet.com/sennin/?p=72</guid>
		<description><![CDATA[Teatro de arena&#8212; O canto de uma cigarra no espaço vazio.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><br/><br/><br/>Teatro de arena&#8212;<br />
O canto de uma cigarra<br />
no espaço vazio.<br/><br/><br/><br/><br/><br/></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.kakinet.com/sennin/2009/02/parque-estadual-do-jaragua-spaulo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Haicai, haikai ou haiku?</title>
		<link>http://www.kakinet.com/sennin/2009/02/haicai-haikai-ou-haiku/</link>
		<comments>http://www.kakinet.com/sennin/2009/02/haicai-haikai-ou-haiku/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 26 Feb 2009 23:40:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sennin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Manual]]></category>
		<category><![CDATA[bashô]]></category>
		<category><![CDATA[haikai]]></category>
		<category><![CDATA[renga]]></category>
		<category><![CDATA[shiki]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.kakinet.com/sennin/?p=48</guid>
		<description><![CDATA[1. Haicai, haikai, haiku e haicu são sinônimos? Qual sua diferença? Haiku (俳句) é palavra estrangeira, japonesa, que, ao ser representada no alfabeto latino, deve ser escrita com k, de acordo com os sistemas tradicionais de transliteração (Hepburn, Kunrei ou Nippon). É o nome de uma forma poética originária do Japão, genericamente caracterizada por tercetos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>1. Haicai, haikai, haiku e haicu são sinônimos? Qual sua diferença?</p>
<ul>
<li>Haiku (俳句) é palavra estrangeira, japonesa, que, ao ser representada no alfabeto latino, deve ser escrita com k, de acordo com os sistemas tradicionais de transliteração (Hepburn, Kunrei ou Nippon). É o nome de uma forma poética originária do Japão, genericamente caracterizada por tercetos de 5-7-5 silabas e referências à estação do ano.</li>
</ul>
<ul>
<li> A palavra haiku é utilizada no mundo inteiro, exceto no Brasil, onde foi substituída pela palavra haikai, que, após a reforma ortográfica de 1943 (e a queda da letra k), passou a se grafar haicai.</li>
<p><span id="more-48"></span>
</ul>
<ul>
<li> A grafia haicu é incorreta.</li>
</ul>
<p>2. Com a reforma ortográfica de 2008 e a volta da letra k, passará a ser correto escrever haikai?</p>
<ul>
<li>Não sei.</li>
</ul>
<p>3. Qual é a origem da palavra haiku?</p>
<ul>
<li>O renga (連歌), que quer dizer poemas encadeados, era um passatempo praticado pela nobreza, que consistia no encadeamento de dezenas ou centenas de poemas de 5-7-5 e 7-7 sílabas feitos coletivamente, exigindo alto grau de erudição.</li>
</ul>
<ul>
<li> Com o tempo, surgiu uma modalidade de renga mais simples e popular, &#8220;de brincadeira&#8221;, praticada como contraponto à modalidade &#8220;séria&#8221;, e que passou a ser conhecida como &#8220;haikai-renga&#8221; (俳諧連歌), ou “poemas encadeados humorísticos”.</li>
</ul>
<ul>
<li> O haikai-renga foi aperfeiçoado por Matsuo Bashô (1644-1694), que o tornou digno de apreciação literária.</li>
</ul>
<ul>
<li> A essa altura, o haikai-renga era conhecido abreviadamente como &#8220;haikai&#8221; (俳諧). O primeiro poema do encadeamento chamava-se &#8220;hokku&#8221; (発句), ou &#8220;estrofe inicial&#8221;. Estas estrofes iniciais podiam ser compostas de antemão, o que fez com que, gradualmente, ganhassem cada vez mais autonomia como poemas independentes.</li>
</ul>
<ul>
<li> No século 19, Masaoka Shiki (1867-1902) fundiu as palavras &#8220;haikai&#8221; e &#8220;hokku&#8221;, dando origem ao termo &#8220;haiku&#8221;, que quer dizer &#8220;estrofe (ku=句) de haikai (hai=俳)&#8221; e que na atualidade denomina o poema independente de 5-7-5 silabas.</li>
</ul>
<p>4. Por que no Brasil usa-se a palavra haicai ao invés de haiku?</p>
<ul>
<li> A sílaba ku ou cu é considerada cacofônica na língua portuguesa. Foi Luís Antônio Pimentel (1912-) quem sugeriu ao lexicógrafo Aurélio Buarque de Holanda a dicionarização da forma haicai em lugar de haiku ou haicu, prevendo que estas duas últimas formas não contribuiriam para a popularização do gênero poético.</li>
</ul>
<ul>
<li>De qualquer maneira, desde Afrânio Peixoto e Guilherme de Almeida, a forma haikai ou haicai sempre foi a escolhida para nomear os poemas de três versos e dezessete sílabas.</li>
</ul>
<ul>
<li>No início do século 20, os franceses já utilizavam a palavra haikai para denominar esses poemas, enquanto ingleses e americanos preferiam o termo hokku. Modernamente, todos usam o termo haiku, exceto os brasileiros.</li>
</ul>
<p>5. Tenho encontrado as grafias haicai, hai cai, hai-cai, haikai, hai kai e hai-kai; qual é a correta?</p>
<ul>
<li>A palavra haicai já é um termo aportuguesado, constante do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da <a href="http://www.academia.org.br">Academia Brasileira de Letras</a>. As outras formas citadas não o são.</li>
</ul>
<p>6. O que significa originalmente haikai?</p>
<ul>
<li>A palavra haikai é composta de dois ideogramas chineses (hai=俳 e kai=諧) que, juntos, têm o significado de derrisão, brincadeira, piada, humor, chacota, leviandade ou falta de seriedade. Com esses significados, foi usada, por exemplo, para nomear uma seção de poemas da antologia imperial Kokin wakashû (século 10 dC), considerados indecorosos ou humorísticos e caracterizados por excessos ou deficiências de linguagem.</li>
</ul>
<p>7. Sendo haicai e haiku palavras originadas da língua japonesa, qual seu significado em português e em japonês?</p>
<ul>
<li>Haicai (com c), em português, quer dizer &#8220;poema japonês constituído de três versos, dos quais dois são pentassílabos e um, o segundo, heptassílabo&#8221; (Aurélio).</li>
</ul>
<ul>
<li> Haikai (com k), em japonês, é modernamente equivalente a &#8220;haikai-renga&#8221;, ou &#8220;poemas encadeados humorísticos&#8221;. Também é usado como um denominador comum para abarcar toda as formas artístico-literárias que lhe são derivadas, como haiku, senryû, haibun, haiga, renku, etc.</li>
</ul>
<ul>
<li> Haiku, em japonês, denomina poemas de 5-7-5 sílabas e referência à estação do ano. Mas também existem poemas haiku contemporâneos, de métrica e temática livre.</li>
</ul>
<p>8. Qual é a pronúncia correta da palavra haicai? Com o H aspirado (RAICAI) ou H mudo (AICAI)?</p>
<ul>
<li>Na língua japonesa, o H é aspirado. Na língua portuguesa, não existe o som do H aspirado, como na língua inglesa (exemplo: home, happy), e que, a rigor, é diferente do R forte (rosa, rato). Sendo assim, o H é mudo (como em hotel ou hábito), o que deveria ser o caso da palavra aportuguesada haicai. Entretanto, devido à influencia da língua inglesa, é muito comum encontrar pessoas que pronunciam o H aspirado. Outra fonte de influência é a convivência com nipo-descendentes, o que ajuda a popularizar a forma aspirada.</li>
</ul>
<ul>
<li>Consideramos que ambas as formas, muda ou aspirada, são corretas.</li>
</ul>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.kakinet.com/sennin/2009/02/haicai-haikai-ou-haiku/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

