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Todos os haicais aqui publicados foram enviados diretamente por seus autores.

Estabelecido em 1996, portanto há mais de vinte anos, o Graffiti foi o primeiro espaço da internet aberto à participação dos internautas de língua portuguesa dedicado exclusivamente ao haicai. Tanto tempo depois, é com imensa satisfação que vemos a popularidade sempre crescente desse gênero poético e a multiplicação dos espaços a ele dedicados na rede. Sendo assim, o Graffiti dá por encerrada sua missão e não mais aceitará novas contribuições. Os haicais aqui publicados permanecerão expostos por tempo indeterminado.

  Everton Lourenço Maximo




O peixe mergulha
do seu salto sobre a rocha:
o rio não para.



Formigas carregam
uma de suas nas costas:
são todas viúvas.



As pontas quebradas
dos lápis que te desenham
inda estão na mesa



No céu brilha a lua;
cor viva, figura altiva.
Recordação tua.




  Tony Marques




Haicai I

Borboleta branca
Pousa em minha janela —
Dou-lhe cores vivas



Haicai II

De terninho preto
Lá se vai a andorinha —
Viajante dos trópicos



Haicai III

Cachorro vadio
À sombra da quaresmeira
Dorme sobre flores



Haicai IV

Feira de orquídeas —
Minha mãe sempre falava
Das cores do mundo



Haicai V

Chuva de granizo —
Compartilho com os pássaros
A minha varanda




    Henrique Santos (pakkatto)




Pensas que o poema vai
Ele chega a dizer:"hi"
Aí cai



Dom

O único dom que tenho
É o de ser Machado
Quando estou Casmurro




  Thiago Souza




As folhas vermelhas
brilham num dia de sol:
o inverno se alegra.



Venta. Folhas correm.
Fico preocupado e penso
na volta pra casa.



As flores à noite
recendem pelo caminho.
Lembro-me de ti.




  E. Silva




Perto da fonte

sapo cururu
na beirada do ribeiro
coaxa bem baixinho



Ao luar

indo, de mansinho
'travessei o ribeirinho
coração a mil



Rotina

eis a luz radiante
sol, que cai e sempre sobe
todo dia a mesma



Momento

a nuvem passou
sol parcialmente encoberto
o céu ficou pálido



Incenso

ei, olhe a fumaça
como ela, vã, se dissipa
parece com a vida




  O Livreiro




Um dia nublado
no beiral do mar sem fim:
tudo está grisalho



Vento invernal:
canção nos galhos desnudos
traz a chuva aos olhos



Passa o dia: a noite
convidou para jantar
a Dona Saudade




  Gustavo Terra




ao seu voo rápido
borboletinha amarela
o mais é cenário!



zunir da cigarra...
no instante da pausa
o silêncio ecoa



flor do verão!
a tarde chovida em aves
o cheiro do mato



primeira friagem...
o jardim forrado em folhas
um pio distante



no olho da calma
o silêncio do encontro...
momento preciso




  Cláudio Feldman




o pardal
foge do frio
no bolso do espantalho



sob o luar
até eu
sou paisagem



estrelas
caídas no pântano
procuram seu avesso



mata quase nua:
um sabiá
canta o outrora




  Grf




Vem primavera
todos verão
o que espera.




  Akemi Yamamoto Amorim




mamãe passarinho chocando,
papai trouxe a comida
festa na copa das árvores



as peninhas
tão leves, flutuam
no ar



está calor
o sapo coaxa
dentro da bromélia



a Duda de capacete
uma cachorra intergaláctica
voa num foguete



Tiê-sangue vermelho
como o fogo
uma rara beleza




    Silvio Feitosa




A terra sangra
A cana avança
Ganância que engana!



Sete copas pelado
Sob o vento gelado
Inverno nublado



A Rosa cresce
A chuva desce
Primavera floresce



O flautista tocou
A criança gostou
E o coração marcou




  Sandra Hiraga




Sob o ipê florido
embelezam de amarelo
as flores que caem.



No final da tarde,
até o sol para e contempla
seu reflexo na água.



Hemisfério Sul —
É estação do calor
no mês de janeiro.



No jardim da vida,
imagino o paraíso
de cores e flores.



Com desmatamento,
vivem os micos também
num triste lamento.




    Luiz Cabral de Melo




Virão,

partidos em dois
sóis brutos lutam sem mira
montam energia



Afogada,

envolta de lágrimas
leveduras bebem ar
divide o fôlego




  Josete Maria Vichineski




Muda a estação
Primeiro florear de inverno
É do ipê roxo



Almoço familiar.
Mamãe serve a iguaria:
Musse de abacate.



A tarde se vai.
E com ela se despedem
O Sol e a Lua Nova.



Céu cheio de estrelas.
Manada de capivaras
Degusta o capim.



Galhos desfolhados.
Árvore seca anuncia:
O inverno chegou.




  Zuleika dos Reis




A garoa cai.
Cintilam poças na rua
à luz dos faróis.




  Ilmar




pra Renatinha

Enquanto a chuva chora
No chão deito e pulsa o peito
Você vem agora



para Renata

No quarto quente
Muro sobre a luz: escuro
Minha mão não mente




  joaot2015




dois olhos namoram
foi hipnotizado ao ver
sua beleza radiante



as gotas de chuva
caem lindamente
em seu cabelo dourado



meia-noite ao meio-dia
o rio amazonas
dormia saltado




  Geralda Caetano Gonçalves




manhã de inverno—
pela fresta do telhado
um raio de sol



na primavera
com os galhos entrelaçados—
árvores gêmeas




  Júlio Parreira




A meia lua esconde
por detrás dos pinheiros
sua embriaguez.



Por falta de pilha
o relógio parou
na eternidade.



É abril em mim.
O silencio quanto vale?
ouro carmesim.



A porta da casa
amarela-se com folhas
pintadas de outono.




    Regina Ragazzi




Casa abandonada—
a aranha faz sua teia
na porta de entrada



O gari folheia
o livro de poesias—
Voa passarinho!



Rodopia a roupa
na máquina de lavar—
chuá... Chuá... Chuá...



Sob a luz do poste
a menina de capote
lê Antón Tchekhov



Quanta solidão
nos olhos do velho
no choro do cão




  Reinaldo Cozer




Haicai
é um poema
minimalista!



A noite nublada
tudo apaga
menos teu sorriso.



A vida tacanha
dorme lá fora
enquanto a gente se banha!



Espada do samurai
corta ao meio
um hai outro cai!



Você revela
desejos mais íntimos
à luz de vela.




  Claudia Chermikoski




Água de cristal
Forma nuvens coloridas
No meu céu de sol.



Percebo que o mundo
É como poço sem fundo
Espelhando o céu.



Triste fim

Impresso no asfalto
O pássaro colorido
Teve um fim cruel.



Meus haicais de chuva
Caem fortes, sem cessar
Unem céu e terra.



Verão 2014

Chuva chora triste
Ao enterrar o calor
Mas depois sorri.




  Antônio Gonçalves Hudson




na cerca de arame
as flores brancas se enrolam
e ganham espinhos



na verde colina
bem mais que o fruto me apraz
a flor pequenina



Sol de inverno —
um resto de névoa paira
sobre o rochedo




  Kola




_\|/_

Vale do Ribeira
bolo a noite sem seda
folha de bananeira



cultivando ao silêncio
plantei aos prantos
meu próprios gritos.



A rua na lua
estrelam sem gravidade:
pegadas. Ex-passos.



Relógio d'água
se liquefaz o tempo
pinga instantes.




    Alvaro Posselt




Lua de outono —
Dorme o bêbado na praça
todo iluminado



A rua vazia —
Ressoa na escuridão
o cri cri do grilo



Manhã de primavera —
O voo do avião trepida
na poça d'água



Um galho seco
divide a lua ao meio —
Crescente e minguante




  Luane Tiyeko




Inverno frio
um medo congelante
dá arrepios



respiro o ar
sempre com alegria
e harmonia




  Thiphany Satomy




folhas flutuam,
onda vai e onda vem
avançam o mar



vejo as flores
coloridas e lindas
brilham meus olhos



árvores grandes
formam extensas sombras
descanso em paz



um tronco oco
abriga esquilinhos
colocam nozes



sementes fortes
formam novas gerações
mais resistentes




  Léia




Um toque macio,
como o beijo da menina
as águas do rio




    Anfrangil




pomba branca da paz
a flor da colina
que benigna apraz



Eu afogo as distâncias
constantes abismos
montanha ou labirintos.



Pés desprotegidos
pisam pedras
por onde eu trilho.



Chapéu do poeta
é um estribilho
livro, alfa e beta.



Pela avenida vão pessoas
e enquanto nos rios
congestionamento de canoas.




  Purple Pazinato




Geada

Nas montanhas distantes
Geadas constantes
Se afogam no abismo.




  Conceicao Chaves




Nos trilhos do trem
Ferem-se nas pedras quentes
Pés desprotegidos



Livro nas mãos
O poeta declama
Chapéu na cabeça



Em frente à igreja
Árvores, carros e vento.
Pessoas vem e vão.




  Igor




Céu Carioca

O calor é tanto
que as núvens fogem do céu
deixando o Sol nu



Nos fios do poste
Andorinhas se empoleiram
Vendo o pôr-do-sol



A brisa da praia,
Neste calor, chega a ter
Um gosto salgado



Asfalto enxarcado
Sob o Sol escaldante:
Ilusão de calor.



Erosão

Água mole em pedras
duras — Tanto bate até
que faz escultura.




    Rubens Jardim




O sol é o mesmo
A água é a mesma
—Eu é que sou a lesma!



Reflexão

Sou casca no chão
Sou raspa de pote
Sou minha insurreição!



Coração do Mundo

No pulso da palavra
sinto bater
o coração do mundo




  Sonia Regina Rocha Rodrigues




Milhares de filhotes
Na maré de primavera —
Também borboletas!



Risos pela casa e
Também tantos cheiros bons —
É dia das crianças.



Há trafego intenso —
Vendo o ipê amarelo
Meus olhos descansam.



Trabalho contente —
A música das cigarras
Vai marcando o ritmo.



As cores sumindo
No girar do cata-vento —
Menino surpreso.



Varro, embevecida —
Sinfonia de cigarras
Alegra a faxina.




  Leosan




Outono em fuga
Assustado com o frio
De cara feroz.



Outono chegando.
Coleirinha já não canta
com mesmo vigor.



Verão fenecendo
urubus formam coroa
no céu esbranquiçado.




    Rita Schultz




saúda o dia
no horizonte a chuva
bons ventos em flor



manhã de laranjeiras
canta na sombra o sabiá
que calor



no verão de asas
entre cinzas do céu
o branco das garças



os juncos no lago
estão verdes
curva-se a garça branca



as rãs no lusco-fusco
conversando no pântano
eu ri




    Kissyan Castro




Libélula pousa –
a sombra lhe apanha
antes que voe.



Lua refletida
no rio — peixe salta e
cai no prato.



Susto no jardim —
a cigarra e uma placa:
proibido fumar.



O espelho da água
me traz ao rosto uma ruga —
a brisa ou o tempo?



Suavíssimo choro
de menino ouço — vento
surrando bambus.




  David Mariz




as flores pretas
animais todos gordos
vamos para a praia




  Caio Yokoyama




1º haicai

Ouço o relógio
no silêncio da noite —
apenas isso.



Não há silêncio
igual ao das noites
de Curitiba.



Pombo selvagem
observando os carros
do fio à estrada



Um só toque

A profundeza
dum prato envelhecido
com sabedoria




  Leon Leitão




Na sopa boiando
— depois do ataque;
a mosca kamicase.



Avião que no sonho
não consigo abater
mosquito zumbindo no amanhecer.




    Lucas Eduardo




Ruídos no telhado
pingos
musica no feriado.



Caneta gira
ao reflexo do sol
gira gira girassol



Do tinteiro
palavras saem
— amor verdadeiro.



No ônibus
a chuva cai
do ponto,ninguém sai.



Na rua,
água corre sem beira,
no bueiro,uma cachoeira.




  Akatonbo




nadam no vento
como carpas douradas
folhas de bambu




  Ilma Soraia




Cores de Abril
Pensar no que é seu e meu:
desejos vitais



Junho sem festas.
Friozinho me deixa mole
de tanta saudade!



Saudade de mim.
Festa junina da menina
que um dia eu fui.



Manhã de frio.
Na janela embassada
seu nome está.



Noite Fria,
penso em ti e esquento
meu coração só.




    Yumi Kojima




Calor e chuva
Caminham pela janela
Lágrimas de outono




    Mariana Campos




beija-flor
quando te vi
não estavas mais lá



mingua a lua — no telhado
mia (grave) faminto
um gato




  Ricardo Akira Kokado




é preciso pouco
andar na senda da noite
basta um vagalume



o verão despede-se
tem o sabor da saudade
antes da partida



deitado na rede
solitário vaga-lume
apaga sua chama



rua de folhas secas
sob os meus passos sem pressa
uma borboleta



são flores silvestres
o sol segue a trilha mínima
o orvalho cintila




  Xico




Equinócio (para Harumi)

Hoje, ao Norte,
A Primavera se volta
Nova ao Sul.




  Sérvio Lima




uma libélula
pousa em outra libélula
ah, o amor!



folhas ao vento
é outono
pássaros perseguem as folhas



gotas de orvalho
cobrem a borboleta
camuflagem de prata



debaixo das folhas
formigas se agasalham
frio de inverno



o crisântemo branco
ainda que pisado
é crisântemo branco




  Priscila Zentil




Arco-íris no céu
Está sorrindo o menino
Que há pouco chorava




    Cachone




a viúva-negra
na calada da noite
sempre sozinha



na teia de aranha
pernilongo desafina
fim da picada




  Danielli Rodrigues




Paisagem

Minha natureza
Sorrio por este encanto —
Musa, inspiração.



A minha árvore

A vida e a morte:
um doce mistério,
profundo verde encanto.



Trovão

Gelou num instante
Algo muito diferente
Deu nó meu coração.



Floresta

Maluca condessa.
Fogos, paixões e rumores!
Um novo caminho.



Ventos

No meu pensamento —
Há vida desconhecida.
Sinto tua presença.




    Nazareth Bizutti




Suave impressão de asas
abrindo em tempo-semente
e pausa suspiro



Conspiração no Azul
pincelada de silêncio
para a cor primordial



Desfia e tece a prece
rosário vivo e disfarce
de lágrima leve



Estrela contida
em fenda de longínquo azul
veste-se de nuvem



O Cruzeiro do sul
no céu de anil reluzindo
a paz do Brasil




  Alaine




O quadro

Sem sol, só o vento
Sua tristeza completa,
Aqui Silencioso inverno.



Fim de tarde

Do céu bela aurora
Do mar doce maresia
Do dia perfeita hora




    Teresa Cristina flordecaju




Sabiá no galho —
O vento sobe na árvore
para ver o canto




  Mara Mari




Tempo do Vento

O tempo do vento
Corre sem parar
Carrega sementes



Novos ares respirar
Vento traz palavras
Sentimento é semente



Vai brotar no tempo
Tempo traz vento
Natureza canta e desencanta.




    José Feldman




(Poeta)

Viajar no espaço
Coração do amanhecer
Delírio eterno.



(Amor)

Suspira o corvo,
Evoca rios de ternura
Musgo do amanhã.



(Morte)

Ponte da verdade
Córregos da Memória
Castelos da ilusão.



(Chuva)

Gotas de vidro
Espelho da penumbra
Alívio da manhã.



(Epiléptico)

Ser imperfeito
Peregrino de sonhos
Cão vira-lata




    Augusto Menezes




Com o por-do-sol
A vida se vai,
Fico só.



No vento que varre o mundo,
A sujeira fica
Dentro do coração fecundo.



Garoto fuma crack
Na esquina, um baque
Policiais combatem o crime.



Os raios brilhantes
Não rasgam o céu,
O Cobertor da alma.



Da terra ao céu
Há muitas coisas
Verdade, tire o véu.




  João de Deus Souto Filho




Voa andorinha,
Risca o céu e arrisca
Um mergulho agorinha.



Sol na minha porta,
Brisa na minha janela,
Ondas marulhando.



Quando amanhece,
Beijo a brisa que me beija:
O dia agradece.




  Renata




Borboleta!
Pousou na minha mão
me viu e voou.



Primavera!
A borboleta
vai e vem por aí.



Flor roxa

caiu no chão.
Meu primeiro amigo
veio e varreu



Vento.
A folha cai no chão
outras mais virão



Dia de sol.
O céu!
Sou amiga da nuvem branca.




  Dirce Maria




Ata ou desata
Nos passeios da beata
Tem dias fatais




    Mauna




Haikai

O poema mais belo
quero escrever no teu corpo:
te quero, te quero...



Haikai

Um haikai já basta
pra dizer dessa nuvem
que vem e que passa



Haikai

A gaivota brilha
mais intensa do que o sol.
Rainha da ilha.



Haikai

Uma pomba passa
Deseja tocar o solo
Alumbra-me a graça




    Mô Schnepfleitner




Tatuagem

Procurando flores
borboleta pousa
entre minhas sardas.



Tarde de verão
lagarto sem cauda
passeia tranquilo.



Sombra no mato
passarinho assovia —
avencas ao vento.



Passarinho posa
seu peito vermelho
para fotografia.



Vento balança —
folhas de plátano
caem no chão




  Docá




Letras soltas
Palavras com sentido
Livro concluído



Automóvel
Ford Ecosport
Sonho realizado



É primavera
Cidade florida
Alegria do povo



Mato molhado
cobra rasteja
passou de repente




    Henrique Pimenta




Por trás da cortina,
o passarinho não vê
que aguardo o seu canto.




  Ivanilton Tristão




folhas caindo
tapete colorido
do meu destino



flores a volta
chega a primavera
a me colorir



um haicai proce
jovem tão primaveril
alma juvenil



Dia memorável
Quinta feira afinal
Tempo canibal



Um haicai proce
Jovem tão primaveril
Alma juvenil




    O Poeta de Meia-Tigela




Psiu

Ao ruído vence-o
mais cedo ou mais tarde o quedo
profundo Silêncio



Om

O universo é Bom.
Seu tom é contínuo, som
que ecoa em mim: Oommmm



Oh! Sábio foi Bashô

Vem Bashô na trilha
estreita: olha acima e "eita"
um haicai lhe brilha



Através se ia

Tão estreita a ponte,
um risco. Cruzá-la, um risco
de um a outro monte



Eis o meu haikai:
Contido porém florido,
Bom (como um bonsai).




    Ajosan




O dia inteiro
Passa ligeiro
— é a vida, companheiro!



calor do verão
sol a pino
vira pimentão o menino




  Analucía




Venha senhor trovão
Só não vá virar o vinho,
Nem deitar o pão ao chão.



O bom da vida
é ser rio,ser mar
Ir indo até chegar.



Medo de tudo
mimosa vai e cura
flor d'alma a vibrar



Sentada, agua
na pedra a ressecar
ao sol, lá só.



Árvore velha
cansada de lá estar
vira os galhos e cai.




    Umav




Pomar de caquis
Podados com cuidado
Sem harakiri



Pérola no ar
Alva reluz e seduz
Quebra-se no mar



Uma sereia
Mar que canta encanta
Traz à areia



Pena flutua
Espada infundada
Jaz fria nua



Fiquei com pena
Com minha pena voei
Caiu poema




  Lenepan




Lua cheia
Tuiuiu de perna fina
Saci Pererê aproveita e assovia.



Rio Paraguai
Camalotes em flor
Cadê o meu remo?




  Silvia Avila




Gotas ao chão
Tudo escurece
Solidão



Vi a pereira
Tive que concordar
Uma noiva ao luar




    Masatoshi Shiraishi




Manhã inspira
balaio de ideias.
Só fruta verde.



Ela diz que sim.
A lua esquisita
é um eclipse



A folha se vai
embarca em qualquer som
rio abaixo.



Flor declarada
o vento puxa da mão
pra se perfumar.



Ao sol das cinco
a sombra da minhoca
surge devagar.




    Wagner Marim




vento de outono
carrega das secas folhas
o tempo passado.



vida que te espera
das flores da primavera
nem é só quimera



a lua descortina
estonteante nas estações:
em qual a mais bela?



pica-pau pinica
na fenda da amendoeira
o suco da vida



o amor desvendara
num indelével inverno
o célebre enigma.




  Francisco Ferreira




Bailado de folhas
Vem do sul a brisa fria
Outono chegando!



Primavera vem.
Multicolorindo os campos
Borboletas mil.



Harmonia de cores.
Espalhando a primavera
Borboletas voam.



Borboletas mil
Multiplicando jardins
São flores aladas.



Sabiás na mata
Vem prenunciando a chuva.
É o verão que chega.




  Betty Mangucci




Contornos negros
num céu laranja
entardecer na estrada



madrugada fria
lua alta brilha
iluminando o jardim



Entardece,
Gaivotas riscam o céu
Flores brancas nascem na mata



Sobras negras
sobre horizonte vermelho
por do sol na cidade



Rumor de fogo
encheu a noite
A colina amanheceu queimada




  CassMarie




Névoa da manhã
Sol nasce sobre o azul
Mediterrâneo



Um mimo vivo
Trevo de quatro folhas
Chance!



A flama brilha
Silêncio da noite
Fascínio da mariposa




    Thiago de Melo Barbosa




nA quinA hÁ bolor
e no estÂmAgo do fungo
A Ácida sAudAde



a chuva cai forte
e os ruídos que sobem
corroem meus olvidos



Da janela do ônibus,
por entre fendas de casas:
um brilhante rio



asinha, asinha
a nina borboleta valsa
e vai-se



Nunca se luta
Com a gota pendida
Na borda de uma telha




    R. B. Côvo




Final de tarde—
as andorinhas pousam
em nossos varais



Dia de chuva—
de um mal me ataco
o desalento




  José Alberto Lopes




manchada de roxo
a serra do mar também
guardando a quaresma.



sábado de aleluia—
os sapatos deste judas
melhores que os meus.



chapinhando a água
o vento da madrugada
brincando com a lua.



cai junto com a flor
a mamangava peluda—
jardim outonal.



noite de outono—
parece disco quebrado
o canto do grilo.




  Kirah




O grito é mudo
o olhar no entanto
Diz tudo!




  Kátia Ribeiro de Oliveira




Ele

encontro. Ele
se foi momento
tá tudo certo



espero. Ele
desterro erro
dilema aceito



ventos sopranos
enganos tantos
turbilhão de sofrimento



flor

imposto ser
falso viver
flores irão morrer...



talvez o hiato
a falta certa
a mata verde e o poeta




  Dalva Sanae Baba




No outono as folhas
Caem e o caminho
Tapete se transforma



No entardecer
O azul celeste
Manchado é pelo arranha-céu



Sou capaz!
Nem moça, nem rapaz
Preciso seguir atrás.




  Erni Pescador




Inverno!
Lenha empilhada,
branquinha de geada.



Eclipse:
A terra esconde a lua,
com ciúmes do sol.




    Danita Cotrim




Dia grisalho
brotos brotam brutos
na ponta do galho



Na chuvosa manhã
Pelo menos a orquídea rosa
Inicia a primavera




  Jorge Guedes




Haicai Junino

Cai não, balão...
vive o sonho:
estrela nova na constelação.



Solistício:
o dia, combalido,
pede à noite armistício.




    Gladston Salles




Flores azuis
no fundo de águas rasas.
Dama-do-lago.



A mãe aflita
diante da incubadora.
Pinguinho de gente.



Sob a névoa fria
o abraço acolhedor.
Corcovado.



Papagaios
no céu nublado.
Saudade da asa delta.



Abro o baú
no porão sombrio.
Ah! Soldadinhos de chumbo.




  Raul Pinto




Arte da coivara:
Sem rogo, na mata, fogo.
Taramela a arara!



Águas de verão.
Piabas, caboclo, acabas!
Viver, viverão!




  Batata




O pássaro voa
Bate contra o vidro
A vida acaba




    Chico Pascoal




O tempo virou
Apressam o passo as saúvas
Onde o guarda-chuva?



Chuva de outono
Folhas secas de momiji
Entopem a calha



Cruzo o viaduto
Recitando o velho mantra
Pronto para o dia



Trovões ribombeiam
Como salvas de canhões
Cachorro se esconde



Triste despedida
Que fazer com esta carta?
Outro origami?




  RôBrusch




A vida é bela
Aprecie a natureza
Abra a janela



Anoitece
Atrás da colina
O sol adormece




  PatriciaBC




Amo primavera
e o seu calor em cor
e o seu botão se abrindo, menino!




  Leonardo Natal




A Brisa Que Sopra
É O Melhor Refresco
Neste Dia Quente



Na Vida Do Pobre
Bebida Amor E Mulher
É O Seu Consolo



Homenagem A Bashô

O Mestre Bashô
O Poeta Em Miniatura
O Pai Do Haicai



Domingo

Comida Farta
Encontro De Família
Domingo Feliz



Cuidado De Mãe

Entra Menino
Você Vai Ficar Doente
Aí No Sereno




    Rafael Medeiros




Lua crescente.
Onde está a outra parte?
Derramou no mar.



Silente,
o Buda cala
mas não consente.




  Anta na Lama




O haikai da drag

"Póc, póc, póc" ouço,
"Pode ser u'a drag...". Viro pra ver:
Um bagual pilchado!




    Ze de Bonifácio




Ploc... E Ploc...
O milho aquecido
Vira pipoca



Sinto no rosto
Um carinho natural
O vento soprou.



Cigarras cantam
Nos grandes arvoredos;
Depois perecem.



Roçando grama
Bem-te-vis e os Tejos;
Caçam insetos.



Coruja voa
Espreitando o rato
Que passeia só.




  Marcos Amorim




em zigue-zague
mosquitos-pólvora pairam
final de tarde



a filha
corre no gramado feliz
foge o sabiá-poca



poeirão
se levanta no caminho
secam meus olhos



cedo no elevador
em rodopios sem nexo
pernilongos aflitos



A vespa atrai
uma cova pelo inseto
ovos na barata




  Renata Paccola




Joaninha caminha
no braço da menina.
Olhar encantado.



Dia do Carteiro —
filhos o aguardam à noite
com festa surpresa.



Sertão nordestino —
mandacaru solitário
enfeita a paisagem.



Janelas fechadas.
Lá fora, uma frente fria
pedindo passagem.



No meio da noite,
um súbito despertar.
Pernilongos a postos.




  Fabiano Vidal




Manhã de inverno,
ouço calado
o vento gelado.



Noite escura,
chuva fina esconde
a lua cheia.



O bambu não cansa,
o ano inteiro
na mesma dança.




    Antonio Cabral Filho




Chove de mansinho,
na manhã de primavera:
Frio tropical.



No baile das flores,
beija-flores fazem festa:
Eis a primavera.



Caminho do mar:
A navalha no meu rosto
corta que nem gelo.



Meninos brincando,
Na cama de gato cai
Quem dorme no ponto.



Na tapera velha
Há digitais nas paredes:
Registros humanos.




    Alexander Pasqual




luzes da cidade —
uma folha de papel
cai não cai na brisa



circulam iPods
nas órbitas do haijin —
balada no bosque



no alto de um cipreste
ave branca contra o sol
recorda o Natal



calor na nuca
sol lá fora me faz
sombra dentro



já águas passadas
a gotejar das marquises —
ecos estivais




  José Ramos Gomes




olhos verdes
no balanço dos mares
pétala da minha vida



a lua ilumina
na roda do chimarrão
o choro do violão



te quiero mucho
pero mucho sabes
como las estelas



o toque do sol
no corpo sedento
ardente mistério



o tempo é curto
a música vai acabar
dança comigo




  Roséli




sol em plenitude
uma rã pula — em versos
barulho de Vida




  Aprendiz




Uma flor desabrocha
para a vida.
Alegria no jardim.



Pássaro curioso
na janela.
Bem-te-vi.



Vejo o tempo
que passa.
Cabelos grisalhos.



O vaga-lume à noite
acende sua luz.
Pisca-pisca.




    Guilherme Damasceno




Cerejeira ao vento —
Samurai repousa espada
p'ra assistir as nuvens



Lareira

O inverno que venha —
Cinzas me falam do frio
pra eu buscar mais lenha



A Lua travessa —
Brincando com os pescadores
crescendo a maré




    Antonio Botelho Focinheira




Navegar é preciso

Se viver não é preciso,
sem lemes ou astrolábios
navego bem em teus lábios.




  Luana Marques




Chegou o verão!
Sob sol e chuva crescem
Sonhos para o ano




  Elnite




Inebria a rua —
perfume de gardênia
É primavera



Perfume no ar —
na rua ao luar
Noite de primavera



Rua perfumada —
pela Dama da Noite
Flor de primavera




  Antonio Malta Mitori




Chuva de Primavera
Só pelo prazer de olhar
A tarde toda



As folhas secas
caem com a ventania
sobre o riacho



Entrada do templo
As flores da sakura
Na cabeça do Buda



Entrada do templo
Os galhos de sakura
na cabeça do Buda



Tarde de inverno
O por-do sol sumiu
em meio a poeira




  Maria do Céu Lopes Heinrich




Noite escura
Estrelas
Pastam no chão...




  Joaquim Pedro




Para Leminski

que dose
cachorro doido
morrer de cirrose



Para Manoel Bandeira

tosse tosse
e arranca todo catarro
do coração



viagem de trem
entre as estações
a primavera



no poste
duas casas de João-de-Barro
rua iluminada



flor na tapera
ruína
produzindo primavera




    Paladino




no relâmpago
movem-se as vozes
do firmamento



as vozes da chuva
emudecem
as cigarras



vozes no brejão
o cururu dos sapos
ecoando noite adentro



o brilho dourado
por detrás das nuvens
seria eldorado?



soluços
um tronco oco
um grilo




  Alx Hard




Ridículo anuncia
Sua diversão
Ressoa Indignação.



Irmãos, poucos
Loucos, santo
Tantos, solo.



Fez barbaria
Achado o caos
Vejo só a mentira.




    Nete Brito




brisa suave:
voejam borboletas
por todo jardim



roupa no varal—
a borboleta pousada
na anágua da vovó



café da tarde—
na mangueira em flor
farra de pardais



gato perdido
dorme sobre o borralho
do velho fogão



zunem as moscas—
em baixo da mangueira
frutos maduros




    Ângelo Amarante




Chuva batendo
No batente
Som dormente



Haicai que dá barato
Recebe, Leminski,
Meu muito obrigado



Saliência rubra
Teu sexo exala
Um cheiro de fruta



Soneticamente falando
Haicaio de quatro
Por você




    Luiz Gustavo Pires




telhado de vidro

parecem ter frio
as andorinhas lá fora
todas juntinhas...



sopro-de-vento:
pardais se agarram
nos fios de luz...



— vestido florido
dançando na noite
a moça é a estrela...



entre flores velhas
o som da abelha
treme flores novas...



são os plátanos
à beira da estrada
— espantalhos?




  Pedro Mutti




Beira de mar, vara, anzol
a pesca refresca na água
pescador queima no sol.



Por do sol no horizonte
pinta o céu de laranja,
para os olhos uma canja.



Barco vai mar adentro
entre ondas revoltas,
será que volta?



É tarde, escurece,
a lua se esforça
mas logo aparece.



A rotina é essa,
dia de nova dieta,
cotinua gordo o poeta.




  Nanû da Silva




No meu Hay kay
A matemática poética
Vira apoética



Vera minha prima
No verão da lua
Primavera



Putoesia
Senti o putoeta
Sua realidade



Primavera-me
Borboleta anarca
Flui sem dizer nada




    Tânia Souza




Haicai VII

Noite de silêncio
Uma moça na janela
Contempla a neblina



Haicai XV

Cinco lobos correm
em noite de lua cheia.
— Uivos na floresta —



Haicai I

Suave crepúsculo
Sol emoldurando o ocaso
O pássaro sonha



Haicai II

Surge a primavera.
Borboleta colorida
Encanta a manhã.



Haicai III

Tuiuiús no ninho.
No calor do pôr do sol
Dorme o pantanal.




  Rosalva




Árvore amiga
enfeita meus cabelos
com flores amarelas



Libélula inocente
cai na boca do sapo
que mora na lagoa



A serra silencia
só se ouve agora
o grito do pardal



Duas andorinhas
uma andorinha
acabou o verão




    Rafael Noris




noite em claro —
pai e filho observam
a lua de outono



lembrança de menino
fazendo cócegas na mão
a cauda do girino



parede do zendô
um mosquito pousa
o tempo voa...



cantam os pássaros
aqui e ali; deito na rede
e começo a roncar



primavera alegre —
a papinha colore
a roupa do bebê.




    Ada Gasparini




Caquinho de Lua
Sorri pra mim lá no céu
retribuo daqui



Um Sol ameno
brotou no entardecer
trouxe um riso



Não sou árvore
Sou um passarinho
João de Barro?



Lua amassada
de bater meu coração
por ela tão branca



Olhei para cima
Vi a boca de palhaça
da lua crescente




    Marba Furtado




Nas frestas das árvores
o sol, a névoa, a poeira —
novo amanhecer



Amanhece em flor
e anoitece pelo chão
— efêmero ipê



Uma folha cai,
mais uma e mais mil e uma.
Era outono, enfim!



A cada minuto
o mundo muda de cor
— é fim de tarde



Frio da manhã
— os pombos aglomerados
parecem mais cinzas




  Se-Gyn




chuva pelo bairro —
luzes da rua telegrafam
papo de fantasmas



chuva intensa —
fila de guarda-chuvas
na saída do templo



chuva de verão —
meu pai busca o horizonte
na fresta da janela



tardinha de março —
carros abrindo estrias
nas ruas alagadas



flores de ingá
sobre o carro molhado —
o verão que finda




  José Carlos de Souza




um dia a casa cai
e nasce dos seus escombros
um novo haikai.



livro fechado
palavras em silêncio
natureza morta.



brilho molhado.
olhos marejados
evocando saudades.



Cantoria infernal.
Os gatos namorando
no fundo do quintal.



Tempestade repentina.
O cheiro de terra molhada
invadindo as narinas.




    Gustavo Felicíssimo




outono ou inverno?
caem as folhas confusas
no seio materno



a cigarra canta
enquanto orquídeas florescem:
cada um na sua



enquanto divago
vai nadando feito um rei
o cisne no lago



o vento de outono
como um pássaro que passa
partiu sem adeus



lá se vão as garças
vão pairando sobre o rio
vão cheias de graça




    Rogério Togashi




Placa de "Proibido"...
No imponente poste de luz
xixi de cachorro.



Sempre lembrando
a cama, o jovem aluno:
segunda de inverno!



Vento na cortina:
Na tarde de inverno
melancólicos haicais.



Segunda-feira:
Não era ainda a primavera,
sono de criança.



Folha branca
sem palavras, sem desenhos —
Frio de agosto.




  Leonilda Alfarrobinha




silêncio profundo —
só o respirar das flores
no sopro da brisa



espantalho ao vento
num campo de girassóis —
pardais sobre os ombros



passeio campestre —
no vestido e nas sandálias
o aroma do mato



um rumor de asas
na vidraça da janela —
vem caindo a noite



na manhã de bruma
os dióspiros vermelhos —
vai nascer o sol




  Calberto




Vejo as cores
Das flores do Amarílis
Chegou o verão



Cheio de sonhos
Atiro na lixeira
Folhinha velha



Bolha de sabão
Colorida e frágil
Como a vida



Também os patos
No pequeno lago
Parecem imóveis



Vejo outra vez
Flores do ipê roxo
Num céu todo azul




  Onofra




No Planalto Central,
as cigarras cantam sangue.
A Justiça dorme.



Uma quaresmeira
roxeia o cerrado.
Dói um coração.




    Nilton Manoel




No verde da praça
a rã salta, salta, salta
e assusta quem passa.



Na estreita calçada
o bípede e o quadrúpede
presos na cordinha.



Sapato furado
em dia de chuva fria,
resfria um coitado.



O piolho arteiro
desconcentra o aluno e a classe
e o mestre reclama.




    Fábio Azevedo (Hyaku Ryuu Kei)




O galo não cantou,
A lua azul ainda brilha,
Inicio o zazen.



O sino acaba de bater,
Chinelos à beira da porta,
Vento, silêncio...



Pardais ciscando,
Pedras enfileiradas.
Alvorada morna...



Shinai em riste,
Pássaros cantando.
Caminho real.



Verão em três linhas,
Ou apenas em uma.
Viver em haicai...




  Paulo Ciriaco




Sol de primavera —
O despertar das flores
É quase um sussurro.



No jardim —
Dando passeio
Vai a borboletinha.



Lua cheia —
Que brilho intenso
E que calafrio.



Dentro do grilo
Um grito verde
Desfolha-se.



A vaidade do pavão
Perfila-se
Entre a primavera.




  Reneu do A. Berni




Haicai de primavera

Logo após a chuva,
a festa dos bem-te-vis—
revoada de insetos.



Haicai de verão

Sobe, faiscando,
o cardume pra nascente—
nova piracema.



Haicai de outono

No clarão da lua,
que pinta o lago de prata,
esse ar de mistério.



Haicai de inverno

A mocinha tímida
abre um sorriso faceiro—
correio elegante.



Haicai de primavera

Uma frente à outra,
floridas sibipirunas
trocam amarelos.




  Otávio Coral




eterno Fuji
realça com sua alvura
a paisagem clássica



festival de cores
e de excitantes sabores:
são frutas do outono



é só um instante:
o beija-flor no ar, sugando
flor de laranjeira



calma dormideira
relaxa em seu verdor:
tocada, se fecha



invadindo a noite
o vento da primavera:
as estrelas brilham




  David Rodrigues




Árvore seca
na floresta úmida
que amor lhe faltou?



Toda a beleza
do muro verde da montanha
traz saudade



A blusa parou
no rego dos teus seios
a mão virtual




    Haruko (Clevane Pessoa de Araújo Lopes)




verão com sol de ouro
—dourado mas inclemente
desidrata folhas.



Excesso de chuvas
a desequilibrar a árvore
raízes se afogam.



beija flor perplexo
sem encontrar umidade
nem no bebedouro...



fruto esturricado,
não pode ficar no galho
romã na calçada...



vento a derrubar
—bem antes da tempestade
cigarras avisam...




  Cumbuka




De flor em flor.
Cada abelha levando
recados de amor.



Pequeno (menino) Haikai

A lagarta virou
uma nova palavra.
Casulo!



Pé de ipê!
Dá dó de varrer
o tapete lilás.



Livre trinado:
—Vreli vrelivre livre
repete o sabiá no fio de luz.



Castelo de Areia:

Seriam as pombas e gaivotas
a corte da princesinha
do quarto crescente?




  Silvio Gargano Junior




Ah, dama da noite
Tempo distante não volta —
Saudade, saudade




  José Marins




bacia da crescente
sobre as folhas da palmeira
côncavo e convexo



guri ajoelhado
lá se vão os três reis magos
de volta à caixa



olhos dos meninos
as luzes do pisca-pisca
se multiplicaram



o véu da cascata
nesta noite de luar
finas gotas frias



quantos pirilampos
posso contar esta noite?
caminho enluarado




    Eder Fogaça




as ondas vêm
e vão para ninguém —
maré outonal



a lua aparece
entre nuvem e outra
o brilho é igual



chuva constante
o guarda-roupa mudou
agora é varal



eu em demasia
não fosse
a poesia



noite de outono —
na companhia da chuva
eu volto pra casa




  Sílvia Rocha




chuva de verão
transito no trânsito
chora coração



outono
mudam folhas
mudam planos



medo no coração
tirito
a mais fria estação



primavera
mergulho na ilha
bela



mãe
matriz
eterna aprendiz




  Rogério Viana




Canta alegre o sabiá
faz folia o bem-te-vi
— natureza assovia



Periquitos na palmeira
nem sobrou coquinho
— vôo sobre o pomar



Com este calor
sapo não vem nadar
— medo de virar rã



Pelo calor de agora
pinhão no inverno
— quente, quentão




    Manu Hawk




selva de pedra
condor solitário
vôo triste



vento na mata
pica-pau se abriga
madeira forte



lua de prata
desejos indecentes
corpos suados de luz



inverno frio
corpos soltos ao luar
ondas quentes



tarde chuvosa
amantes se entregam
opostos se atraem




  Tânia Diniz




no canto da janela
nova linha do horizonte:
o fio da aranha.



vôo dos pássaros!
fio costurando ligeiro
o céu ao mar.



tal nuvem no céu
em tarde de vento forte:
lembranças se vão!



no capim orvalhado
guarda-chuva de renda
a teia de aranha



pintassilgo!
o céu pinta consigo
a cor da manhã.




  Regina Alonso




Canoa ancorada —
no embalo da maré
o vôo da garça



Soleira da porta —
silêncio dos avozinhos
em meio à modorra



Estação de trem —
tantos lenços acenando
em meio à garoa



Súbito no campo
os cavalos em galope —
rajada outonal



Noite já se faz —
nas ruínas da capela
luz de pirilampo




    Miranda




Nas águas do mar
Águas-vivas flutuam
Tranqüilamente ...



Em pleno verão,
Águas-vivas descabeladas
Passeiam pelo mar.



No fundo verde,
jogadores se preparam.
Deu carambola!



Sol, praia cheia,
meninada surfando,
Férias de verão!



O sol já nasceu,
meninada na cama.
Férias de verão!




  Jorge B. Rodríguez




um ária
pesa menos
o ar



barro já seco
por pegadas de sapato
passeiam formigas



sem mar
que gris o sol
do peixe



caem as mangas
no pátio do sonho
talvez em outros



noite de junho
uma sombra e seu cão
urinam bancas




    Fagner Roberto Sitta da Silva




No final da tarde
todos estão apressados —
Chuva se anuncia...



De repente, latidos,
entre as plantas do jardim,
um gatinho aflito.



Manhã de verão —
Plantas no jardim, tombadas,
suplicando sombra.



Bolhas de sabão
perseguidas pela praça —
Crianças sapecas.



A frágil libélula
repousando no capim —
Bailado do vento.




  Neiva Pavesi




Silenciosamente
Sinos badalam na tarde —
Brinco-de-princesa



Balanço de rede
Ao longe um rádio ligado —
Tarde modorrenta



Mensagem no ar
Tributo à minha saudade —
Sabiá-laranjeira



No frescor da sombra
Caldo pelos cotovelos —
Manga madura



No dedão vermelho
Lateja meu coração —
Ferrão de abelha




    Benedita Silva de Azevedo




Maré outonal.
As ondas quebram na areia
Bem devagarinho.



Dia das mães.
Anda solitária na praia
Uma criancinha.



Tarde brumosa.
Bondinho do Pão de açúcar
Fica invisível.



Sobre o mar do Anil
Despedida de andorinhas —
O céu escurece.



Fiéis se reúnem
Durante a Semana Santa —
Os terços balançam.




    Luciana Bortoletto




siriris batendo
na lanterna de papel
barulho de chuva



Muda
na terra úmida
aterra muda



prosa de chuva
deságua em trova
trêmulo trovão



Primavera
prima-flor desabrocha
obra-prima



Pequena flor
Sol contido na cor
Ipê amarelo




    Carlos Martins




Passando o Ano Novo
com minha filha, na estrada —
mochilão nas costas



Nunca fui tão pai —
um sorvete de pavê
para dois sorrisos.



Chuva de verão —
o cheiro de terra quente
abafando a tarde.



O som do aguaceiro
nas folhas da bananeira —
de prender o fôlego.



Dez mangas enormes
numa árvore de dois metros —
santa terra esta!




    Antônio Seixas




À beira da estrada,
o casal tirando fotos
do arrozal de outono.



Noitinha de outono —
Da varanda vê-se a rua
ficando vazia.



Final do desfile —
O mestre-sala esperando
por uma carona.



Exames Finais.
O suor de minha mão
manchando o papel.



Passeio de Férias.
No menu do restaurante,
atum com salada.




  Camila Jabur




Tarde de outono
Perseguindo folhas ao vento
O gato dançarino



Estrada de pó
A casa pobre
Desabrocha em flores



Pátio vazio
A cantiga das crianças
Ainda soa ao sol



Chama da vela
A noite acende
Um céu de dentro



Fim do dia
O velho e a árvore
Trocam silêncios




  Alberto Murata




Preenchendo o vazio
das tardes intermináveis,
a cigarra canta.



Pede ajuda ao vento
pra abanar sua roupa velha
esperto espantalho.



Na ronda da morte,
sobrevoando a densa mata,
sinistro urubu.



Alta madrugada,
sabiá boêmio entoa
um lânguido canto.



Obreiras formigas,
transportando mantimentos,
à casa retornam.




    Marcio Luiz Miotto (Pitu)




caminho por letras
aqui dentro uma tese
e lá, borboletas



pingos roxos
em meio às águas verdes
pétalas de ipê



uma folha cai
o chão cheio de folhas
o vento distrai




  Neide Rocha Portugal




Nesse fim de mundo
Um girassol solitário —
A quem marca as horas?




    Marcelino Lima (Suzumê)




Vaga-lume no quarto ­
Não fosse só de passagem,
apagaria o abajur.



Primeiro no morro,
depois onde tomo brisa —
cai a noite na vila.



Velho no farol
vendendo buquês de rosa ­
O sorriso é brinde.



O gato se estica,
boceja, retoma o sono ­
Assim vai o domingo!



Noite de saudades ­
de tanto acarinhá-la,
já desbota a foto.




    Regina Bostulim




Lótus

lágrima entre sobrancelhas
a pinta negra em kajal hindu
pérola



Encostas do Rio Dong

nunca mais
mergulharei em tuas águas
ó cios do Indizível



Pontes de Wang Ho

com as cheias
as águas
vão subir



Chuvas no Golfo de Sião

tentando os deuses
se esconderam para além
do oceano de jade



Baía de Ha-Long

gota d'água
perdida
no oceano de jade




  Valdir Peyceré




meus hai-kais:
lápis caídos
de um estojo frágil



tarde chuvosa:
a cidade absorve
luzes cinzas e água



café-da-manhã,
bem-te-vis gritando:
que bom acordar!



litoral sul:
pescadores, cães
e dias preguiçosos



no vaso,
margaridas amarelas
no dia de Reis




  Lena Jesus Ponte




O Tempo cochila
em tardes quentes de sol
no banco da praça.



Árvore curvada
tentando catar folhinhas
caídas no chão.



Cena oriental:
uma palhoça medita
no meio do pasto.



Pegadas na areia.
Natural fotografia
de vidas em trânsito.



Palmeiras vassalas
abanam com verdes leques
o Tempo que passa.




    Sérgio Francisco Pichorim




Flores no jardim.
Uma abelha pousa aqui
e depois se vai.



No colo da mãe,
Sem soltar o cata-vento,
Dorme a menina.



No rio, o barqueiro
sem lanterna ou farol.
Somente o luar.



Fenece o outono.
Recordo meu velho pai.
Caem folhas e lágrimas.



A cerejeira
cor de rosa florida
ficando verde.




  Alexandre Brito




aquela estrela
ali tão pequenininha
mas como brilha!



foi-se o verão
entre folhas secas
uma borboleta



primeiro dia de outono
tomo aquela rua
ou não tomo



panela velha
no avarandado novo
vaso de avencas



depois de horas
nenhum instante
como agora




  João Angelo Salvadori




conversa de adultos
debaixo da mesa
adormeço entre brinquedos



faróis desligados
os namorados
e a Via Láctea



alvorada insone
os pensamentos enevoados
e a névoa da manhã



o tempo ainda não passou
canta no galho mais alto
o sabiá-laranjeira



chuva de domingo
muito fraca
caminho entre os pingos




  Joca Reiners Terron




aceita
o vôo é o leito
da borboleta



a lua de langerie
ao longe
ri de mim



a chuva me cai
como uma luva
me OH!rvalha




  Ronaldo Bomfim




Arco-íris no céu,
chega ao fim o temporal:
tobogã de gnomos.



Lua refletida
na superfície do lago:
retrato da noite.



Agarrada à folha
a formiga com firmeza
desliza na brisa.



No céu da floresta
os pirilampos se acendem:
desce a Via Láctea.



Papagaio no ar:
um braço feliz de criança
a brincar nas nuvens.




  Carlos Seabra




ave calada —
ninho em silêncio
na madrugada



espiral de sol —
luz nas frestas da
escada em caracol



ágil pivete
brinca como se fosse
zero zero sete



sossego acaba —
chegou a pamonha
de Piracicaba



trigo dourado
pelas mão do vento
é penteado




  Kiyomi




Veloz bicicleta
No rigoroso inverno
Ficou esquecida



Tempo imprevisível
Me pegou desprevenido
Que frio congelante!



Mata devastada
Vence a luta pela vida
Cachos do Ipê roxo




  Ricardo Silvestrin




velhinha na janela
todo mundo que passa
é visita pra ela



no mesmo galho
uma formiga a passeio
outra a trabalho



longa conversa
um grilo termina
o outro começa



instante do passarinho
fui olhar
fiquei sozinho



o sol faz o que deve
nasce no Japão
morre em Porto Alegre




  Antônio Cristino




Sol de meio-dia
um girassol telescópico
circunavegando



Um pardal tal qual
beija-flor, sorvendo no ar
tanajuras em flor



Na teia de aranha
as gotículas de orvalho
aprisionadas



Vento sudoeste
os barcos na tempestade
castelos de areia



Solo de cigarra,
no fim da tarde, é núncio
de a hora do ângelus




  Luiz Bacellar




Se o laço do obi
voasse ao ikebana.
Borboleta azul?



Formigas na porta
carregam o corpo
da cigarra morta.



Se mira na poça
de lama do pátio
a lua vaidosa



Choveu de manhã:
as lagartas abrem trilhas
na folha de urtiga



Como um prisioneiro
a lua me espia pelas
grades do banheiro




  Rosana Hermann




Ameixa preta
quando ainda está verde
fica vermelha ...



o infinito
em meus versos medidos
enfim, contido



o vento sopra
cabelos esvoaçam
momentos passam



Nada havia ali
na verde via, nada
a ver, havia.




  Rodrigo de Souza Leão




enamoradas...
as nuvens cinzentas
apagam o sol...




  Claudio Daniel




dia após dor
após dia, luz após
dor após lua



o tempo? viagem
do pó ao pó — os pés,
os paus e pedras



a lagarta
olha no espelho
a mariposa



praia de corais
— mulheres de água,
peixes de luz



esse canto
é azul, azul, azul
quase branco




  Mailde Tripoli




Flores no jardim,
Jabuticabas no quintal!
Eis a primavera.




  Lubell




Visitas na sala
Homem muito gordo senta
A cadeira estala



Franchetti

Toma nota, rapaz:
Hai-kai é a captura
De um momento fugaz



Barulho

Barulho d'água
Mulher no tanque
Ensaboa e enxágua



Cascavel enrodilhada
Desmente a paz prometida
Nos gorgeios da alvorada.



No auge do verão
Rã saltou na cacimba
Silêncio no sertão




  Elson Fróes




Sol no templo
solto o tempo
só contemplo



A grama diz
o que o vento diz
o indizível bis




  Eduardo Balduino




Tarde de outono —
Assustada a coruja
Acorda com o trovão



Inverno no cerrado —
O vento seco trinca
O pé descalço



Flor do cerrado —
Na primavera seca
Só o ipê floresce



verão candango
o amor da menina
jorra do selim



o outono é ela
a folha que cai
sou eu




  Douglas Eden Brotto




dissolve-se a névoa
no socavão da montanha...
dormitam cavalos



um raio de sol
transluz — balança a cortina...
borboleta amarela!



na fímbria das ondas
um caranguejinho aflito
agitando as patas!



outono... insone
na tela da cortina assisto
teatro de sombras!



Noite de Ano-Novo!
velho avô traz o champagne
mas dorme antes da hora...




    Anibal Beça




Abro o armário e vejo
nos sapatos meus caminhos —
Qual virá comigo?



Noitinha na várzea —
Com a lua na garupa
búfalos regressam.



Seis hora da tarde —
Sons de cigarras prolongam
os sinos do templo.



Quase desperdício —
Moscas sobre caquis podres
só o sapo as come.



Sol no girassol —
Sombra desenha outra flor
no corpo dourado.




  Saint-Clair Cavenaghi




no frio da água, de manhã,
pálido tremor,
outono no corpo.



aviso dos deuses,
fartos, felizes,
florida paineira.



de verde encolhido,
outonal silêncio 
de lourinhos calados.



gotejar sem chuva
no jardim oculto
brumas de abril.




  Yá-Yá




desfaz-se, inútil,
velho ninho de pássaros...
ao vento — vazio...



planando no azul,
acima de tudo, calmas,
nuvens de outono...



dedinho rechonchudo
aponta ao céu a criança...
estrela cadente!



sorriso de mãe
a primeira flor-de-maio
abre-se enfim...



nas folhas verdes
novo fruto na mangueira...
ah!... maritaca...




  Rodrigo Vieira Ribeiro




O amanhecer,
Só cinco folhas douradas
No topo da Árvore



Dentro do mato
o meu carro amassado
e o silêncio...



Nesta manhã fria
o outro lado da rua
A neblina encobriu



mulher, edredom
e barriga crescente
lá no sofá



Escorre o sol
Salgando meus lábios
Passo a passo




  Zemaria Pinto




o pouso silente
da borboleta de seda
celebra a manhã



decifrando códigos
o barco atravessa a tarde
na pele do tempo



dissolve-se a tarde
no alarido das araras
e em flocos de chumbo



o sapo, num salto
cresce ao lume do crepúsculo
buscando a manhã



caminhos cumpridos
repousam sobre meu peito
teus pés minerais




  José Carlos Capinan




Tempos kamikases
As bombas de Oklahoma
São karmas de Nagasaki



Não sei tirar tua blusa
Mas quando meu sonho te despe
Tiro hábil tua pele




  Alonso Alvarez




um pescador remando
o mar rimando
alguém admirando




  Leila Míccolis




A abelha tristonha
— fauna e flora devastadas —
produz mel amargo.




  Uhracy Faustino




Os meus sentimentos
como origami no arame
sempre em movimento




  Mak




eu te amo tanto
que só um pranto
acaba o encanto




  Marland




com seu espanto
meu coração deu um salto
e virou pranto



não é você
que na enorme vaga
navega magra?



sopro na orelha
você olhou assustada
a cara do nada



umidade de orvalho
na folha verde da manhã
brilho de sol nas gotas



passos de pássaro
no telhado lá de casa
embalam sonhos




  Rosa S. Clement




crianças no zôo —
animais as observam
andando em voltas



filas de coqueiros
na estrada deserta —
curvados ao mar...



o canto dos sapos
era nossa canção de ninar;
fim de inverno



folhas voando —
minha avó sempre fazia
previsões de chuvas



libélula voando
pousando devagar
na blusa amarela




    Seadog




a volta ao lar
inquieta serenidade
parece que foi ontem



vaga lembrança
a neve nas têmporas
ai! — o tempo — ai!



vento de verão
seu sorriso ausente
sigo a poeira



olhar oblíquo
lua enevoada
sem mistério



ah! kioto

no rio
(cada vez mais)
sinto saudades do rio




  Mary




Na flor premiada
Uma mutuca agitada
Disputa olhares.



Frondosa mangueira
Sua florada antecipa
Sabor da manga.



Sementes na terra
Lutam pela sobrevivência
Pássaros e homens.



Ranger do portão
Cala o grilo, late o cão
Desconcentra o poeta.




  Soares Feitosa




As mãos conchadas de pegar,
mas o pássaro,
mais leve, voa!



País dos gatos

Rastros de vento,
escuridão de brasas,
um salto suave.



Pra que respirar?
posso ouvi-la, fremindo,
maciez de noite.



Sou doido por gatas:
Xande comeu o canário;
amados os dois.



As garras da morte,
um afligido transbordo
nas plumas da mãe




  Rodrigo de Almeida Siqueira




Quase escondida
entre a casca e o tronco
teia de aranha.



Leve brisa
aranha na bananeira
costura uma folha.



Sopra o vento
Segura-te borboleta!
Na pétala da flor.



Rio seco
silêncio sob a ponte
apenas o vento.




  Paulo Franchetti




Alto da serra —
Passa sobre a terra arada
A sombra das nuvens.



Na tarde abafada,
Só a voz de uma galinha
Que botou um ovo.



Um grande silêncio —
Nuvens escuras se acumulam
Sobre a terra seca.



O pássaro responde
Ao ruído da janela —
Tem chovido tanto...



Manhã de frio —
Apoiado num só pé
O papagaio dorme.




8 de janeiro de 2017

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