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Quantas lembranças,
me vem à tona agora.
Flores de cerejeiras.
Ouço os gritos,
a molecada corre.
Época de pipa.
Vento
circo outonal
reviravoltas no ar
folhas ao vento
Outono já é
Vou tomar chá de sachê
A tarde feliz
Se põe o Sol e vem a Lua
Se vai a Lua
É vem o Sol!
Domingo de sol
indo ao passeio
o caracol.
Pau, pedra, espinho...
para a formiga
tudo é caminho.
Outono...
o vento abre a porta,
entra a folha morta.
Silêncio imenso...
tudo parece ouvir
o que eu penso.
Oração a Bashô
Ó, Bashô! Nos perdoai
por tudo o que f!z&mo$
com o haicai!
Cachorro Louco
Corre, pula, late e baba
Por um osso
Dia - Dia
acredito em viver
vendo em você
alegria florescer
cotidiano
mulher arruma sala
homem olhando.
noite escura
pássaro-preto pia
nada se vê.
noite de verão
rua movimentada
triste solidão.
três horas em pé
sob um sol escaldante
água de nascente.
pilão antigo
pasta de amendoim
olhar guloso.
Estações
A tempestade
moto serra árvores
nem é inverno
Verão
A queresmeira
flora global borra
de roxo o verão
Outono
Outro dia da ave
sabiá o símbolo
canto do Brasil
A manhã desperta.
Junto com o Sol, a Lua Nova
Se posiciona.
Cueira do gaúcho,
A cabaça é paixão
De norte a sul
Da costa rochosa
Grande saltão desentoca:
Fim para as sardinhas!
Uma flor rara e nobre,
Rainha do litoral:
É a laelia purpurata.
nasce uma flor branca
no meio do vaso
enfeitando a planta
calçam o caminho
debaixo do meu pé
pedras de São Tomé
janela anti-ruído
a pureza do silêncio
acalma meu ouvido
Chega a manhã
Flor a se espreguiçar
É época de primavera.
Medo
Atenta observo
Tremem-me as pernas
Filme de terror.
Primavera
Chão de retalhos
Vento forte
É época de primavera.
Silêncio...
Com um ar de haicai
Calou-se
Árvores em espiral
uivo de lobo-guará
esse é o cerrado.
Em cidade grande
única estrela no céu
helicóptero.
o som da chuva
se difunde
quando se debate no chão.
Late o cachorro
a campainha toca
tem gente chegando.
Libélula
Regato tranqüilo
a libélula chega
e lava os pés
Campina
No céu da campina
As nuvens passam ligeiras
No pasto as ovelhas calmas
Susto
Um susto gelado:
A perereca num salto
me beija no braço
Guerra
Vidro quebrado
Criança olhando
estamos em guerra
Espanto
Vidro quebrado
Cranças espantada
primeiro tiro
Armadilha:
no mar infinito,
penha na quilha.
Após temporal,
sabiá corta o silêncio.
Samurai sonoro.
No verde da praça
a rã salta, salta, salta
e assusta quem passa.
Na estreita calçada
o bípede e o quadrúpede
presos na cordinha.
Sapato furado
em dia de chuva fria,
resfria um coitado.
O piolho arteiro
desconcentra o aluno e a classe
e o mestre reclama.
Outono
matizes de cores
colcha de retalhos
a natureza tece.
A flor da laranjeira
perfumou o cair da tarde,
setembro chegou
Andorinha, nuvem
borboleta, da relva
fito o céu
Escrever não é revelar-se
É dar um pouquinho
Do que está além da compreensão
Passou a chuva
passeio no parque
encontro o menino da cidade
sentimento suave
um sorriso tímido
amor de crianças
algodão doce
nuvem e brisa
de repente um beijo
atrás da árvore
as testemunhas
risos infantis
São Paulo
No céu poluído,
Estarei debaixo em breve,
Vou fazer ruído.
Esfomeado
Durmo na banqueta,
Sovinam-me numa esquina
Migalha cuspida.
Garota Programada
Na pista molhada
Coagida com antiincêndio
Perdeu o pão diário
Elo quebrado
Engavetou com dor
Sua aliança mareada,
Trancou o noivado
Noite infernal
pernilongos em bando
sugam meu sono.
A lua olha o gato
que mansamente passeia
pelo telhado.
Lá está, no chão
a alma seguiu a luz
o corpo, nem dói.
tarde preguiçosa
de um feriado de Outubro
balanço na rede
manhã na floresta
ouvindo o canto dos pássaros
passeio nas trilhas
para ver os peixes
em passeios matinais
jangadas ao mar
na praça florida
ouço o gorgeio das aves
primaveris encantos
no bosque da escola
crianças brincam felizes
festejam o Sol
Vésper
Havia você,
sem alarde e sem a tarde,
sol de macramê
Manhã
Manhã na montanha:
e então o sol sai do chão,
silente, e me apanha.
Gira
Gira, girassol
gira em mim sua mentira
de ser gira e sol.
Reconhecimento
A rua se banha.
Lá fora, a chuva de agora
nunca foi estranha
Provérbio
Qualquer andorinha
capaz de fazer, desfaz
seu verão, sozinha.
A Moça de botas
Distante olha o trem
Que parte e vem
Das Folhas Secas
O Obeso pisa
Cream crack no chão
Pingo de chuva
É chuva
É amor molhando-lhe
Com chapéu no mormaço
Passo o braço e abraço
A moça que passa
Lua brilhante
No céu suspenso
Sorriso minguante
Chuva de ontem
Pequenos lagos refletem
Nuvens derradeiras
Caqui pra mim
Folhas amarelas
O outono para elas
Manhã fria
Bolinhos de chuva
Como minhã mãe fazia
Amanhece em silêncio
O som em meus ouvidos
Da brisa que me tocou
Através do oxigênio
Ele vai encandecendo
e reluzindo.
Num pavio ele permanece,
com vela de cera ele se
faz presente, é o fogo!
manhã de neblina
agora é branco
o verde da colina
violetas à mesa
brasas azuis
violenta beleza
fim de partida
o vento move
a bola esquecida
xadrez a três
o sopro do vento
derruba os dois reis
leve desliza
a folha no lago
barco de formigas
Claras manhãs
o sol luzindo os grãos
maduros da romã
Passeio esquisito
de mãos dadas
a pulga e o mosquito
Precipitado
suicidou-se
o enforcado
Noites urbanas
luzes de neon
dúvidas urbanas
Pingos sólidos no varal
vidraça embaçada
bule de chá
o trem some na curva
meus olhos ficam
claro luar n’alma
junto à dureza da pedra
like a rolling stone
arranha o céu
cadente brevilínea
tampouco estrela
ramagens desta mata
um ouvir cristalino, fio
d’água serenascente
Volteios de onda
por onda: nas pedras
Outronda!
sol penso indolor
oxidar toda cor, outra luz
de sentido o que fica
Ela disse: ai
O menino pede: vem
Doce fruta cai.
Triste a liberdade
Em uma gaiola canta
Voejando em sons.
Pezinhos descalços
Pelas estradas da terra
Como estão cansados!
I
Os gatos miando
Cobiçam a linda lua
Rindo diz: sou tua.
II
Ver os pirilampos
Divagando com seus lumes
Em torno dos campos.
Manhã fria de verão
Cheiro de flor
Um triste olhar!
Acordar com um bolo
Alegria maravilhosa
Abraço apertado!
Brincadeira alegre
Chuva cai na rua
Um chamado se ouve!
No forno um abacate
Chega a surpresa
Olhar encantado!
Uma cama desarrumada
Bidê e rádio
Sonhos profundos!
O galo não cantou,
A lua azul ainda brilha,
Inicio o zazen.
O sino acaba de bater,
Chinelos à beira da porta,
Vento, silêncio...
Pardais ciscando,
Pedras enfileiradas.
Alvorada morna...
Shinai em riste,
Pássaros cantando.
Caminho real.
Verão em três linhas,
Ou apenas em uma.
Viver em haicai...
A brisa:
Sorriso que vem
Dançar as flores.
A sobra do boi
Acolhe-se no
Crepúsculo ruminando estrelas.
Na ausência dos pássaros,
As árvores
Declinam-se na morte.
Passada a chuva,
o céu descansa
nas poças.
Noite fria:
os postes iluminam
o silêncio da rua.
O céu azul
é uma imensidão
sozinha.
O vento passa:
as saias das mulheres
são bandeiras.
As árvores da infância,
antes pequenas,
confrontam o céu.
Mosca
Uma mosca adeja
Um homem ali no meio
Que descanse em paz
Noturno I
Uma noite, sem sono
Um vulto ilumina o quarto
Anunciando o dia
Após o dilúvio
sol ilumina
o arco-íris
boiando no mar
presas nas árvores
serpentes e enguias
trocam olhares
com os espantalhos
ando
pássaro-a-pássaro
manhã otimista
os chuchus são casulos
as larvas niilistas
sonho em segredo
sozinha na terra quente
patina no gelo
Da flor branquinha
Nasce a negra bolinha
Doce jabuticaba
Somem as estrelas
Solitariamente fica
Lua cheia
Tarde muito fria
Chá de maçã e canela
Carinho de mãe
Filhotes e ninhos
Frutas quase maduras
É Primavera
Na árvore folhosa
Travestido de rubi
Vemos o caqui
hai
kai
183
O monge
antevendo a chuva
cultiva a sede
No início da chuva
uma das portas se fecha
sopra a ventania.
No meio do campo
Girassóis iluminados
entre um arco-íris.
Cestas com espigas
homens trabalham na terra
Na tela do pintor.
Nuvens passageiras
águas lavam os calçados
Luar na lagoa.
Vaga-lumes voam
giram círculos no lago
Dezenas de luzes...
Em uma arandela
o luzir quente sem voltas
Mariposas mortas.
Noite gelada
Gente feliz
Vinho na mesa
Noite fria
Inverno que chega
Gripe danada
Enquanto a contemplo
Pequenos defeitos são
Traços de requinte.
Viagem de trem
Companhia especial
Sorrisos ao acaso
A sublime arte:
Progenitores prodígios
Geram a obra-prima
Massacre das pétalas...
"Bem me quer ou mal me quer?"
Simples: mal as faz.
Uma folha em branco
Muita coisa pra dizer
Haicai de três versos
Vento sem Tempo
pedra parada
minhoca enterrada.
Criança brincando,
tarde sem fim
mas que sono danado!
Passarinho foi
gestos ao vento
a sombra cala
calor de julho
engana o inverno:
ipê florido.
chuva de viés
afia lâmina
do capim-cidró.
crepúsculo:
dentes de sombra
mastigam o dia.
o sol descortina
a manhã em colorido
deslumbramento.
Borboletas vão
Sob o frio da tarde
aladas flores.
No céu brilhante
nuvens abrem clareiras
o sol vai passar.
Recatada lua
vermelha, atrás do sol
eclipsou-se.
Esguia Araucária
Iluminada de lua
Teatro de sombras.
Eu que bebo
e o mar que acorda
de ressaca!
Sereia
Corro o risco
arrisco, risco
um verso na areia
Na cabeça do poeta
um problema
vira poema
Tu o mote; Eu a glosa
Há quem suporte?
Eu o verso; Tu a prosa
O sol por testemunha
um gato agarra
a vida a unha
Crepúsculo rubro.
Lua e Sol quase se tocam
neste céu de outono.
Gotas de orvalho
molhando a flor e a avezinha.
Fresca madrugada.
A estrela cadente
e o meu pedido-relâmpago.
Segredos no céu.
Flores da paineira.
No parque, o casal velhinho
de mãos enlaçadas.
Formiguinhas mil
no mármore da pia
uma correria...
Dia cinzento
Sol de outono
Noite ao relento
Ontem, ventania
Hoje, a brisa leve
A manhã é breve...
A luz do raio
longe no horizonte
perto da ponte
Lua minguante
Janela aberta
vôo rasante
outono?
folhas cobrindo o chão
sob os pés sujos... jornal velho
ao pôr-do-sol
luz ardente
bronzeia o mar
listras negras
garras de pelúcia
tigres-de-sumatra
Sobre pêlos macios
Uma dança de sangue
Tigres-de-Sumatra
Despenca criança
No saguão do shopping
Brinquedo mortal
Explode solitária
Na pia
A gota, ploft.
I
Pedaços do sol
À boca da noite
Longe do céu.
II
Cai elástica
Por cima
Do dia a noite.
III
Nuvens
Tapetes voadores
No céu
IV
Como jibóia
Engolia a cidade
a neblina.
mantos vermelhos
longos cabelos
brando olhar
um pingente coração
no pescoço vem mostrar
que eu nasci para amar
nas faixas judô
nas fitas balé
tigres de sumatra
nas patas nas listras
o preto no branco
tigres brincando
mãos no coração
cabeça a pensar
inspiração no ar
Beija-flor agita
asinhas pra lá e pra cá
Dança de primavera!
Algazarra no céu
Maitacas sobrevoam
projetos de ninho.
Primavera chega
com todas as flores sorrindo
para outra flor...
Mais um pouquinho...
Ah, que saudades do frio!
A vida continua...
todo dia frio,
mas o coração quente.
saudade...
Cedo, o rouxinol
ensaia um canto bonito
pra saudar o sol.
Vendo pouca fé,
a esperança não desce
pela chaminé.
Abanam os rabos:
o cachorro, de contente;
o gato, de brabo.
Saudade: quintais
com sabiás-laranjeira
que cantavam mais.
Vai passando um rio,
murmurando pras barrancas
seu andar macio.
Azul e escuro
Estrelado e radiante
Brilho contemplante
Pontos brilhantes
da longa estrada
esperança da chegada
Braços ao ar
Grito de medo
brinquedo da morte
Santo Apollinário,
Deus gótico do Sol.
Solstício de Verão.
Lua cheia
Tua Meia
Meia Lua.
O meu pensamento
Quando vai até você
Não quer mais voltar!
Minhas asas doem!
Mas sou um inseto
Que sabe cantar.
Só não sei
rasgar o que sou
sem ferir
Nunca olhei
para
dentro de mim
não teve êxito
ao hesitar
o êxtase
Suave pousar
No galho bem frágil
leveza de garça
De repente o apagão
Vagalumes atraem
Curiosos olhares.
Noite de luar
Minha solidão
No chão se reflete.
Brinca de esconder
pelas frestas da cortina
lua de primavera.
Mensagem colorida
Passa bolha de sabão
Deixando saudades.
hai cai saudade
na alegria do contato
lágrimas furtivas
na água-furtada dos rostos
hai cai rancor
nosso amor catastrófico:
um vulcão findado
em seus fogos e artifícios
haicai em contração
eu tô transando cabete
ela sai comigo
dois tiro acabo com ele
Ao próprio velório
Não compareceu o fantasma
Alérgico a flores.
Deixem que apareça a lua
Pra benzer a chuva
Novo casamento.
Regando o jardim,
Eu faço deste pedaço
Mosaicos de mim.
Em ti gostaria
De escrever sem tinta, ousando
Umas cem carícias.
Ganhou-me a gravura
De sentida chuva mais
Um pingo por sobre.
Diante de mim
doce flor no pessegueiro:
crescem as saudades
Por entre bambus
a leve brisa se move
e desperta o córrego
O sol outonal
laminando a tosca mesa
expõe suas nervuras
Apenas silêncio:
nuvens bailando no céu
olhares perdidos
Os pingos de orvalho
molhham as cores do plátano:
úmida beleza
Chá no frio sem dó
O que nos pode aquecer
Mais que o tenro amor?
O navio partindo,
Pisada a areia da praia
Mais por minhas lágrimas.
Eu me visitando
Uma borboleta azul
Por sobre meu túmulo.
Quantas de você
Não fez minha tenra infância?
Bolhas de sabão.
Um sino budista
Na placidez do meu chá
Bulindo, me chama.
Árvore seca
na floresta úmida
que amor lhe faltou?
Toda a beleza
do muro verde da montanha
traz saudade
A blusa parou
no rego dos teus seios
a mão virtual
As folhas mortas
pousam sobre águas do
sereno lago.
No cemitério
procissão de formigas,
segue a vida.
As borboletas
poesias concretas
voam etéreas.
Pássaro bica
fruta madura caída
quase perdida.
Nuvem negra
gafanhotos voam
adeus milharal.
Na face paisagem
os caminhos traçam rugas
miragens da vida
Lamento secular
no manso correr do riacho
polindo pedras
Adormeci versos
arcordei rasgando rimas
entre a pena e o papel
Chuva no telhado
tem rufar tamborilado
cantiga de ninar
O pássaro preso
na linha do horizonte
em asas brilhantes
Flores ao vento,
O pássaro voando
Floresta virgem.
borboleta amarela
espatifada no chão
cumpriu sua missão?
respeito o silêncio...
quisera calar o pensamento.
existir, exige espera.
haikais para depois das chuvas
Do ovo da manhã
rompe a casca a ave amarela
que se chama sol...
Ontem, todas águas
encharcaram terras, ossos,
pela manhã, o sol...
passarada ao sol
pela estiagem, dançam, cantam
e procuram grãos...
saboreio o sol
desvisto meus agasalhos
luz cobre a alma e a pele...
após muita chuva
brotam haicais quais raios de sol
poesia seca as águas...
Outono vem vindo.
Folhas folhas e folhas
caindo caindo.
Noite sem vida
O ceu é só um velho
com testa franzida
No varal do quintal.
O casamento de raposa
molhou um enxoval.
Gata malhada.
De tanto deitar e dormir
Virou almofada.
Ano novo.
A lua brilha bailando
no reino das carpas.
Corrente dos ventos
barulho na floresta
folhas ao chão.
O canto dos rouxinóis
entre a paisagem colorida
lindas flores!
Belo oceano Azul
o espelho refletindo
um límpido Céu.
Flor de cerejeira
de beleza iluminada
ofusca os olhos.
Imensa colméia
Abelhas namoram
pote de geléia.
Range o portal
Vento de outono
ou vendaval?
Uma pandorga
singrando o céu
Ave de papel.
Noite tranquila
Mariposas em torno
da lamparina.
A redonda lua
clareia ponta à ponta
a comprida rua.
Dia ensolarado
borboletas coloridas
voam no jardim.
Chuva de verão
barquinhos de papel seguem
enxurrada abaixo.
Colheita de arroz;
deixando marcas no chão
prossegue o trator.
Arbusto de hibisco
suavemente balança
filhote de pássaro.
Sobre o calçadão
hora de verão estende
mesas e cadeiras.
Duas verdes palmeiras
as folhas lá bem no alto
namorando o vento.
No cálice o rosto:
afoga a mágoa no vinho
a mulher da vida.
Vinho branco seco
até o peixe cai na rede
da taça cristal.
Reflexo no vidro:
sobre a igreja alta a cruz
jaz no olhar do gato.
Conta
história, matemática
2+2 é mil
menos eu, é zero!
Vagões Frios
ninguém a espera na estação
e o inverno passa,
Beatriz!
mantro de perto
pelos monges
de longe!
de Sus
morreu
o Tô, amigo meu!
Bom Dia!
Dona do dia...
Noite e dia!
Sintonia vem
velejam maresia
vibra montanha
Domingo de sol
vento traz notícias
leva as minhas
Grama úmida
movimento devagar
rãzinha verde
Na poça d'água
passarinhos se banham
beija-flor beija
Noite escura
carro de boi rangendo
melancolia
Singelo
Borboleta pousada
no ovo de louça...
Doce sacada!
Diamantina
Sol das Almas
no Espinhaço:
dourado presépio.
Angelous
seis da tarde
celebra o barroco
o repicar dos sinos.
Azul no céu
de Abril
O inverno já vai chegar.
Via Crucis
Percorridos
teu corpe e tua alma
via crucis do amor
Ah, dama da noite
Tempo distante não volta
Saudade, saudade
bacia da crescente
sobre as folhas da palmeira
côncavo e convexo
guri ajoelhado
lá se vão os três reis magos
de volta à caixa
olhos dos meninos
as luzes do pisca-pisca
se multiplicaram
o véu da cascata
nesta noite de luar
finas gotas frias
quantos pirilampos
posso contar esta noite?
caminho enluarado
as ondas vêm
e vão para ninguém
maré outonal
a lua aparece
entre nuvem e outra
o brilho é igual
chuva constante
o guarda-roupa mudou
agora é varal
eu em demasia
não fosse
a poesia
noite de outono
na companhia da chuva
eu volto pra casa
Hai-kai
mais Um
corrupto!
céu lama ar
tempestades
aquecimento global
samba depois do carnaval
Flamengo!
sensacional
os seios na mão
o sexo no chão
perdão!
O Papa Vem Ao Brasil
cores anil azul
perdidas mil
chuva de verão
transito no trânsito
chora coração
outono
mudam folhas
mudam planos
medo no coração
tirito
a mais fria estação
primavera
mergulho na ilha
bela
mãe
matriz
eterna aprendiz
Canta alegre o sabiá
faz folia o bem-te-vi
natureza assovia
Periquitos na palmeira
nem sobrou coquinho
vôo sobre o pomar
Com este calor
sapo não vem nadar
medo de virar rã
Pelo calor de agora
pinhão no inverno
quente, quentão
Sobre o campo verde
odor de Capim Molhado
durmo sossegado.
Cantou o grilo
chuva passageira
sonho longínquo.
Um ser noturno:
Debaixo da capa
ele guarda o escuro.
No ninho
três mafagafinhos:
trocando letras.
Um corrego, um poço,
batráquio num salto:
tibungo! momento bashô.
Silêncio na caixinha
dentro, dormindo,
a bailarina de sainha.
cheiro de floresta
um duende dormiu aqui
há folhas sobre a cama
Outono
Folha seguindo
num lago de outono.
Dança suave...
Outono
Folha voando
Pegadas na areia
Pés de veludo
Verão
Chuva de verão
Paixão carnavalesca
Lavou a alma
Orvalho
Gotas de orvalho
cintilam em sua pele.
Amanheceu...
Cinema
Na tela comi
tomates verdes fritos.
Sabor de arte!
no canto da janela
nova linha do horizonte:
o fio da aranha.
vôo dos pássaros!
fio costurando ligeiro
o céu ao mar.
tal nuvem no céu
em tarde de vento forte:
lembranças se vão!
no capim orvalhado
guarda-chuva de renda
a teia de aranha
pintassilgo!
o céu pinta consigo
a cor da manhã.
Canoa ancorada
no embalo da maré
o vôo da garça
Soleira da porta
silêncio dos avozinhos
em meio à modorra
Estação de trem
tantos lenços acenando
em meio à garoa
Súbito no campo
os cavalos em galope
rajada outonal
Noite já se faz
nas ruínas da capela
luz de pirilampo
Nas águas do mar
Águas-vivas flutuam
Tranqüilamente ...
Em pleno verão,
Águas-vivas descabeladas
Passeiam pelo mar.
No fundo verde,
jogadores se preparam.
Deu carambola!
Sol, praia cheia,
meninada surfando,
Férias de verão!
O sol já nasceu,
meninada na cama.
Férias de verão!
Chuva persistente...
Toda a noite a repetir
Lá fora o teu nome.
29-11-2004 19:08:45
Na margem do lago
Notícias que partiram
A molhar-me os pés.
05-12-2004
A voz: o vôo
Da borboleta
Encanta a morte
12-2004
Cordas de música
Não apertam
O sopro das asas
No ar quente a poeira
Não escolhe caminhos.
Eu também não penso.
um ária
pesa menos
o ar
barro já seco
por pegadas de sapato
passeiam formigas
sem mar
que gris o sol
do peixe
caem as mangas
no pátio do sonho
talvez em outros
noite de junho
uma sombra e seu cão
urinam bancas
Tarde de Verão
Cores belas na vitrine,
Uma borboleta.
Tarde de verão
Sua vida encontrou a minha
por estas esquinas.
Fotos no jornal
Vou procurando o seu rosto
Eterna saudade.
A noite estrelada
Formas vagas, veludosas,
Na janela aberta.
Vagos tons de rosa
que são vistos pelo Lago
Surge a noite fria...
Silenciosamente
Sinos badalam na tarde
Brinco-de-princesa
Balanço de rede
Ao longe um rádio ligado
Tarde modorrenta
Mensagem no ar
Tributo à minha saudade
Sabiá-laranjeira
No frescor da sombra
Caldo pelos cotovelos
Manga madura
No dedão vermelho
Lateja meu coração
Ferrão de abelha
Vai e vem das ondas
Um pedaço de isopor
Ao sol de verão.
A flor solitária
Na copa do flamboyant
Rubi no horizonte
Nevoeiro distante
Barcos coloridos balançam
No mar de Olaria
Frescor outonal
Na cadeira de balanço
Pensamentos vagos
Chegada do outono
A canoa abandonada
Balança na água
anoitece
a cidade cor-de-chumbo
se ilumina
lua de inverno
pequenina lá no céu
cabe em meus olhos
noite gelada
o cão aquece a criança
agasalho vivo.
manhã de domingo
maritacas batem asas
sobre o telhado
cidade pequena
sob o pôr-do-sol
cidade lilás
Passando o Ano Novo
com minha filha, na estrada
mochilão nas costas
Nunca fui tão pai
um sorvete de pavê
para dois sorrisos.
Chuva de verão
o cheiro de terra quente
abafando a tarde.
O som do aguaceiro
nas folhas da bananeira
de prender o fôlego.
Dez mangas enormes
numa árvore de dois metros
santa terra esta!
À beira da estrada,
o casal tirando fotos
do arrozal de outono.
Noitinha de outono
Da varanda vê-se a rua
ficando vazia.
Final do desfile
O mestre-sala esperando
por uma carona.
Exames Finais.
O suor de minha mão
manchando o papel.
Passeio de Férias.
No menu do restaurante,
atum com salada.
Tarde de outono
Perseguindo folhas ao vento
O gato dançarino
Estrada de pó
A casa pobre
Desabrocha em flores
Pátio vazio
A cantiga das crianças
Ainda soa ao sol
Chama da vela
A noite acende
Um céu de dentro
Fim do dia
O velho e a árvore
Trocam silêncios
Preenchendo o vazio
das tardes intermináveis,
a cigarra canta.
Pede ajuda ao vento
pra abanar sua roupa velha
esperto espantalho.
Na ronda da morte,
sobrevoando a densa mata,
sinistro urubu.
Alta madrugada,
sabiá boêmio entoa
um lânguido canto.
Obreiras formigas,
transportando mantimentos,
à casa retornam.
caminho por letras
aqui dentro uma tese
e lá, borboletas
pingos roxos
em meio às águas verdes
pétalas de ipê
uma folha cai
o chão cheio de folhas
o vento distrai
Nesse fim de mundo
Um girassol solitário
A quem marca as horas?
Vaga-lume no quarto
Não fosse só de passagem,
apagaria o abajur.
Primeiro no morro,
depois onde tomo brisa
cai a noite na vila.
Velho no farol
vendendo buquês de rosa
O sorriso é brinde.
O gato se estica,
boceja, retoma o sono
Assim vai o domingo!
Noite de saudades
de tanto acarinhá-la,
já desbota a foto.
Lótus
lágrima entre sobrancelhas
a pinta negra em kajal hindu
pérola
Encostas do Rio Dong
nunca mais
mergulharei em tuas águas
ó cios do Indizível
Pontes de Wang Ho
com as cheias
as águas
vão subir
Chuvas no Golfo de Sião
tentando os deuses
se esconderam para além
do oceano de jade
Baía de Ha-Long
gota d'água
perdida
no oceano de jade
meus hai-kais:
lápis caídos
de um estojo frágil
tarde chuvosa:
a cidade absorve
luzes cinzas e água
café-da-manhã,
bem-te-vis gritando:
que bom acordar!
litoral sul:
pescadores, cães
e dias preguiçosos
no vaso,
margaridas amarelas
no dia de Reis
O Tempo cochila
em tardes quentes de sol
no banco da praça.
Árvore curvada
tentando catar folhinhas
caídas no chão.
Cena oriental:
uma palhoça medita
no meio do pasto.
Pegadas na areia.
Natural fotografia
de vidas em trânsito.
Palmeiras vassalas
abanam com verdes leques
o Tempo que passa.
A cerejeira
cor de rosa florida
ficando verde.
aquela estrela
ali tão pequenininha
mas como brilha!
foi-se o verão
entre folhas secas
uma borboleta
primeiro dia de outono
tomo aquela rua
ou não tomo
panela velha
no avarandado novo
vaso de avencas
depois de horas
nenhum instante
como agora
conversa de adultos
debaixo da mesa
adormeço entre brinquedos
faróis desligados
os namorados
e a Via Láctea
alvorada insone
os pensamentos enevoados
e a névoa da manhã
o tempo ainda não passou
canta no galho mais alto
o sabiá-laranjeira
chuva de domingo
muito fraca
caminho entre os pingos
aceita
o vôo é o leito
da borboleta
a lua de langerie
ao longe
ri de mim
a chuva me cai
como uma luva
me OH!rvalha
Arco-íris no céu,
chega ao fim o temporal:
tobogã de gnomos.
Lua refletida
na superfície do lago:
retrato da noite.
Agarrada à folha
a formiga com firmeza
desliza na brisa.
No céu da floresta
os pirilampos se acendem:
desce a Via Láctea.
Papagaio no ar:
um braço feliz de criança
a brincar nas nuvens.
ave calada
ninho em silêncio
na madrugada
espiral de sol
luz nas frestas da
escada em caracol
ágil pivete
brinca como se fosse
zero zero sete
sossego acaba
chegou a pamonha
de Piracicaba
trigo dourado
pelas mão do vento
é penteado
Veloz bicicleta
No rigoroso inverno
Ficou esquecida
Tempo imprevisível
Me pegou desprevenido
Que frio congelante!
Mata devastada
Vence a luta pela vida
Cachos do Ipê roxo
velhinha na janela
todo mundo que passa
é visita pra ela
no mesmo galho
uma formiga a passeio
outra a trabalho
longa conversa
um grilo termina
o outro começa
instante do passarinho
fui olhar
fiquei sozinho
o sol faz o que deve
nasce no Japão
morre em Porto Alegre
Sol de meio-dia
um girassol telescópico
circunavegando
Um pardal tal qual
beija-flor, sorvendo no ar
tanajuras em flor
Na teia de aranha
as gotículas de orvalho
aprisionadas
Vento sudoeste
os barcos na tempestade
castelos de areia
Solo de cigarra,
no fim da tarde, é núncio
de a hora do ângelus
Se o laço do obi
voasse ao ikebana.
Borboleta azul?
Formigas na porta
carregam o corpo
da cigarra morta.
Se mira na poça
de lama do pátio
a lua vaidosa
Choveu de manhã:
as lagartas abrem trilhas
na folha de urtiga
Como um prisioneiro
a lua me espia pelas
grades do banheiro
Ameixa preta
quando ainda está verde
fica vermelha ...
o infinito
em meus versos medidos
enfim, contido
o vento sopra
cabelos esvoaçam
momentos passam
Nada havia ali
na verde via, nada
a ver, havia.
enamoradas...
as nuvens cinzentas
apagam o sol...
dia após dor
após dia, luz após
dor após lua
o tempo? viagem
do pó ao pó os pés,
os paus e pedras
a lagarta
olha no espelho
a mariposa
praia de corais
mulheres de água,
peixes de luz
esse canto
é azul, azul, azul
quase branco
Flores no jardim,
Jabuticabas no quintal!
Eis a primavera.
Visitas na sala
Homem muito gordo senta
A cadeira estala
Franchetti
Toma nota, rapaz:
Hai-kai é a captura
De um momento fugaz
Barulho
Barulho d'água
Mulher no tanque
Ensaboa e enxágua
Cascavel enrodilhada
Desmente a paz prometida
Nos gorgeios da alvorada.
No auge do verão
Rã saltou na cacimba
Silêncio no sertão
Sol no templo
solto o tempo
só contemplo
A grama diz
o que o vento diz
o indizível bis
Tarde de outono
Assustada a coruja
Acorda com o trovão
Inverno no cerrado
O vento seco trinca
O pé descalço
Flor do cerrado
Na primavera seca
Só o ipê floresce
verão candango
o amor da menina
jorra do selim
o outono é ela
a folha que cai
sou eu
dissolve-se a névoa
no socavão da montanha...
dormitam cavalos
um raio de sol
transluz balança a cortina...
borboleta amarela!
na fímbria das ondas
um caranguejinho aflito
agitando as patas!
outono... insone
na tela da cortina assisto
teatro de sombras!
Noite de Ano-Novo!
velho avô traz o champagne
mas dorme antes da hora...
Abro o armário e vejo
nos sapatos meus caminhos
Qual virá comigo?
Noitinha na várzea
Com a lua na garupa
búfalos regressam.
Seis hora da tarde
Sons de cigarras prolongam
os sinos do templo.
Quase desperdício
Moscas sobre caquis podres
só o sapo as come.
Sol no girassol
Sombra desenha outra flor
no corpo dourado.
no frio da água, de manhã,
pálido tremor,
outono no corpo.
aviso dos deuses,
fartos, felizes,
florida paineira.
de verde encolhido,
outonal silêncio
de lourinhos calados.
gotejar sem chuva
no jardim oculto
brumas de abril.
desfaz-se, inútil,
velho ninho de pássaros...
ao vento vazio...
planando no azul,
acima de tudo, calmas,
nuvens de outono...
dedinho rechonchudo
aponta ao céu a criança...
estrela cadente!
sorriso de mãe
a primeira flor-de-maio
abre-se enfim...
nas folhas verdes
novo fruto na mangueira...
ah!... maritaca...
O amanhecer,
Só cinco folhas douradas
No topo da Árvore
Dentro do mato
o meu carro amassado
e o silêncio...
Nesta manhã fria
o outro lado da rua
A neblina encobriu
mulher, edredom
e barriga crescente
lá no sofá
Escorre o sol
Salgando meus lábios
Passo a passo
o pouso silente
da borboleta de seda
celebra a manhã
decifrando códigos
o barco atravessa a tarde
na pele do tempo
dissolve-se a tarde
no alarido das araras
e em flocos de chumbo
o sapo, num salto
cresce ao lume do crepúsculo
buscando a manhã
caminhos cumpridos
repousam sobre meu peito
teus pés minerais
Tempos kamikases
As bombas de Oklahoma
São karmas de Nagasaki
Não sei tirar tua blusa
Mas quando meu sonho te despe
Tiro hábil tua pele
um pescador remando
o mar rimando
alguém admirando
A abelha tristonha
fauna e flora devastadas
produz mel amargo.
Os meus sentimentos
como origami no arame
sempre em movimento
eu te amo tanto
que só um pranto
acaba o encanto
com seu espanto
meu coração deu um salto
e virou pranto
não é você
que na enorme vaga
navega magra?
sopro na orelha
você olhou assustada
a cara do nada
umidade de orvalho
na folha verde da manhã
brilho de sol nas gotas
passos de pássaro
no telhado lá de casa
embalam sonhos
crianças no zôo
animais as observam
andando em voltas
filas de coqueiros
na estrada deserta
curvados ao mar...
o canto dos sapos
era nossa canção de ninar;
fim de inverno
folhas voando
minha avó sempre fazia
previsões de chuvas
libélula voando
pousando devagar
na blusa amarela
a volta ao lar
inquieta serenidade
parece que foi ontem
vaga lembrança
a neve nas têmporas
ai! o tempo ai!
vento de verão
seu sorriso ausente
sigo a poeira
olhar oblíquo
lua enevoada
sem mistério
ah! kioto
no rio
(cada vez mais)
sinto saudades do rio
Na flor premiada
Uma mutuca agitada
Disputa olhares.
Frondosa mangueira
Sua florada antecipa
Sabor da manga.
Sementes na terra
Lutam pela sobrevivência
Pássaros e homens.
Ranger do portão
Cala o grilo, late o cão
Desconcentra o poeta.
As mãos conchadas de pegar,
mas o pássaro,
mais leve, voa!
País dos gatos
Rastros de vento,
escuridão de brasas,
um salto suave.
Pra que respirar?
posso ouvi-la, fremindo,
maciez de noite.
Sou doido por gatas:
Xande comeu o canário;
amados os dois.
As garras da morte,
um afligido transbordo
nas plumas da mãe
Quase escondida
entre a casca e o tronco
teia de aranha.
Leve brisa
aranha na bananeira
costura uma folha.
Sopra o vento
Segura-te borboleta!
Na pétala da flor.
Rio seco
silêncio sob a ponte
apenas o vento.
Alto da serra
Passa sobre a terra arada
A sombra das nuvens.
Na tarde abafada,
Só a voz de uma galinha
Que botou um ovo.
Um grande silêncio
Nuvens escuras se acumulam
Sobre a terra seca.
O pássaro responde
Ao ruído da janela
Tem chovido tanto...
Manhã de frio
Apoiado num só pé
O papagaio dorme.
22 de abril de 2008 |

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