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E o sol nasceu
Assim quente e claro
Tão feliz quanto eu
outono ou inverno?
caem as folhas confusas
no seio materno
a cigarra canta
enquanto orquídeas florescem:
cada um na sua
enquanto divago
vai nadando feito um rei
o cisne no lago
o vento de outono
como um pássaro que passa
partiu sem adeus
lá se vão as garças
vão pairando sobre o rio
vão cheias de graça
relva molhada
cheiro de mato verde
um pasto manso
música no ar
na varanda das manhãs
as maritacas
no alvorecer
uma colcha azulada
pintando o céu
inverno chegou
são flores orvalhadas
cobrindo o chão
No amanhecer do dia
a crista balança
com o canto do galo
dei aquela passagem
ao cobrador
que me concedeu o caminho
o bambu brota
cresce
e enverga
um olhar
claro
definido
aquela viagem
tanto esperada
acabou
no jardim
as flores nascem
e crescem
Tarde de outono
Chuva mansa
lágrimas na janela
Triste e vazia
A noite se arrasta
Na luz da tela
inquieto verão
nem ventos ou leques
a tarde refresca
coração desenhado
no tronco da árvore
quase se lia os nomes
entremeio
olhar crescente na lua
nasce uma flor
relva molhada
quase nada de flores
longa quietude
dia cinzento
na casa branca sem muro
ainda há margaridas
Viagem de ônibus
No vidro da janela
a companhia do sol.
Onde estão os sonhos
nesta madrugada fria?
Chuva nos telhados.
Manhã de verão.
No pneu da bicicleta
a areia da praia.
Gota de chuva
No azulejo da varanda
uma folha amarela.
Ao longe, montanhas.
O sol está maravilhoso
na praça florida.
garça pousa
na pista do aeroporto
tem o avião a mesma graça?
vaga-lumes pirilampejam no laranjal
o pomar é de árvores
de natal
a noite cai
sobre a minha cabeça
eu fico a ver estrelas
Haicai misto-quente
pão de forma
presunto e mussarela
pão de forma
noite em claro
neste papel em branco
a palavra "noite"
beija tudo
beija muito
beija-flor o meu amor
gota a gota
cai no mundo
a tristeza da folha
apodrece
em cada pétala
a cor do amor
leve meu ar
e o rolar
tudo de bom pra você
noite iluminada
pontos negrs
denunciam as árvores
águas serenas
brisa encantada de verão
amor, imensidão
fim da serenada
gotas cintilam no ar
arco-íris solene
sol a pino
fruta madura no pé
menino na soleira
pipa no céu
fim de tarde na serra
sonho infantil
joão-de-barro
construção solene
ninho de amor
As folhas secas
Caídas das árvores
Lágrimas minhas
Novo verdejar
Se fará brotar depois
Se o sol brilhar
abrigo de vésperas
o agrado sabor de um haicai
coloca o sígno à mesa
na antiga cozinha
busco o café antes de
datilografar o poema criado
a rã não se contém
ao pulo-bote
na água que paira
reminiscência interior
lembrança semi-infeliz
lagarta na árvore
que queimava a gente
risco de infância
ladeiras ladeiras
bicicletas
combinação perfeita
As incertezas
Fazem nascer uma flor
No que é certo
Brancas nuvens
Enfeitam todo o céu
E meus olhos
O doce canto
Que entoam os pardais
Encanta tudo
A arte de ser
É certamente o ser
Do não ser do ser
silêncio profundo
só o respirar das flores
no sopro da brisa
espantalho ao vento
num campo de girassóis
pardais sobre os ombros
passeio campestre
no vestido e nas sandálias
o aroma do mato
um rumor de asas
na vidraça da janela
vem caindo a noite
na manhã de bruma
os dióspiros vermelhos
vai nascer o sol
outono
as folhas caem
todos com sono
verão
sinto no rosto
a carícia do vento
mar azul
vejo nas águas
um céu mais azul
noite
estrelas lua brilham
suave é a noite
primavera
rosas se abrindo
rosas sorrindo
numa noite
pensei estrelas
veio você
água límpida
noite calma
alma clara
num haikai
um olhar
e uma espada
em frente ao espelho
o poeta se olha
mistério no meio
toda paisagem
é
poesia em mim
Semente dourada
Reluz cores e formas
Em terra fértil
Um desenho água
Espelha doce chegada
Chuva de verão
Escava água
Grava fundo sua historia
Fazendo um rio
Acordar em flor
Perfuma adormecidos
Montes sem destinos
Nesta nuvem branca
Guardo o tempo propício
Para plantar flores
pássaros em revoada
no meio da multidão:
melros meninos da rua.
Noite no sertão:
Um vagalume
Alumia lá longe.
Manhã buliçosa
Desnorteados cavalos:
Meus pensamentos.
no trevo:
três trêmulos
na treva.
Árvores cinzentas
muitas pedras no caminho
espinhos me doem
Na alameda, folhas,
pelo chão, cobras soletram
haicais de outono
Atrás do morro: manacá
é primavera
vou prá lá
Saí do escuro
Mas nada enxerguei
Sob o sol do verão
eu chovendo,
você toda sol:
entre nós o arco-íris.
Rilke e os anjos,
Bukowski e as mulheres:
cada qual mais terrível...
setembro na janela
aquele frio na espinha
Patrícia primavera
Outra vez
atravessar
a sala de estar...
Ipês florescem
Lanternas amarelas
Aquecem o frio
Num balé rosa
rodopiam as flores
sonham os ventos
Doce harmonia
pacifica o coração,
místico Caqui
O peixe sonha
Salta longe no lago
Prateia no ar
Pássaro feliz...
Gotas de sol aquecem
Seus sonhos azuis.
Espaço novo
vejo fuga
ou consolo
O vento sopra
enquanto eu
espero lá fora...
Lembranças insólitas
me fazem lembrar
Você
Socorro!
Grito ou
Morro!
nos fios azul
armações de silêncio...
céu rabiola
Haicai...Fonte!
seios lactos
fonte de vida e prazer
em mamilos túmidos...
Haicai...Gozo!
Lavas de um vulcão
gozo em simetria úmida
escorrendo em explosão...
É de manhã
Orvalho em moita seca
Brilha por pouco
No milharal
Caminho pela terra
Roxa e úmida
É festa de Reis
No caminho da roça
Belo milharal
Com vento frio
E primeiras estrelas
Se vai o dia
No lusco-fusco
Vento frio soprando
Tarde outonal
Hana do me
brilhando, sol
lua, iluminando
suave, terra
Noite
Penso somente
Voa solidão, tempo
Sinto alegria de você
Mel
Boca um sabor
Junta o delicado
beijo suave
Gorjeio
Em silencio caminho
Gorjeio no ouvido
Sigo sem olhar
Trovão
Eco musical
Dum trovão soa suave
Vibrando até o fim
Com a noite ele vinha
Trazia consigo
O vinho e a poesia
Perfura a neblina
a cadeia de montanhas
Serpenteia o rio
Zelam pela serra
Filhos do vento e do tempo
Totens de pedra
Passarinho briga
Inimigo de si mesmo
na imagem do espelho.
Lá vem as tais chuvas
Barro, barro, barro, barro
trabalha João.
Luz sereno azul
Lobo uiva, coruja acorda
homem se transforma.
manga
Como podes ser tão doce?
gosto de sol
Haikais pantaneiros
Chora a viola
noite enluarada
violeiro triste.
Dentro do casebre
luz de lamparina
ilumina um mundo.
Dedos que arranham
uma viola saudosa
montados num pangaré.
Cachorro que acompanha
boiada rio adentro
o boi-de-piranha ficou.
No meio do estouro
berrante que acalma
a onça acuada se foi.
Nova pipa se ergue
ao céu; no ano passado
cortaram a minha.
Meus olhos não param:
a multidão de formigas
está de mudança.
Uma gota d'água
reluz no branco da orquídea
cantoria de grilos.
decerto envolta por vagas
a ilha aspira
por companhia
a lua nos espreita
e toca, com seus braços
a alma
Cuecas e calcinhas
estendidas no varal
festa de são joão
que noite fria
até no copo a dentadura
treme sem parar
As belas flores
da minha cerejeira,
brilham ao orvalho.
Cachorro vadio
À sombra da quaresmeira
Dorme sobre flores
Vestida de verde
A moça de olhos tristes
Encanta o mundo
Manhã de outono
Saudade do Mestre Goga
O Haicai está órfão
Na fria manhã
O imigrante medita
Para ver o Fuji
Estádio lotado
Atletas no gramado
Quero-queros também
Uma quaresmeira
roxeia o cerrado.
Dói um coração.
Não há tempo
perdemos a hora
não somos vento.
Você tem um alçapão,
caiu ela, cai eu,
cai um montão.
Não me chames mais de amor
porque entre nós agora,
há solidão e imensa dor.
Deus lá no alto
e você
bem debaixo do meu salto.
Natureza em marcha
Sol do meio-dia...
A dor, aqui, é calor,
já sem fantasia.
Na tarde, canícula,
"spleen", saudade ruim
e fossa ridícula.
Lusco-fusco: o pôr
-do-sol. Hora do arrebol,
mundo multicor.
A noite passeia,
luzente, tão-logo sente
paz de lua cheia.
Canta a madrugada,
no fálus da voz dos galos,
clarins da alvorada.
fim de tarde
canto de passarinho
velho sozinho
dama-da-noite
esperando orvalhar
para perfumar
flor amarela
mais já foi vermelha
fim da primavera
mudança de cor
nas árvores em geral
maio outonal
dentro do mato
sem o periquito notar
gato a espreitar
Tarde de névoa
O canteiro de flores defronte
Ao Banheiro da rodoviária
Então é isso?
Minha solidão
O vento na tarde gris
fim de outono
na orquídea branca
gotas de chuva
o vento frio
leva a andorinha
ao ninho novo
roncar de barcos
pouso das gaivotas
chuva de verão
a lua nova
entre tantas estrelas
lembra o amor
corre flor corre
a dor pode viciar
lamento em vão
Domingo de sol.
Mó gritaria na feira,
cheiro de frutas.
Na garoa fina
em meio à multidão,
Um rosto amigo.
Festa junina.
Entre tantas barracas,
lindo sorriso.
Quantas lembranças,
me vem à tona agora.
Ah, o sakura.
Ouço os gritos,
a molecada corre.
Época de pipa.
Vento
circo outonal
reviravoltas no ar
folhas ao vento
Outono já é
Vou tomar chá de sachê
A tarde feliz
Se põe o Sol e vem a Lua
Se vai a Lua
É vem o Sol!
Fim de festa.
Restos pela mesa.
A das moscas começa.
Buraco na estrada.
Pisei na lua cheia
dentro da poça d'água.
Roseira crescida
junto à cerca alta...
uma rosa salta.
Cricrila o grilo
tudo silencia
para ouvi-lo.
Noite no campo.
Estrelas! Aspiram sê-las
muitos pirilampos.
foi-se o tempo
em que havia mágica
num catavento
Verde mar
Na areia branca o peixe pula
Quer voltar pra casa
Cachorro Louco
Corre, pula, late e baba
Por um osso
Dia - Dia
acredito em viver
vendo em você
alegria florescer
cotidiano
mulher arruma sala
homem olhando.
noite escura
pássaro-preto pia
nada se vê.
noite de verão
rua movimentada
triste solidão.
três horas em pé
sob um sol escaldante
água de nascente.
pilão antigo
pasta de amendoim
olhar guloso.
Estações
A tempestade
moto serra árvores
nem é inverno
Verão
A queresmeira
flora global borra
de roxo o verão
Outono
Outro dia da ave
sabiá o símbolo
canto do Brasil
A manhã desperta.
Junto com o Sol, a Lua Nova
Se posiciona.
Cueira do gaúcho,
A cabaça é paixão
De norte a sul
Da costa rochosa
Grande saltão desentoca:
Fim para as sardinhas!
Uma flor rara e nobre,
Rainha do litoral:
É a laelia purpurata.
formigas em fila
caminham na fruteira
enchendo a barriga
pousa o pernilongo
e sobre a pele branca
enche sua pança
poesia é
papel e caneta
e um verso na cabeça
calor opulento
árvores se curvam
com a força do vento
plana negro e solto
um corvo à procura
de um poeta louco
Chega a manhã
Flor a se espreguiçar
É época de primavera.
Medo
Atenta observo
Tremem-me as pernas
Filme de terror.
Primavera
Chão de retalhos
Vento forte
É época de primavera.
Amor de verão
Folhas novas virão
Outono de amante
Silêncio...
Com um ar de haicai
Calou-se
Árvores em espiral
uivo de lobo-guará
esse é o cerrado.
Em cidade grande
única estrela no céu
helicóptero.
o som da chuva
se difunde
quando se debate no chão.
Late o cachorro
a campainha toca
tem gente chegando.
Libélula
Regato tranqüilo
a libélula chega
e lava os pés
Campina
No céu da campina
As nuvens passam ligeiras
No pasto as ovelhas calmas
Susto
Um susto gelado:
A perereca num salto
me beija no braço
Guerra
Vidro quebrado
Criança olhando
estamos em guerra
Espanto
Vidro quebrado
Cranças espantada
primeiro tiro
Armadilha:
no mar infinito,
penha na quilha.
Após temporal,
sabiá corta o silêncio.
Samurai sonoro.
No verde da praça
a rã salta, salta, salta
e assusta quem passa.
Na estreita calçada
o bípede e o quadrúpede
presos na cordinha.
Sapato furado
em dia de chuva fria,
resfria um coitado.
O piolho arteiro
desconcentra o aluno e a classe
e o mestre reclama.
Outono
matizes de cores
colcha de retalhos
a natureza tece.
A flor da laranjeira
perfumou o cair da tarde,
setembro chegou
Andorinha, nuvem
borboleta, da relva
fito o céu
Escrever não é revelar-se
É dar um pouquinho
Do que está além da compreensão
Passou a chuva
passeio no parque
encontro o menino da cidade
sentimento suave
um sorriso tímido
amor de crianças
algodão doce
nuvem e brisa
de repente um beijo
atrás da árvore
as testemunhas
risos infantis
São Paulo
No céu poluído,
Estarei debaixo em breve,
Vou fazer ruído.
Esfomeado
Durmo na banqueta,
Sovinam-me numa esquina
Migalha cuspida.
Garota Programada
Na pista molhada
Coagida com antiincêndio
Perdeu o pão diário
Elo quebrado
Engavetou com dor
Sua aliança mareada,
Trancou o noivado
Timidez
Todos os dias
Um mar de palavras
Morrem no céu da minha boca.
Na areia quente
vou carimbando meus pés.
Copacabana.
O vai e vem
balança a rede e
os pensamentos.
Noite infernal
pernilongos em bando
sugam meu sono.
A lua olha o gato
que mansamente passeia
pelo telhado.
tarde preguiçosa
de um feriado de Outubro
balanço na rede
manhã na floresta
ouvindo o canto dos pássaros
passeio nas trilhas
para ver os peixes
em passeios matinais
jangadas ao mar
na praça florida
ouço o gorgeio das aves
primaveris encantos
no bosque da escola
crianças brincam felizes
festejam o Sol
Vésper
Havia você,
sem alarde e sem a tarde,
sol de macramê
Manhã
Manhã na montanha:
e então o sol sai do chão,
silente, e me apanha.
Gira
Gira, girassol
gira em mim sua mentira
de ser gira e sol.
Reconhecimento
A rua se banha.
Lá fora, a chuva de agora
nunca foi estranha
Provérbio
Qualquer andorinha
capaz de fazer, desfaz
seu verão, sozinha.
A Moça de botas
Distante olha o trem
Que parte e vem
Das Folhas Secas
O Obeso pisa
Cream crack no chão
Pingo de chuva
É chuva
É amor molhando-lhe
Com chapéu no mormaço
Passo o braço e abraço
A moça que passa
Lua brilhante
No céu suspenso
Sorriso minguante
Chuva de ontem
Pequenos lagos refletem
Nuvens derradeiras
Caqui pra mim
Folhas amarelas
O outono para elas
Manhã fria
Bolinhos de chuva
Como minhã mãe fazia
Amanhece em silêncio
O som em meus ouvidos
Da brisa que me tocou
Através do oxigênio
Ele vai encandecendo
e reluzindo.
Num pavio ele permanece,
com vela de cera ele se
faz presente, é o fogo!
manhã de neblina
agora é branco
o verde da colina
violetas à mesa
brasas azuis
violenta beleza
fim de partida
o vento move
a bola esquecida
xadrez a três
o sopro do vento
derruba os dois reis
leve desliza
a folha no lago
barco de formigas
Breve poema
espalha-se ao vento
flor de cerejeira
Atroz vendaval
desata nó da madeira
verga bambuzal
Claras manhãs
o sol luzindo os grãos
maduros da romã
Passeio esquisito
de mãos dadas
a pulga e o mosquito
Precipitado
suicidou-se
o enforcado
Pingos sólidos no varal
vidraça embaçada
bule de chá
o trem some na curva
meus olhos ficam
claro luar n’alma
junto à dureza da pedra
like a rolling stone
arranha o céu
cadente brevilínea
tampouco estrela
ramagens desta mata
um ouvir cristalino, fio
d’água serenascente
Volteios de onda
por onda: nas pedras
Outronda!
sol penso indolor
oxidar toda cor, outra luz
de sentido o que fica
A noite estrelada
Vai recolhendo promessas.
Luar confidente.
As gotas silentes
Bailam nas folhas douradas.
Lágrimas de outono.
Ela disse: ai
O menino pede: vem
Doce fruta cai.
Triste a liberdade
Em uma gaiola canta
Voejando em sons.
Pezinhos descalços
Pelas estradas da terra
Como estão cansados!
I
Os gatos miando
Cobiçam a linda lua
Rindo diz: sou tua.
II
Ver os pirilampos
Divagando com seus lumes
Em torno dos campos.
Manhã fria de verão
Cheiro de flor
Um triste olhar!
Acordar com um bolo
Alegria maravilhosa
Abraço apertado!
Brincadeira alegre
Chuva cai na rua
Um chamado se ouve!
No forno um abacate
Chega a surpresa
Olhar encantado!
Uma cama desarrumada
Bidê e rádio
Sonhos profundos!
O galo não cantou,
A lua azul ainda brilha,
Inicio o zazen.
O sino acaba de bater,
Chinelos à beira da porta,
Vento, silêncio...
Pardais ciscando,
Pedras enfileiradas.
Alvorada morna...
Shinai em riste,
Pássaros cantando.
Caminho real.
Verão em três linhas,
Ou apenas em uma.
Viver em haicai...
A brisa:
Sorriso que vem
Dançar as flores.
A sobra do boi
Acolhe-se no
Crepúsculo ruminando estrelas.
Na ausência dos pássaros,
As árvores
Declinam-se na morte.
Passada a chuva,
o céu descansa
nas poças.
Noite fria:
os postes iluminam
o silêncio da rua.
O céu azul
é uma imensidão
sozinha.
O vento passa:
as saias das mulheres
são bandeiras.
As árvores da infância,
antes pequenas,
confrontam o céu.
Mosca
Uma mosca adeja
Um homem ali no meio
Que descanse em paz
Noturno I
Uma noite, sem sono
Um vulto ilumina o quarto
Anunciando o dia
chove
trancado em casa
tudo me comove
velho no banco
se vai o sono
se vão os pássaros
amanhece
no campo permanece
o velho segredo
volto pra casa
até a árvore me pede
um forte abraço
o sapo pula
no chão, na água, no chão
nenhum pulo vão
Da flor branquinha
Nasce a negra bolinha
Doce jabuticaba
Somem as estrelas
Solitariamente fica
Lua cheia
Tarde muito fria
Chá de maçã e canela
Carinho de mãe
Filhotes e ninhos
Frutas quase maduras
É Primavera
Na árvore folhosa
Travestido de rubi
Vemos o caqui
hai
kai
183
O monge
antevendo a chuva
cultiva a sede
No início da chuva
uma das portas se fecha
sopra a ventania.
No meio do campo
Girassóis iluminados
entre um arco-íris.
Cestas com espigas
homens trabalham na terra
Na tela do pintor.
Nuvens passageiras
águas lavam os calçados
Luar na lagoa.
Vaga-lumes voam
giram círculos no lago
Dezenas de luzes...
Em uma arandela
o luzir quente sem voltas
Mariposas mortas.
Noite gelada
Gente feliz
Vinho na mesa
Noite fria
Inverno que chega
Gripe danada
Enquanto a contemplo
Pequenos defeitos são
Traços de requinte.
Viagem de trem
Companhia especial
Sorrisos ao acaso
A sublime arte:
Progenitores prodígios
Geram a obra-prima
Massacre das pétalas...
"Bem me quer ou mal me quer?"
Simples: mal as faz.
Uma folha em branco
Muita coisa pra dizer
Haicai de três versos
Vento sem Tempo
pedra parada
minhoca enterrada.
Criança brincando,
tarde sem fim
mas que sono danado!
Passarinho foi
gestos ao vento
a sombra cala
calor de julho
engana o inverno:
ipê florido.
chuva de viés
afia lâmina
do capim-cidró.
crepúsculo:
dentes de sombra
mastigam o dia.
o sol descortina
a manhã em colorido
deslumbramento.
Borboletas vão
Sob o frio da tarde
aladas flores.
No céu brilhante
nuvens abrem clareiras
o sol vai passar.
Recatada lua
vermelha, atrás do sol
eclipsou-se.
Esguia Araucária
Iluminada de lua
Teatro de sombras.
Eu que bebo
e o mar que acorda
de ressaca!
Sereia
Corro o risco
arrisco, risco
um verso na areia
Na cabeça do poeta
um problema
vira poema
Tu o mote; Eu a glosa
Há quem suporte?
Eu o verso; Tu a prosa
O sol por testemunha
um gato agarra
a vida a unha
Crepúsculo rubro.
Lua e Sol quase se tocam
neste céu de outono.
Gotas de orvalho
molhando a flor e a avezinha.
Fresca madrugada.
A estrela cadente
e o meu pedido-relâmpago.
Segredos no céu.
Flores da paineira.
No parque, o casal velhinho
de mãos enlaçadas.
Formiguinhas mil
no mármore da pia
uma correria...
Dia cinzento
Sol de outono
Noite ao relento
Ontem, ventania
Hoje, a brisa leve
A manhã é breve...
A luz do raio
longe no horizonte
perto da ponte
Lua minguante
Janela aberta
vôo rasante
outono?
folhas cobrindo o chão
sob os pés sujos... jornal velho
ao pôr-do-sol
luz ardente
bronzeia o mar
listras negras
garras de pelúcia
tigres-de-sumatra
Sobre pêlos macios
Uma dança de sangue
Tigres-de-Sumatra
Despenca criança
No saguão do shopping
Brinquedo mortal
Explode solitária
Na pia
A gota, ploft.
I
Pedaços do sol
À boca da noite
Longe do céu.
II
Cai elástica
Por cima
Do dia a noite.
III
Nuvens
Tapetes voadores
No céu
IV
Como jibóia
Engolia a cidade
a neblina.
Lua cheia
Noite escura
Chuva na janela
Flores no chão
Porta fechando
Apenas ilusão
mantos vermelhos
longos cabelos
brando olhar
um pingente coração
no pescoço vem mostrar
que eu nasci para amar
nas faixas judô
nas fitas balé
tigres de sumatra
Frio por fora,
quente por dentro
o amor é lindo!
Na imensidão vazia
da noite sem estrelas
a lua cheia.
Um sutil incômodo
vem pela janela aberta
Outono avança...
No final da tarde
O vento acaricia as folhas
Prestes a morrer.
No final da tarde
O vento acaricia as folhas
Prestes a morrer.
Cedo, o rouxinol
ensaia um canto bonito
pra saudar o sol.
Vendo pouca fé,
a esperança não desce
pela chaminé.
Abanam os rabos:
o cachorro, de contente;
o gato, de brabo.
Saudade: quintais
com sabiás-laranjeira
que cantavam mais.
Vai passando um rio,
murmurando pras barrancas
seu andar macio.
Azul e escuro
Estrelado e radiante
Brilho contemplante
Pontos brilhantes
da longa estrada
esperança da chegada
Braços ao ar
Grito de medo
brinquedo da morte
Santo Apollinário,
Deus gótico do Sol.
Solstício de Verão.
Lua cheia
Tua Meia
Meia Lua.
O meu pensamento
Quando vai até você
Não quer mais voltar!
Minhas asas doem!
Mas sou um inseto
Que sabe cantar.
Só não sei
rasgar o que sou
sem ferir
Nunca olhei
para
dentro de mim
não teve êxito
ao hesitar
o êxtase
Suave pousar
No galho bem frágil
leveza de garça
De repente o apagão
Vagalumes atraem
Curiosos olhares.
Noite de luar
Minha solidão
No chão se reflete.
Brinca de esconder
pelas frestas da cortina
lua de primavera.
Mensagem colorida
Passa bolha de sabão
Deixando saudades.
hai cai saudade
na alegria do contato
lágrimas furtivas
na água-furtada dos rostos
hai cai rancor
nosso amor catastrófico:
um vulcão findado
em seus fogos e artifícios
haicai em contração
eu tô transando cabete
ela sai comigo
dois tiro acabo com ele
Ao próprio velório
Não compareceu o fantasma
Alérgico a flores.
Deixem que apareça a lua
Pra benzer a chuva
Novo casamento.
Regando o jardim,
Eu faço deste pedaço
Mosaicos de mim.
Em ti gostaria
De escrever sem tinta, ousando
Umas cem carícias.
Ganhou-me a gravura
De sentida chuva mais
Um pingo por sobre.
Tudo é efêmero
no ciclo da natureza:
até o fim do inverno.
Brava corredeira
despenca seu fluxo tenso:
ouvem-se trovões.
Um leve gorjeio
no caminho em silêncio:
um sopro de paz.
No varar das nuvens
deixo que sonhos dourados
façam-se reais.
Noite só de amor:
vinho, os corpos, a música,
a lareira vívida.
Chá no frio sem dó
O que nos pode aquecer
Mais que o tenro amor?
O navio partindo,
Pisada a areia da praia
Mais por minhas lágrimas.
Eu me visitando
Uma borboleta azul
Por sobre meu túmulo.
Quantas de você
Não fez minha tenra infância?
Bolhas de sabão.
Um sino budista
Na placidez do meu chá
Bulindo, me chama.
Árvore seca
na floresta úmida
que amor lhe faltou?
Toda a beleza
do muro verde da montanha
traz saudade
A blusa parou
no rego dos teus seios
a mão virtual
As folhas mortas
pousam sobre águas do
sereno lago.
No cemitério
procissão de formigas,
segue a vida.
As borboletas
poesias concretas
voam etéreas.
Pássaro bica
fruta madura caída
quase perdida.
Nuvem negra
gafanhotos voam
adeus milharal.
Na face paisagem
os caminhos traçam rugas
miragens da vida
Lamento secular
no manso correr do riacho
polindo pedras
Adormeci versos
arcordei rasgando rimas
entre a pena e o papel
Chuva no telhado
tem rufar tamborilado
cantiga de ninar
O pássaro preso
na linha do horizonte
em asas brilhantes
Flores ao vento,
O pássaro voando
Floresta virgem.
borboleta amarela
espatifada no chão
cumpriu sua missão?
respeito o silêncio...
quisera calar o pensamento.
existir, exige espera.
verão com sol de ouro
dourado mas inclemente
desidrata folhas.
Excesso de chuvas
a desequilibrar a árvore
raízes se afogam.
beija flor perplexo
sem encontrar umidade
nem no bebedouro...
fruto esturricado,
não pode ficar no galho
romã na calçada...
vento a derrubar
bem antes da tempestade
cigarras avisam...
Fim de tarde
A estrela vespetina
vem ninar o sol.
Leito do lago
Sonha yumê cardume
circulos sem fim.
Sobrevoar o lago,
pousar no mesmo lugar
Dia dia da garça.
Eclipse Lunar.
Quantas vezes vi a lua passar
na janela do metrô.
Ah nuvens.
Ora brancas, ora nubladas.
Raposas de mãos dadas.
Corrente dos ventos
barulho na floresta
folhas ao chão.
O canto dos rouxinóis
entre a paisagem colorida
lindas flores!
Belo oceano Azul
o espelho refletindo
um límpido Céu.
Flor de cerejeira
de beleza iluminada
ofusca os olhos.
Imensa colméia
Abelhas namoram
pote de geléia.
Range o portal
Vento de outono
ou vendaval?
Uma pandorga
singrando o céu
Ave de papel.
Noite tranquila
Mariposas em torno
da lamparina.
A redonda lua
clareia ponta à ponta
a comprida rua.
Dia ensolarado
borboletas coloridas
voam no jardim.
Chuva de verão
barquinhos de papel seguem
enxurrada abaixo.
Colheita de arroz;
deixando marcas no chão
prossegue o trator.
Arbusto de hibisco
suavemente balança
filhote de pássaro.
Sobre o calçadão
hora de verão estende
mesas e cadeiras.
Duas verdes palmeiras
as folhas lá bem no alto
namorando o vento.
No cálice o rosto:
afoga a mágoa no vinho
a mulher da vida.
Vinho branco seco
até o peixe cai na rede
da taça cristal.
Reflexo no vidro:
sobre a igreja alta a cruz
jaz no olhar do gato.
Conta
história, matemática
2+2 é mil
menos eu, é zero!
Vagões Frios
ninguém a espera na estação
e o inverno passa,
Beatriz!
mantro de perto
pelos monges
de longe!
de Sus
morreu
o Tô, amigo meu!
Bom Dia!
Dona do dia...
Noite e dia!
lagarto espia
gatinho espreguiça
silencio habita
aranha tece
romã na romanzeira
seiva escorre
terra molhada
sementes germinando
louva-deus louva
Os dias passam
relógio cansado
repete horas
Chuva intensa
aconchego no quarto
amantes amam
Singelo
Borboleta pousada
no ovo de louça...
Doce sacada!
Diamantina
Sol das Almas
no Espinhaço:
dourado presépio.
Angelous
seis da tarde
celebra o barroco
o repicar dos sinos.
Azul no céu
de Abril
O inverno já vai chegar.
Via Crucis
Percorridos
teu corpe e tua alma
via crucis do amor
Ah, dama da noite
Tempo distante não volta
Saudade, saudade
bacia da crescente
sobre as folhas da palmeira
côncavo e convexo
guri ajoelhado
lá se vão os três reis magos
de volta à caixa
olhos dos meninos
as luzes do pisca-pisca
se multiplicaram
o véu da cascata
nesta noite de luar
finas gotas frias
quantos pirilampos
posso contar esta noite?
caminho enluarado
as ondas vêm
e vão para ninguém
maré outonal
a lua aparece
entre nuvem e outra
o brilho é igual
chuva constante
o guarda-roupa mudou
agora é varal
eu em demasia
não fosse
a poesia
noite de outono
na companhia da chuva
eu volto pra casa
8 com a 7
8 K 7
entre avenidas bêbados
entre ruas
Luas
nuas
e foram avenidas
entre saudades
da rua Sete!
seria ruas
sete
infinitas
ruas e avenidas
números
que se perdem ao infinito
chuva de verão
transito no trânsito
chora coração
outono
mudam folhas
mudam planos
medo no coração
tirito
a mais fria estação
primavera
mergulho na ilha
bela
mãe
matriz
eterna aprendiz
Canta alegre o sabiá
faz folia o bem-te-vi
natureza assovia
Periquitos na palmeira
nem sobrou coquinho
vôo sobre o pomar
Com este calor
sapo não vem nadar
medo de virar rã
Pelo calor de agora
pinhão no inverno
quente, quentão
Sobre o campo verde
odor de Capim Molhado
durmo sossegado.
Cantou o grilo
chuva passageira
sonho longínquo.
O mágico é pirotécnico
naquela noite
ela viu fogos de artifício.
Um ser noturno:
Debaixo da capa
ele guarda o escuro.
No ninho
três mafagafinhos:
trocando letras.
Um corrego, um poço,
batráquio num salto:
tibungo! momento bashô.
Silêncio na caixinha
dentro, dormindo,
a bailarina de sainha.
selva de pedra
condor solitário
vôo triste
vento na mata
pica-pau se abriga
madeira forte
lua de prata
desejos indecentes
corpos suados de luz
inverno frio
corpos soltos ao luar
ondas quentes
tarde chuvosa
amantes se entregam
opostos se atraem
no canto da janela
nova linha do horizonte:
o fio da aranha.
vôo dos pássaros!
fio costurando ligeiro
o céu ao mar.
tal nuvem no céu
em tarde de vento forte:
lembranças se vão!
no capim orvalhado
guarda-chuva de renda
a teia de aranha
pintassilgo!
o céu pinta consigo
a cor da manhã.
Canoa ancorada
no embalo da maré
o vôo da garça
Soleira da porta
silêncio dos avozinhos
em meio à modorra
Estação de trem
tantos lenços acenando
em meio à garoa
Súbito no campo
os cavalos em galope
rajada outonal
Noite já se faz
nas ruínas da capela
luz de pirilampo
Nas águas do mar
Águas-vivas flutuam
Tranqüilamente ...
Em pleno verão,
Águas-vivas descabeladas
Passeiam pelo mar.
No fundo verde,
jogadores se preparam.
Deu carambola!
Sol, praia cheia,
meninada surfando,
Férias de verão!
O sol já nasceu,
meninada na cama.
Férias de verão!
Chuva persistente...
Toda a noite a repetir
Lá fora o teu nome.
29-11-2004 19:08:45
Na margem do lago
Notícias que partiram
A molhar-me os pés.
05-12-2004
A voz: o vôo
Da borboleta
Encanta a morte
12-2004
Cordas de música
Não apertam
O sopro das asas
No ar quente a poeira
Não escolhe caminhos.
Eu também não penso.
um ária
pesa menos
o ar
barro já seco
por pegadas de sapato
passeiam formigas
sem mar
que gris o sol
do peixe
caem as mangas
no pátio do sonho
talvez em outros
noite de junho
uma sombra e seu cão
urinam bancas
Tarde de Verão
Cores belas na vitrine,
Uma borboleta.
Tarde de verão
Sua vida encontrou a minha
por estas esquinas.
Fotos no jornal
Vou procurando o seu rosto
Eterna saudade.
A noite estrelada
Formas vagas, veludosas,
Na janela aberta.
Vagos tons de rosa
que são vistos pelo Lago
Surge a noite fria...
Silenciosamente
Sinos badalam na tarde
Brinco-de-princesa
Balanço de rede
Ao longe um rádio ligado
Tarde modorrenta
Mensagem no ar
Tributo à minha saudade
Sabiá-laranjeira
No frescor da sombra
Caldo pelos cotovelos
Manga madura
No dedão vermelho
Lateja meu coração
Ferrão de abelha
Vai e vem das ondas
Um pedaço de isopor
Ao sol de verão.
A flor solitária
Na copa do flamboyant
Rubi no horizonte
Nevoeiro distante
Barcos coloridos balançam
No mar de Olaria
Frescor outonal
Na cadeira de balanço
Pensamentos vagos
Chegada do outono
A canoa abandonada
Balança na água
entre o som do mar
e o mar
todas as rochas
Menininho
mexendo nos pezinhos
e olhando o mar
Som do mar
um passo à frente
os pés na água
mar aberto
anéis d'água expandindo
salto do peixe
fim de caminho
o pôr-do-sol começa
dentro de mim.
Passando o Ano Novo
com minha filha, na estrada
mochilão nas costas
Nunca fui tão pai
um sorvete de pavê
para dois sorrisos.
Chuva de verão
o cheiro de terra quente
abafando a tarde.
O som do aguaceiro
nas folhas da bananeira
de prender o fôlego.
Dez mangas enormes
numa árvore de dois metros
santa terra esta!
À beira da estrada,
o casal tirando fotos
do arrozal de outono.
Noitinha de outono
Da varanda vê-se a rua
ficando vazia.
Final do desfile
O mestre-sala esperando
por uma carona.
Exames Finais.
O suor de minha mão
manchando o papel.
Passeio de Férias.
No menu do restaurante,
atum com salada.
Tarde de outono
Perseguindo folhas ao vento
O gato dançarino
Estrada de pó
A casa pobre
Desabrocha em flores
Pátio vazio
A cantiga das crianças
Ainda soa ao sol
Chama da vela
A noite acende
Um céu de dentro
Fim do dia
O velho e a árvore
Trocam silêncios
Preenchendo o vazio
das tardes intermináveis,
a cigarra canta.
Pede ajuda ao vento
pra abanar sua roupa velha
esperto espantalho.
Na ronda da morte,
sobrevoando a densa mata,
sinistro urubu.
Alta madrugada,
sabiá boêmio entoa
um lânguido canto.
Obreiras formigas,
transportando mantimentos,
à casa retornam.
caminho por letras
aqui dentro uma tese
e lá, borboletas
pingos roxos
em meio às águas verdes
pétalas de ipê
uma folha cai
o chão cheio de folhas
o vento distrai
Nesse fim de mundo
Um girassol solitário
A quem marca as horas?
Vaga-lume no quarto
Não fosse só de passagem,
apagaria o abajur.
Primeiro no morro,
depois onde tomo brisa
cai a noite na vila.
Velho no farol
vendendo buquês de rosa
O sorriso é brinde.
O gato se estica,
boceja, retoma o sono
Assim vai o domingo!
Noite de saudades
de tanto acarinhá-la,
já desbota a foto.
Lótus
lágrima entre sobrancelhas
a pinta negra em kajal hindu
pérola
Encostas do Rio Dong
nunca mais
mergulharei em tuas águas
ó cios do Indizível
Pontes de Wang Ho
com as cheias
as águas
vão subir
Chuvas no Golfo de Sião
tentando os deuses
se esconderam para além
do oceano de jade
Baía de Ha-Long
gota d'água
perdida
no oceano de jade
meus hai-kais:
lápis caídos
de um estojo frágil
tarde chuvosa:
a cidade absorve
luzes cinzas e água
café-da-manhã,
bem-te-vis gritando:
que bom acordar!
litoral sul:
pescadores, cães
e dias preguiçosos
no vaso,
margaridas amarelas
no dia de Reis
O Tempo cochila
em tardes quentes de sol
no banco da praça.
Árvore curvada
tentando catar folhinhas
caídas no chão.
Cena oriental:
uma palhoça medita
no meio do pasto.
Pegadas na areia.
Natural fotografia
de vidas em trânsito.
Palmeiras vassalas
abanam com verdes leques
o Tempo que passa.
Flores no jardim.
Uma abelha pousa aqui
e depois se vai.
No colo da mãe,
Sem soltar o cata-vento,
Dorme a menina.
No rio, o barqueiro
sem lanterna ou farol.
Somente o luar.
Fenece o outono.
Recordo meu velho pai.
Caem folhas e lágrimas.
A cerejeira
cor de rosa florida
ficando verde.
aquela estrela
ali tão pequenininha
mas como brilha!
foi-se o verão
entre folhas secas
uma borboleta
primeiro dia de outono
tomo aquela rua
ou não tomo
panela velha
no avarandado novo
vaso de avencas
depois de horas
nenhum instante
como agora
conversa de adultos
debaixo da mesa
adormeço entre brinquedos
faróis desligados
os namorados
e a Via Láctea
alvorada insone
os pensamentos enevoados
e a névoa da manhã
o tempo ainda não passou
canta no galho mais alto
o sabiá-laranjeira
chuva de domingo
muito fraca
caminho entre os pingos
aceita
o vôo é o leito
da borboleta
a lua de langerie
ao longe
ri de mim
a chuva me cai
como uma luva
me OH!rvalha
Arco-íris no céu,
chega ao fim o temporal:
tobogã de gnomos.
Lua refletida
na superfície do lago:
retrato da noite.
Agarrada à folha
a formiga com firmeza
desliza na brisa.
No céu da floresta
os pirilampos se acendem:
desce a Via Láctea.
Papagaio no ar:
um braço feliz de criança
a brincar nas nuvens.
ave calada
ninho em silêncio
na madrugada
espiral de sol
luz nas frestas da
escada em caracol
ágil pivete
brinca como se fosse
zero zero sete
sossego acaba
chegou a pamonha
de Piracicaba
trigo dourado
pelas mão do vento
é penteado
Veloz bicicleta
No rigoroso inverno
Ficou esquecida
Tempo imprevisível
Me pegou desprevenido
Que frio congelante!
Mata devastada
Vence a luta pela vida
Cachos do Ipê roxo
velhinha na janela
todo mundo que passa
é visita pra ela
no mesmo galho
uma formiga a passeio
outra a trabalho
longa conversa
um grilo termina
o outro começa
instante do passarinho
fui olhar
fiquei sozinho
o sol faz o que deve
nasce no Japão
morre em Porto Alegre
Sol de meio-dia
um girassol telescópico
circunavegando
Um pardal tal qual
beija-flor, sorvendo no ar
tanajuras em flor
Na teia de aranha
as gotículas de orvalho
aprisionadas
Vento sudoeste
os barcos na tempestade
castelos de areia
Solo de cigarra,
no fim da tarde, é núncio
de a hora do ângelus
Se o laço do obi
voasse ao ikebana.
Borboleta azul?
Formigas na porta
carregam o corpo
da cigarra morta.
Se mira na poça
de lama do pátio
a lua vaidosa
Choveu de manhã:
as lagartas abrem trilhas
na folha de urtiga
Como um prisioneiro
a lua me espia pelas
grades do banheiro
Ameixa preta
quando ainda está verde
fica vermelha ...
o infinito
em meus versos medidos
enfim, contido
o vento sopra
cabelos esvoaçam
momentos passam
Nada havia ali
na verde via, nada
a ver, havia.
enamoradas...
as nuvens cinzentas
apagam o sol...
dia após dor
após dia, luz após
dor após lua
o tempo? viagem
do pó ao pó os pés,
os paus e pedras
a lagarta
olha no espelho
a mariposa
praia de corais
mulheres de água,
peixes de luz
esse canto
é azul, azul, azul
quase branco
Flores no jardim,
Jabuticabas no quintal!
Eis a primavera.
Visitas na sala
Homem muito gordo senta
A cadeira estala
Franchetti
Toma nota, rapaz:
Hai-kai é a captura
De um momento fugaz
Barulho
Barulho d'água
Mulher no tanque
Ensaboa e enxágua
Cascavel enrodilhada
Desmente a paz prometida
Nos gorgeios da alvorada.
No auge do verão
Rã saltou na cacimba
Silêncio no sertão
Sol no templo
solto o tempo
só contemplo
A grama diz
o que o vento diz
o indizível bis
Tarde de outono
Assustada a coruja
Acorda com o trovão
Inverno no cerrado
O vento seco trinca
O pé descalço
Flor do cerrado
Na primavera seca
Só o ipê floresce
verão candango
o amor da menina
jorra do selim
o outono é ela
a folha que cai
sou eu
dissolve-se a névoa
no socavão da montanha...
dormitam cavalos
um raio de sol
transluz balança a cortina...
borboleta amarela!
na fímbria das ondas
um caranguejinho aflito
agitando as patas!
outono... insone
na tela da cortina assisto
teatro de sombras!
Noite de Ano-Novo!
velho avô traz o champagne
mas dorme antes da hora...
Abro o armário e vejo
nos sapatos meus caminhos
Qual virá comigo?
Noitinha na várzea
Com a lua na garupa
búfalos regressam.
Seis hora da tarde
Sons de cigarras prolongam
os sinos do templo.
Quase desperdício
Moscas sobre caquis podres
só o sapo as come.
Sol no girassol
Sombra desenha outra flor
no corpo dourado.
no frio da água, de manhã,
pálido tremor,
outono no corpo.
aviso dos deuses,
fartos, felizes,
florida paineira.
de verde encolhido,
outonal silêncio
de lourinhos calados.
gotejar sem chuva
no jardim oculto
brumas de abril.
desfaz-se, inútil,
velho ninho de pássaros...
ao vento vazio...
planando no azul,
acima de tudo, calmas,
nuvens de outono...
dedinho rechonchudo
aponta ao céu a criança...
estrela cadente!
sorriso de mãe
a primeira flor-de-maio
abre-se enfim...
nas folhas verdes
novo fruto na mangueira...
ah!... maritaca...
O amanhecer,
Só cinco folhas douradas
No topo da Árvore
Dentro do mato
o meu carro amassado
e o silêncio...
Nesta manhã fria
o outro lado da rua
A neblina encobriu
mulher, edredom
e barriga crescente
lá no sofá
Escorre o sol
Salgando meus lábios
Passo a passo
o pouso silente
da borboleta de seda
celebra a manhã
decifrando códigos
o barco atravessa a tarde
na pele do tempo
dissolve-se a tarde
no alarido das araras
e em flocos de chumbo
o sapo, num salto
cresce ao lume do crepúsculo
buscando a manhã
caminhos cumpridos
repousam sobre meu peito
teus pés minerais
Tempos kamikases
As bombas de Oklahoma
São karmas de Nagasaki
Não sei tirar tua blusa
Mas quando meu sonho te despe
Tiro hábil tua pele
um pescador remando
o mar rimando
alguém admirando
A abelha tristonha
fauna e flora devastadas
produz mel amargo.
Os meus sentimentos
como origami no arame
sempre em movimento
eu te amo tanto
que só um pranto
acaba o encanto
com seu espanto
meu coração deu um salto
e virou pranto
não é você
que na enorme vaga
navega magra?
sopro na orelha
você olhou assustada
a cara do nada
umidade de orvalho
na folha verde da manhã
brilho de sol nas gotas
passos de pássaro
no telhado lá de casa
embalam sonhos
crianças no zôo
animais as observam
andando em voltas
filas de coqueiros
na estrada deserta
curvados ao mar...
o canto dos sapos
era nossa canção de ninar;
fim de inverno
folhas voando
minha avó sempre fazia
previsões de chuvas
libélula voando
pousando devagar
na blusa amarela
a volta ao lar
inquieta serenidade
parece que foi ontem
vaga lembrança
a neve nas têmporas
ai! o tempo ai!
vento de verão
seu sorriso ausente
sigo a poeira
olhar oblíquo
lua enevoada
sem mistério
ah! kioto
no rio
(cada vez mais)
sinto saudades do rio
Na flor premiada
Uma mutuca agitada
Disputa olhares.
Frondosa mangueira
Sua florada antecipa
Sabor da manga.
Sementes na terra
Lutam pela sobrevivência
Pássaros e homens.
Ranger do portão
Cala o grilo, late o cão
Desconcentra o poeta.
As mãos conchadas de pegar,
mas o pássaro,
mais leve, voa!
País dos gatos
Rastros de vento,
escuridão de brasas,
um salto suave.
Pra que respirar?
posso ouvi-la, fremindo,
maciez de noite.
Sou doido por gatas:
Xande comeu o canário;
amados os dois.
As garras da morte,
um afligido transbordo
nas plumas da mãe
Quase escondida
entre a casca e o tronco
teia de aranha.
Leve brisa
aranha na bananeira
costura uma folha.
Sopra o vento
Segura-te borboleta!
Na pétala da flor.
Rio seco
silêncio sob a ponte
apenas o vento.
Alto da serra
Passa sobre a terra arada
A sombra das nuvens.
Na tarde abafada,
Só a voz de uma galinha
Que botou um ovo.
Um grande silêncio
Nuvens escuras se acumulam
Sobre a terra seca.
O pássaro responde
Ao ruído da janela
Tem chovido tanto...
Manhã de frio
Apoiado num só pé
O papagaio dorme.
28 de junho de 2009 |

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