Trilhas do Silêncio
Carlos Viegas

Coletânea de haicais (98 haicais). Apresentação de Carlos Martins. Prefácio do autor. Inclui nota biobibliográfica. Porto Alegre, Bestiário, 2026. 72 páginas, 12cm x 18cm. ISBN 978-65-6056-214-1. Contato: www.bestiario.com.br.
Do prefácio: “Proponho atravessar as trilhas e veredas místicas do romance de Guimarães Rosa guiado por pensamentos budistas. Também aqui o sertão não é só paisagem do norte e noroeste de Minas, mas se revela campo de batalha interior, no qual conceitos como a impermanência, o sofrimento e o despertar iluminam as andanças de Riobaldo. Entre jagunços e dilemas metafísicos, Rosa e o Budismo, advindos de mundos tão diversos, se encontram no essencial da experiência humana. Na travessia, que o Budismo reconhece cheia de nascimentos e mortes, resultantes da causalidade e do vazio no ponto de partida, compreendemos a impermanência, a interdependência e em consequência, o não-eu — em tudo e em todos. Riobaldo é buscador espiritual, homem comum que tenta entender a vida com o que tem: linguagem, coragem e dúvidas. E nisso se assemelha muito a um bodisatva andante pelo sertão.”
Amostras:
no real da vida
as coisas nem acabam
melhor assim
tenho meus fados
a vida da gente faz voltas
e nem é da gente
dormimos ventos
quando a gente dorme
vira de tudo
sempre dificultoso
viver perto das pessoas
na face dos olhos
