Estante

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Jardim de Lembranças

Alice Arns

Coletânea de haicais (80 haicais). Apresentação de José Marins. Nota bio-bibliográfica. Araucária Cultural/ Grêmio Haicai Manacá, Curitiba, 2006. 90 páginas, 15cm x 11cm. Contato: josemarins@pop.com.br.

Trecho da Apresentação: "Conheci a poesia de Alice Arns quando pesquisava o Haicai no Paraná. Ao ler seu livro 'Pulso da Terra', poemas (1996), vi que tinha em mãos uma das obras mais importantes da poesia paranaense. Seus versos de um lirismo delicado trazem 'a essencialidade verbal' que notou Helena Kolody e guardam semelhança com a mestria de Cecília Meireles. (...) Não foi difícil persuadi-la a escrever os haicais que vamos ler neste 'Jardim de Lembranças'. Acho mesmo que ela os tinha guardado em suas memórias de fazendeira, de suas ricas vivências passadas na Fazenda Sta Bárbara do Riacho Azul, situada na parte central do Mato Grosso, propriedade da família. Os poemas, como veremos, retratam com a aguçada observação que os poetas do haikai possuem, a flora, a fauna, o ambiente e a vida humana, daquela região de transição feita de cerrado matogrossense e começos da floresta amazônica. Alice Arns é poeta do haicai (haijin) de mão-cheia, sua poesia traz a 'palavra sincera' (makoto). Além de nos presentear com seus belos poemas, é provável ser este seu livro um dos primeiros que se publica de haicais matogrossenses".

Amostras:

sopa de cuiabano
um verde louva-deus
na borda do prato

terraço vazio
a imensidão da Via-Láctea
sobre o telhado

brisa noturna
no dorso da ave mateira
matizes do luar

murmúrio das águas
as curicacas no tanque
cantam ritmadas

Do Crepúsculo ao Outro Dia

Herbert Emanuel e Jiddu Saldanha

Coletânea de haicais (103 haicais). Apresentação de Cristiane Grando. Prefácio de Carlos Nejar. Nota dos autores. Textos das orelhas de Laiz Chen Capra, Toninho Vaz, Mano Melo e Ricardo Alfaya. Texto da contra-capa de Leila Miccolis. Bio-bibliografias. Edição do Autor, Rio de Janeiro, 2005. 112 páginas, 16cm x 19cm. ISBN 85-905540-1-5. Contato: jidduks@uol.com.br.

Trecho da Nota dos Autores: "Concisão, condensação e simplicidade são os conceitos básicos do Hai-kai. Isto se fosse possível conceituá-lo. Fazemos nossas as palavras do Poeta Octavio Paz: 'as possibilidades de alcançar a compreensão integral do Hai-kai são tão utópicas que a tarefa de tentar sua explicação deve equilibrar-se com as desculpas que esta pretensão supõe'. Talvez a melhor maneira de explicá-lo seja a da analogia. O Hai-kai é uma fotografia tirada por uma máquina fantástica, que batizamos de Haikaica. Diferente de qualquer Yashica, esta máquina é a única que fotografa pensamento, por fora e por dentro, numa interação jamais alcançada entre foto e fotógrafo. Todos nós, de certo modo, possuímos esta máquina dentro da gente. Mas isto não significa que é fácil acioná-la. Como qualquer aparelho e/ou instrumento requer um aprendizado. Embora até possua um manual de instrução, se pensarmos nos 10 mandamentos do hai-kai de H. Masuda Goga, isto não facilita muita coisa. Mas uma boa dosagem de disposição poética ajuda. Movidos por essa disposição é que resolvemos operar nossa Haikaica".

Amostras:

entre os livros
na prateleira
um girassol de madeira

está errado
tão certo assim
só deste lado

o passado espia
na parede do quarto
velhas fotografias

aranhas tecem
ao relento
arames de vento

Uns & Outros Poemas

Rodolfo Witzig Gutilla

Coletânea de haicais originais, haicais traduzidos e poemas (38 haicais originais e 6 traduzidos). Apresentação de Carlos Felipe Moisés. Texto da orelha de Alice Ruiz. Nota bio-bibliográfica. Landy Editora, São Paulo, 2005. 104 páginas, 15cm x 24cm. ISBN 85-7629-038-3

Trechos da Apresentação: "Ao primeiro contato, o leitor logo perceberá que o timbre dominante de Uns & Outros é o do humor discreto, por vezes velado, em perfeita sintonia com a também discreta dissonância dos seus acordes breves. Só uma segunda leitura revelará que por trás (melhor, nos meandros) de sua descontraída leveza pulsa um forte e denso sentimento da gravidade da vida. A desejada união desses pendores, em princípio díspares, talvez constitua a marca mais característica do poeta estreante, mas nem por isso inseguro em relação a seu ofício. (...) Discípulo fiel dos mestres que elegeu, Rodolfo Witzig Gutilla sabe que o perigo a evitar é o derramamento, o confessionalismo palavroso, a autocomplacência. Mas sabe também que esse rumo o conduziria à angústia do silêncio absoluto, ao nada-que-é-tudo da página em branco, repleta de si mesma. Enquanto a razão, inalterável, continua a legislar no rumo consabido, o coração insiste em oscilar -- para satisfação do leitor, que pode então enveredar pelos sutis meandros de Uns & Outros, no encalço da decifração de um intenso e bem tramado sentimento de vida, que pulsa, vigoroso, para além e para aquém do quadrilátero da página".

Amostras:

palmas para ele

aplauso de morte
o pernilongo
estava sem sorte

moças

crise de solidão
ando piscando para as moças
da televisão

primavera

primavera eu te vi
o primeiro vestido de alça
passou por aqui

ground zero

stop!
o mundo parou.
ou foi o avião?

Sezonvojoj: Caminhos das Estações

H. Masuda Goga, Teruko Oda, Eunice Arruda e Hazel de São Francisco

Antologia bilíngüe (esperanto e português) de haicais (80 haicais originalmente em português). Tradução para o esperanto e prefácio de Joseo Tenorjo. Bio-bibliografias. Contém o apêndice "Rápidas anotações sobre a origem, pronúncia e estrutura do idioma esperanto". Editora Oportuno, São Paulo, 2005. 132 páginas, 9cm x 13cm.

Trechos do Prefácio: "Tradicionalmente, os poetas esperantistas preferem vestir o pequeno poema com um par de rimas, no primeiro e terceiro versos, deixando um pouco de lado -- para não dizer totalmente -- o elemento kigo. Ao pé da letra, kigo significa 'palavra da estação' e seu conceito está diretamente relacionado aos princípios budistas, segundo os quais tudo no mundo é passageiro. Assim, todo haicai, de acordo com a tradição japonesa, traz uma palavra (kigo) alusiva a alguma estação do ano ou a algum fenômeno da natureza. Para se manter fiel a este princípio, o haicaísta deve se exercitar muito enquanto observador da natureza. Só assim ele poderá registrar em forma de poema breves condensações desta constante transformação. (...) Aos amantes da rima, lembramos que este recurso é apenas um adorno, enquanto o 'kigo' tem um objetivo didático, isto é, tanto o autor quanto o leitor precisam conhecer bem o tema do haicai: o primeiro para aplicar corretamente o kigo e o segundo para desvendar, por meio deste, a intimidade do poema".

Amostras:

As marcas do tempo
apenas em meu rosto --
Lua de primavera! (TO)

Dentro da lagoa
uma diz "chove", outra diz "não"
Conversa de rã (EA)

Lua na janela --
Donzela meditativa
com bíblia na mão. (HMG)

As sombras das casas
se debruçam nas calçadas
Ao sol de verão. (HSF)

Flauta de Vento

Teruko Oda

Coletânea de haicais (130 haicais). Introdução da autora. Escrituras Editora, São Paulo, 2005. 112 páginas, 13cm x 19cm. ISBN 85-7531-173-5.

Trecho da Introdução: "Parece-me que o haicai se apresenta como solução para os amantes da poesia e para os professores comprometidos com o trabalho de educação ambiental. Sendo um poema popular, cuja característica principal é a referência a cenas do cotidiano, retratadas através de linguagem simples e objetiva, não é necessário que o praticante seja um profundo conhededor de teorias da linguagem. Brevidade e concisão, compatíveis com o ritmo frenético de nossos dias, e o resgate da qualidade de vida através do retorno à natureza, são outras características que favorecem sua prática. Acrescente-se a isso o fato de que, para compor haicais, não é necessário ter nascido poeta: o mais importante é gostar da natureza. Amar, cuidar, dar-lhe a mesma atenção que damos ao nosso próprio corpo, pois somos um só elemento: a natureza é a nossa continuação; ao mesmo tempo, somos a continuação da natureza, pois é dela que retiramos o oxigênio, elemento vital para a nossa sobrevivência neste planeta".

Amostras:

Roda de curiosos --
Amontoado de águas-vivas
derretendo ao sol.

Campa de meu pai --
Alegra o capim florido
uma borboleta.

Noite de insônia --
O grilo atrás da janela
também sem sono.

Terreiro vazio --
Dentro do forno de barro
um mocho dormindo.

Flor do Quiabo

Tânia Diniz

Coletânea de haicais (Relançamento, 67 haicais, sendo 18 com versões para o espanhol). Apresentações de Teruko Oda e Yeda Prates Bernis. Bio-bibliografia. Mulheres Emergentes Edições Alternativas, Belo Horizonte, 2001. 56 páginas, 14cm x 21cm. Contato: memerg@hotmail.com.

Texto adaptado da Apresentação: Não há haicai verdadeiro ou não verdadeiro - ele simplesmente se realiza. Ou não se realiza. A apresentação externa é apenas um invólucro, uma roupagem formal que veste a essência - não é a razão de ser do poema. 0 ser ou não ser haicai é determinado pela orientação interna. Em outras palavras, é a organização dos versos ou do discurso poético que lhe garante a identidade. Os haicais de Tânia Diniz, a despeito da irreverente indisciplina quanto à forma externa, apresentam internamente uma reverente e disciplinada busca do essencial. Com espontaneidade e simplicidade, mas sem resvalar para o simplório, a autora nos fala de seus belos momentos de comunhão com a natureza. Apreender o espírito do haicai e plasmar a sua essência para que a poesia se realize, é o caminho que Tânia Diniz percorre com admirável sensibilidade em Flor do Quiabo.

Amostras:

Brisa inusitada!
Entre céu e mar azuis
Borboleta amarela.

No capim orvalhado
Guarda-chuva de renda
A teia de aranha.

bananeiras
na beira da cerca.
cachos de sol!

Tal nuvem no céu
em tarde de vento forte:
lembranças se vão!

Nas Trilhas do Haicai

Benedita Azevedo

Coletânea de haicais (280 haicais). Apresentação de Antônio Seixas. Inclui o ensaio da autora: "Um pouco de teoria". Bio-bibliografia. H.P.Comunicação, Rio de Janeiro, 2004. 56 páginas, 14cm x 21cm. ISBN 85-7576-054-8

Texto adaptado da Apresentação: Não há nada mais universal do que cantar sua aldeia. Com este pensamento, a professora e acadêmica Benedita Silva de Azevedo brinda-nos com a obra "Nas trilhas do haicai", para deleite dos leitores em geral e dos apaixonados pelo Haicai, esta mágica forma poética de captar um evento em sua instantaneidade, eternizando-o em suas dezessete sílabas poéticas. Composto por mais de duas centenas de poemas, estão aí imortalizados a infância no campo, as plantações, os ribeirões, as matas, as praias, os pescadores e os meninos de pés descalços, tarrafas e redes, garças e embarcações, imagens do Maranhão, sua terra natal, de Itajaí (SC) e de Guia de Pacobaíba, distrito de Magé (RJ), às margens da Baía da Guanabara, onde se estabeleceu em definitivo. Admiradora de Matsuo Bashô, poeta japonês do século XVII, vem trilhando o Caminho do Haicai (Haiku-dô) com maestria e simplicidade, revelando uma profunda comunhão com a natureza à sua volta.

Amostras:

Chovendo de tarde,
namorados conversando
debaixo de uma árvore.

Nuvens no horizonte.
Garças comem camarão
à beira da praia.

Rio Itajaí.
Nas íngremes ribanceiras
amoras maduras.

Bois andam na rua --
Lembrança do velho engenho
da minha família.

Dabacuri

Zemaria Pinto

Coletânea de haicais (120 haicais). Apresentação por Edson Kenji Iura. Bio-bibliografia. Editora Uirapuru, Manaus, 2004. 88 páginas, 14cm x 21cm. Contato: editora_uirapuru@bol.com.br.

Texto adaptado da Apresentação: Poeta, dramaturgo e professor de literatura, Zemaria Pinto lançaria, em 1994, sua primeira coletânea poética, "Corpoenigma", composta apenas de haicais. "Dabacuri" é sua segunda coletânea de haicais, recolhidos entre os compostos desde então. Dabacuri é a denominação dada a uma cerimônia indígena de congraçamento entre tribos, feita em sinal de amizade e boa-vizinhança. Congraçamento é uma palavra que tem muito a ver com o haicai e sua tradição de poesia coletiva, praticada em grêmios, onde uns aprendem com os outros e todos compartilham seus poemas e experiências. Esta coletânea resume o amadurecimento de um haicaísta. Em suas cinco partes, o leitor encontrará a exuberância regional (Amazônica), a coloquialidade da observação (Da Natureza), a evocação do passado (Memória), o universalismo da cidade (Urbana) e o universalismo do amor (Da Arte de Amar). Do ponto de vista da tradição do haicai, Zemaria Pinto nem sempre será ortodoxo. Mas, munido da devida "licentia poetica", perseguirá a mesma coisa que Bashô ou Ovídio, por vias diversas, procuravam.

Amostras:

casas submersas,
criação sobre a maromba
-- tempo de esperar

a grama cortada
espalha um perfume novo
no velho jardim

um cavalo manco
trota pela rua torta
-- carga de carvão

teus lábios roçando
minha barba por fazer
-- aragem noturna

Pinha pinhão pinhão pinheiro

José Marins e Sérgio Francisco Pichorim

Dois rengas (poemas encadeados). Contém duas introduções, uma para cada autor, dados bio-bibliográficos e glossários. Araucária Cultural, Curitiba, 2004. 96 páginas, 15cm x 10,5cm. Contato: josemarins@pop.com.br.

Da introdução: "Pinha Pinhão e Pinhão Pinheiro são os primeiros rengas que se publicam em língua portuguesa no Paraná. Mestre Goga diz que 'o renga é um tipo de diálogo...' E também acrescenta ser o renga 'uma espécie de divertimento'. O renga (pronuncia-se 'renga' como em 'areia' e não 'rrenga' como em 'reta'), pode ser de 36 estrofes ou 100, com vários autores. Em nosso caso, trocamos mensagens via Internet, uma vez por semana, perfazendo o período de um ano. Casualmente deram 60 estrofes, mas poderiam ser 52, o número de semanas do ano. Ao envio de um haiku (terceto) obtinha-se como resposta o envio de um dístico (dois versos), e vice-versa. Buscamos o renga livre, sem as regras do kasen. Pautamo-nos pela sugestão do Prof. Paulo Franchetti: 'Ao compor uma estrofe na seqüência, o ideal é esquecer todas as outras, exceto a que vem imediatamente antes. A idéia é formar poemas autônomos de 5 versos (3+2 ou 2+3, conforme a posição). É ir transitando de um poema de 5 versos a outro, e, imperceptivelmente, desmanchando um no outro, ao longo do renga, numa espécie de espelho do suceder dos fatos da vida ou do encadeamento das estações do ano'".

Amostra (seqüência de 4 estrofes):

1. tardinha de luz
em um rio de primavera
nuvens refletidas
(JM)

2. nas profundezas do vale
pétalas seguem as águas
(SFP)

3. dia prolongado
sempre mais verde ao norte
as árvores ficam
(JM)

4. sentado junto à janela
beija-flor e tereré
(SFP)

Yuuka

Alice Ruiz

Coletânea de haicais (75 haicais). Contém fac-símile do documento de outorga de seu nome de haicaísta, Yuuka, e resumo bibliográfico. AMEOP - ame o poema editora, Porto Alegre, 2004. 96 páginas, 13cm x 18,5cm. ISBN 85-98240-07-9.

Do texto da orelha: "Alice Ruiz é uma das coisas raras do planeta. Seu verso delicado e inteligente. Sensível e surpreendente. Tudo de maneira sutil, sem ostentação formal. Dizer que isso é haicai não explica tudo. Dizer que isso é o zen, muito menos. Dizer que o haicai ensina a dizer pouco com pouco. Dizer que evita o discurso sobre o objeto e fala das coisas como elas mesmas falariam se pudessem. Dizer, dizer, dizer. Nada se compara a ler Alice Ruiz. Sua poesia é muito mais do que haicai. Ou é como o haicai sonhou em ser. Tanto que agrada os criadores do gênero, os japoneses. O título de Yuuka, que recebeu recentemente e que dá título ao livro, foi dado pelos nisseis em reconhecimento a sua maestria. Mas seus haicais encantam também quem nada sabe de haicai. Encantam leitores cultos e desinformados. Isso é dela. Ninguém lhe deu de presente. Não foi o zen, não foi o haicai, e, ao mesmo tempo, foi tudo isso. Mas esse tudo é filtrado pelos seus olhos, lido por sua ótica pessoal e intransferível. Não é só conhecimento. É sabedoria. Sabedoria de vida e de arte. Sabedoria de linguagem".

Amostras:

o fogo leva desejos
em forma de faísca
até a lua pisca

todos os verdes
em um só vaso
família de cactos

ano que termina
areia cheia
conchas mínimas

velha amiga
essa dor antiga
finjo que desconheço

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Atualização em 7 de dezembro de 2006