Estante

Este espaço tem por objetivo divulgar a produção haicaísta em língua portuguesa. Se você é autor, veja como expor seu trabalho aqui, gratuitamente.

Ávida Palavra

Lena Jesus Ponte

Coletânea de poemas e haicais (97 haicais). Prefácio de Ayrton Pereira da Silva e orelhas de A.A. de Assis. Inclui bio-bibliografia. Editoração, Rio de Janeiro, 2007. 140 páginas, 14cm x 21cm. ISBN 978-85-86393-22-8. Contato: www.lenajesus.ponte.nom.br.

Da introdução: "Permeada de um vago sabor nostálgico, que afinal vem a ser um legado dos poetas, a lira de Lena Jesus Ponte cambia de tons e ritmos, desvelando um caleidoscópio de imagens sob cujo espectro se abrigam seus sonhos, perplexidade e assombros. Tal a impressão que nos suscitam os poemas de seu livro Ávida Palavra, título ambivalente que, numa leitura interlinear, se desdobra em "a vida-palavra", de modo a sugerir, metalingüisticamente, o universo verbal em que, seres de relação, todos transitamos (...). Está-se diante de uma poesia, toda ela essencial, que atinge diretamente o cerne da palavra, tocando de chofre as fontes emocionais. Nela, não há concessões a desbordamentos retóricos, porque essa poesia se alimenta e sustenta de seu substrato, prescindindo do apoio artificioso de ornatos estilísticos. Ora permeada de lirismo, ora de desataviado realismo, a poesia de Lena revisita por vezes o inefável ou se detém nos duros instantâneos de uma urbe conturbada, presente e passado justapondo-se porque por ambos o futuro é construído".

Amostras:

Suave ruflar de asas.
Um verso emplumado ensaia
seu primeiro vôo.

Em degraus de pedra,
cansada, a sombra repousa
numa tarde quente.

Porta entreaberta.
Um vento assalta papéis
e rouba poesias.

Na beira do lago,
passarinho pia. Logo
a água se arrepia.

Irati 100 anos em Versos Haicai

Dorotéa Iantas Miskalo (organizadora)

Coletânea de haicais (30 haicais) classificados no Concurso de de Haicai Irati 100 Anos, com ilustrações. Prefácio de Sergio Stoklos, apresentação de Teruko Oda, Histórico do haicai no centro-sul do Paraná por Dorotéa Iantas Miskalo, os anexos "Haicai: do Oriente para o Ocidente" de Luiza Nelma Fillus, e "Concursos de Haicai", de Dorotéa Iantas Miskalo, inventariando as premiações de estudantes da região nos concursos JAL e Brasileiro de Haicai infanto-juvenil. Editora Unicentro, Guarapuava, PR, 2007. 78 páginas, 15,5cm x 21,5cm. Contato: http://www.irati.pr.gov.br.

Da introdução: "O objetivo do concurso Irati 100 Anos foi o de colocar o espírito do haicai nos poemas de exaltação a Irati, numa visão abrangente, focando os aspectos da natureza, sua gente, sua agricultura, os pontos turísticos e as festas, entre outros. O concurso, que representou o esforço de diversos segmentos de Irati, cujo município completa em 15 de julho, 100 anos de existência, extrapolou fronteiras através do canto e da sensibilidade dos poetas, cujos versos eternizam a exuberância da natureza e a delicada alma do povo iratiense. Congratulaçoes a todos os participantes, classificados ou não, pela demonstração de amor e respeito pela cidade que os acolhe e pela natureza que os abençoa. A todos, o convite para percorrer os caminhos poéticos de Irati".

Amostras:

Pedido de paz
Numa igreja de Irati
Quebra o silêncio.
Rafael Olivelton R. de Lima

Homem na roça
Fumaça sai da boca
No frio de Irati.
Rodrigo Gonsalves

Oh povo feliz
No interior de Irati
Safra de feijão.
Bruna Vanessa Afinovicz

Mãos sujas de terra.
Nas lavouras de Irati
Sementes lançadas.
Regina Lúcia A. Peres

Burajiru: Haicais

Nelson Savioli

Coletânea de haicais (54 haicais). Inclui extensas notas aos haicais, os apêndices "Haicai no mundo corporativo" e "o português no cotidiano japonês", bibliografia básica, bibliografia extensiva e índice remissivo. Nota bio-bibliográfica. Editora Qualitymark, Rio de Janeiro, 2007. 148 páginas, 12cm x 18cm. ISBN 978-85-7303-705-0.

Da introdução: "É possível para um brasileiro, que não descende de japoneses, escrever haicais minimamente aceitáveis nos moldes da tradição dos mestres dos séculos XVII e XVIII? (...) Não basta o haicai ter dezessete sílabas (sons em japonês), ser ligado à natureza, justapor o permanente e o efêmero, estar no tempo presente, ignorar metáforas ou adjetivos e não conter título ou rima. É preciso também ter kigo (termo que identifica a estação do ano), sabi (sentimento de solidão, tranqüilidade), wabi (beleza das coisas simples) e karumi (leveza). Sobretudo, em sua essência, o haicai deve ser principalmente um momento de insight conectado com a natureza. Com a ausência de herança cultural familiar e de um quadro de referências da vida no Arquipélago, o aprendiz estrangeiro precisa conhecer a história e a cultura nipônicas e ler exaustiva e apaixonadamente sobre haicai, além de praticá-lo muito. Ainda assim, será minimamente suficiente? Como a ignorância é atrevida, compartilho a seguir haicais meus com o leitor".

Amostras:

Um frio na espinha --
a palma na mão do santo
parece mover-se.

Jabuti filhote.
Mas quem cuidará dele
no próximo século?

Nas folhas em branco
gafanhoto e grampeador.
Uma disputa?

Garoa na praça.
Duas pombas encolhidas
parecem rezar.

Estações sentidas. 111 haiku

David Rodrigues

Coletânea de haicais (111 haicais). Inclui prefácio de Gonçalo M. Tavares. Edições Indícios de Oiro, Lisboa, 2007. 140 páginas, 15cm x 21cm. ISBN 978-989-8106-02-5. Contato: dantonio@netcabo.pt

Do prefácio: "Se pensarmos com a fita métrica na cabeça diremos que há pouco para ler, no entanto a leitura de um Haiku é muito mais lenta do que o normal. Ler um Haiku é, de certa maneira, voltar de novo à experiência de aprender a ler, de ler como uma criança - letra a letra ­como se a visão fosse menos ver do que tocar. Ler um Haiku é, com os olhos, admirar o trabalho de um escultor; com os olhos seguir cada uma das linhas das letras que estão a ser de novo feitas no momento em que as fixamos. Eis então o trabalho do leitor: ler lentamente o pouco que há para ler. Depois, longamente ficar de cabeça levantada, fixa no vazio, até que a imagem a que as palavras aludiam se tome propriedade desse leitor que dá o tempo e a atenção certas para que o recebido se tome seu. Iluminar, concentrar, tomar mais forte cada palavra; exigir atenção, impor outro ritmo ao leitor, obrigá-lo a desviar os olhos das direcções comuns. Em suma, dar a conhecer o prazer corporal da desaceleração, da lentidão lúcida, eis a arte do Haiku - arte que, neste livro, David Rodrigues exerce com leveza e exactidão".

Amostras:

Pele do dióspiro
seio erecto e macio
convidando a boca.

Que pousou na tarde?
Lençol de seda? Uma garça?
Ou só o silêncio?

Pés nus na areia
no berço da mão um seixo
com ânsia de mar.

Com o teu beijo
veio um clarão de silêncio
que me soube a frésias.

Na Trança do Tempo

Lena Jesus Ponte

Coletânea de haicais (Relançamento, 100 haicais). Inclui o texto das orelhas "Uma poesia fotográfica" e o posfácio "Uma poesia imigrante", da autora. Dados bibliográficos. Editora Editoração, Rio de Janeiro, 2000. 128 páginas, 15,5cm x 15,5cm. ISBN 85-86393-07-X. Contato: lenajesusponte@globo.com

Do texto das orelhas: "A fotografia realiza a mágica de suspender o fluxo do tempo; fixar e eternizar uma impressão do mundo numa fração de segundo; cristalizar o gesto, o ato, o exato instante, não o antes nem o depois. Ela deixa o rastro, a sugestão do acontecido ou do ainda por acontecer. Evoca, provoca o desejo de ir além do que está posto. Não explica; mostra. Séculos antes da invenção de Daguerre, um tipo de linguagem verbal já cumpria esse papel de captador de instantes, revelador de sensações: o haicai japonês. Concentrava o máximo de sugestão no mínimo de palavras. Distanciava-se da palavra racional, lógica, conceitual, dissertativa. Transmitia a percepção imediata, a intuição, a impressão concreta. Vivo ainda hoje, expressa, num relance, toda a emoção de um evento à maneira de uma imagem. O elemento visual participa da própria natureza da estrutura do ideograma. Haroldo de Campos compara: '(...) o haicai funciona como uma espécie de objetiva portátil apta a captar a realidade circunstante e o mundo interior e a convertê-los em matéria visível'".

Amostras:

Um beijo molhado:
a língua da chuva lambe
a pele do lago.

Madrugada fria.
A magra fome de um cão
rói a solidão.

Pára por instantes
o movimento das coisas.
É o tempo que pousa.

É hora da sesta.
Tudo de vivo descansa
no colo da brisa.

Estações Interiores

Lena Jesus Ponte

Coletânea de haicais (Relançamento, 170 haicais). Apresentação de Luís Antônio Pimentel. Dados bio-bibliográficos. Editora Editoração, Rio de Janeiro, 1997. 100 páginas, 9,5cm x 13,5cm. ISBN 85-86393-02-9. Contato: lenajesusponte@globo.com

Da apresentação: "Lena Jesus Ponte resolveu publicar seus haicais sob o título Estações interiores, nome poético e sugestivo. Embora sem vestir os figurinos de Guilherme de Almeida, rebelado contra os cânones de Bashô (1644-1694), mestre do haicai, segundo os quais inexistiriam título e rima, porém haveria métrica e alusão às estações do ano, Lena, igualmente, não os aceita por completo. Faz seus haicais perfeitos do ponto de vista métrico e formalístico, como os compunha com sua genialidade Bashô. Também não os rima obrigatoriamente nem usa título. Só não os faz sazonais. Em quatro estações se estrutura o livro. Correspondem, no entanto, a estados interiores: o tempo não teve tempo, até hoje, de arrumar suas estações na zona tropical. (...) Lena Jesus Ponte, com Estações Interiores, mostra quanto se pode realizar de poesia dentro dessa exígua forma epigramática de origem nipônica (três versos de cinco, sete e cinco sílabas poéticas respectivamente). Sóbrios, harmoniosos, contemplativos, seus haicais teriam sido aplaudidos até mesmo por Bashô, se os houvesse lido".

Amostras:

O Tempo cochila
em tardes quentes de sol
no banco da praça.

Carinho em segredo:
os finos dedos do vento
por entre os cabelos.

De pernas pro ar
o palhaço olhou o mundo.
Não quis desvirar.

A fada e a princesa
perderam-se lá na infância.
Sou mulher, mais nada.

Folhas da Selva

Anibal Beça

Coletânea de haicais (303 haicais, senryus e poetrixes, dois haibuns, um renga solo e cinco rengas em co-autoria com José Félix). Texto das orelhas de Jorge Tufic, apresentação de Zemaria Pinto e contracapa de Juan Carlos Galeano. Dados biográficos. Inclui bio-bibliogafia de José Félix. Editora Valer, Manaus, 2006. 360 páginas, 12cm x 18cm. ISBN 85-7512-227-4. Telefone da editora: (92) 3633-6565.

Do texto das orelhas: "O autor deste livro, poeta Anibal Beça, já lida com as fibras do haicai (viajando com Bashô) desde que a primeira folha desse curioso ideograma poético japonês consegue respirar o aguaceiro do inverno e sente, na forma do crisântemo, o zen da primavera. Neste Folhas da Selva o haicaísta amazônico retesa ao máximo o arco de seu dia esponjado de lua, água, movimento e descoberta, até onde uma síntese verbal pode servir de exemplo à fixação de um sonho acordado, seja quando surpreende a resistência da flora ao calor insuportável das chamas, seja quando o aroma do café matinal se mistura ao domingo e sabe ao travo da baunilha. Sutileza, respeito à tradição oriental, e, sobretudo, poesia, marcam a leitura desses textos que são, ao final, um só e bem estruturado poema constituído de muitos outros do mesmo quilate, parecendo mais uma leve e prolongada sinfonia cujo tema central, a natureza, alterna com a bulha da cidade, o colóquio doméstico, o muro ácido dos gatos e o boi de piranha, entre armários e sapatos (...)".

Amostras:

Noitinha na várzea--
com a lua na garupa
búfalos regressam.

Grade de gaiola--
a lua desenha listras
no canário belga.

Rajada de vento--
acompanhando as folhas,
uma borboleta.

De repente na gare
não resisto à florista--
levo a primavera.

Che Paraná Porã

Sérgio Francisco Pichorim

Coletânea de haicais (88 haicais e um han-kasen). Glossário, nota bio-bibliográfica. Araucária Cultural, Curitiba, 2006. 108 páginas, 15cm x 11cm. Contato: josemarins@pop.com.br.

Da contracapa: "Os poemas deste livro são haicais em estilo clássico em sua maioria, e em estilo livre. Seguem o 'caminho estreito' do poeta que leva a mil anos de encantamento: a admiração pela poesia japonesa. Sendo o haicai hoje, o poema mais difundido do mundo. O autor tem domínio haicaístico, aguda percepção da natureza e uma fina sintonia com as vivências humanas, fontes do poema haicai. Obteve o primeiro lugar nos concursos do 14o e 15o Encontro Brasileiro de Haicai, realizados em Campinas em 2002 e 2003. Foi jurado nos concursos dos encontros de 2004 e 2005. Co-autor do livro 'Pinha-Pinhão Pinhão-Pinheiro', desta editora".

Amostras:

Chuva de verão.
O rio que corta a cidade
com cheiros da serra.

Quando percebi
estava um pouco mais velho.
Manhã de abril.

Noite de luar.
Asc rianças na calçada
brincam com as sombras.

Úmida manhã.
Em cada palanque da cerca
um urubu.

Praia do Anil

Benedita Azevedo

Coletânea de haicais (70 haicais). Nota bio-bibliográfica. Inclui o ensaio/posfácio "O haicai vem da vivência do poeta", de José Marins. Araucária Cultural, Curitiba, 2006. 78 páginas, 15cm x 11cm. Contato: bsazevedo@uol.com.br.

Trecho do posfácio: "O haicai vem da vivência do poeta tornada experiência poética junto à natureza e ao mundo humano. Como nos orienta o monge Francisco Handa quanto à forma de haicai buscada por Bashô, 'acreditamos ser aquela que prioriza a experiência'. O poeta se torna poeta do haicai (haijin) porque ama suas vivências estéticas, colhidas pelos sentidos: a riqueza de cores e detalhes do sentido da visão (o amarelo da folha que cai, o brilho que voa com o colibri); a sonoridade da natureza, as notas musicais do canto dos pássaros, captados por ouvidos treinados; o sabor das frutas e o aroma das flores; o registro, na memória, sempre ampliada, das vivências humanas (a alegria da festa junina, o drama do pescador, o susto do menino com o balão que estoura). É o 'detalhe', na 'cena haicaística' (como nos ensinou Nihira) que importa ao haicai. O pequeno poema deve conter a parte significativa de um todo, e ser capaz de reproduzir a sensação, ou a emoção, retratada pela vivência dos sentidos, da memória, do pensamento, como matéria da criatividade do poeta".

Amostras:

lembra um lenço branco
o leve pouso da garça
entre os pescadores

parede em ruínas --
dependuradas ao tempo
flores de alamanda

Dia das mães
anda solitária na orla
uma criancinha

dia prolongado
também o trabalho aumenta
na horta de casa

Canto de Sabiá

Benedita Azevedo

Coletânea de haicais (100 haicais). Apresentação de José Marins. Nota bio-bibliográfica. Inclui "Os dez mandamentos do haicai", de Masuda Goga. Araucária Cultural, Curitiba, 2006. 112 páginas, 15cm x 11cm. Contato: bsazevedo@uol.com.br.

Trechos da Apresentação: "O haicai é feito de três momentos: a vivência do poeta, a escrita do poeta e a leitura do leitor. Sem uma vivência, registrada pelo treino da observação do poeta, tornada percepção e memória, não é possível se passar ao tempo seguinte, o da escrita do poema haicai. É a este momento que se tem dado atenção teórica e apontado para a técnica e a arte do haicai. Mas o que seria do poema sem a vivência do poeta e a revivência do leitor? Pontos pouco examinados em nossos estudos, de um modo geral. Benedita Azevedo se consagra especialmente no primeiro momento. Grande observadora da natureza, dos eventos sazonais, tendo um enorme carinho pela flora e fauna, sem se esquecer de valorizar os fatos humanos. Dados da experiência que se tornam poemas de fina tessitura e incorporam o termo de estação (kigo), valorizando o movimento haicaísta brasileiro que busca fixar os cânones do haicai clássico. (...) A nós, leitores de haicai, caberá apreciar belos poemas, nos quais o 'momento do haicai' vivido pela poeta retorna cativado por suas letras".

Amostras:

tarde primaveril
o carteiro traz também
um largo sorriso

vultos na noite
sob a lua de primavera
as crianças brincam

tarde de verão
o casal de namorados
beija-se à sombra

pequena favela
à beira da Mata Atlântica
juntam-se folhas secas

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Atualização em 14 de setembro de 2008