Brasa dormida
Jorge Fonseca Jr.
Coletânea de poemas (44 haicais, 10 tankas, 22 poemas diversos). Prefácio da Família. Inclui nota biobibliográfica. São Paulo, Telling Art, 2025. 92 páginas, 14 cm x 21 cm. ISBN 978-65-988182-5-8. Contato: UmLivro.com.br
Do prefácio: “Esta é uma obra póstuma, que a família pensou, repensou, por um longo tempo, se deveria ou não publicar. Todavia, apesar de conter possíveis imperfeições já que o autor não a tinha considerada ainda finalizada, decidiu-se pela sua publicação para que o público em geral e, em especial, os admiradores desta expressão literária, pudesse conhecer e, provavelmente, saborear esta última produção artística do autor. Jorge Fonseca Jr. nesta obra, expõe seu talento de poeta, inicialmente com um soneto clássico, passando por outras formas de expressão artística literária e, finalmente, dedicando uma grande parte do livro, naquilo que sua mente brilhante, dedicou-se grande parte da vida, após ainda jovem conhecer e se apaixonar de modo incondicional, à poesia nipônica. (…) Conheceu o haikai por volta de 1934, mas pôde aprofundar seu conhecimento a partir de 1937, com o convívio, no Grêmio Cultural Brasileiro-Nipônico, com o haikaísta Hidekazu Masuda Goga e de outros imigrantes ou visitantes nipônicos que tinham interesse em haikai e na tanka. Um ano após seu bacharelado, publica um livro de haikais — Roteiro Lírico, em que demonstra sua preocupação e inquietação na questão da adaptação da poesia, assimilando e respeitando as diferenças e a diversidade cultural existente. Esta aflição e interesse, o motiva aceitar um convite para integrar uma excursão cultural, de jovens companheiros ao Japão,em 1940. Nesta viagem, cuja experiência e vivência marcou sua vida e sua trajetória artística, teve a oportunidade de ser recebido pelo notável poeta de haikais, Kiyoshi Takahama, que com ajuda de tradutores, pôde conhecer alguns haikais de Jorge Jr., elogiando e o incentivando a prosseguir neste caminho. Após o retorno ao Brasil, continuou se dedicando de forma intensa no aprimoramento e entendimento do espírito da poesia nipônica e, também, em sua divulgação, trabalhando como redator-chefe no Anuário de Corumbá do Oeste Brasileiro, onde teve a oportunidade de comentar e publicar haikais, além de participar de jornais e periódicos da colônia japonesa no Brasil, sempre preocupado em difundir, mas, principalmente, refletir a questão primordial de um haikaista de língua não oriental — o que é a essência e o que pode ser considerado acessório ao verdadeiro espírito do haikai. Com esta inquietude em seu estado de espírito, que inicialmente o levaram a publicar em 1940 o livro Do Haikai e em seu Louvor e, posteriormente, dedicar-se a compreender a vida e obra de um escritor — Wenceslau de Moraes –, que como ele, falante da língua portuguesa, teve a preocupação de imergir e adorar a Cultura Japonesa.”
Amostras:
Frias, escorridas,
as ramagens do chorão,
no poço da noite…
Fundo de Quintal…
Silêncio. No velho muro,
uns cacos de sol…
Múrmura e ligeira,
por sob as flores da serra,
vai a água entre as pedras…
A lua azulando-se
no mormaço da tarde úmida…
E a delicadeza
da cambaxirra subindo
pelo galho da parreira…
