Edson Iura
Faltando quatro anos para o século XXI, o haicai brasileiro descobria a internet, ganhava um dicionário de kigôs, dois encontros nacionais e até a atenção da televisão japonesa.

Edson Iura
Faltando quatro anos para o século XXI, o haicai brasileiro descobria a internet, ganhava um dicionário de kigôs, dois encontros nacionais e até a atenção da televisão japonesa.

Edson Iura
Em 2017, o Grêmio Haicai Ipê, primeiro grupo de estudo e prática de haicai em português no Brasil, completou 30 anos de fundação. A antologia Lua de Outono, organizada por Teruko Oda, foi editada naquele ano para marcar o momento histórico. Com prefácio de Paulo Franchetti, dezesseis autoras e autores, membros do Grêmio, participaram com quatro haicais cada um, totalizando 64 poemas. Cada autor é identificado por um pequeno perfil biográfico. Completa o livro uma cronologia de fatos, eventos e publicações, de 1987 a 2017.

Acima: O palestrante Yoshikazu Shiraishi exibe os dois saijiki de Goga Masuda (Foto: Kakinet)
“Goga Masuda, mediador da cultura haicai: O futuro do haicai mundial começa no Brasil”. Com este título ousado, palestra do professor japonês Yoshikazu Shiraishi (Universidade Shôin – Kanagawa, Japão) abordou a trajetória do mestre Goga Masuda (1911-2008) e o papel do Brasil como modelo para a transplantação do haicai às culturas de outros países.

Caqui foi o nome escolhido para a revista digital lançada em 1996, pioneira do haicai e, na verdade, um dos mais antigos sites literários da internet brasileira. Depois de três décadas, o que nasceu como boletim do Grêmio Haicai Ipê tornou-se o principal ponto de referência para quem pratica, pesquisa ou simplesmente aprecia o haicai em português.

Acima: microcomputador antigo, em estética pixel art, com caqui na tela
Edson Iura
Em setembro de 1995, a internet comercial chegou ao Brasil. No ano seguinte, antes de quase tudo que restou daquele momento pioneiro, um site dedicado ao haicai em língua portuguesa entrava no ar. Trinta anos mais tarde, o Caqui ainda está aqui, com o mesmo espírito artesanal e fiel à missão de acompanhar o desenvolvimento do haicai no Brasil.

Edson Iura
Ao completar trinta anos, a coluna Haicai Brasileiro inscreve-se na tradição inaugurada por Masaoka Shiki, um dos quatro grandes mestres do haicai japonês (ao lado de Bashô, Buson e Issa), que transformou sua coluna de jornal em espaço de aprendizagem, crítica e formação de novos autores. Desde sua primeira edição, em 1996, a coluna acompanhou as transformações da imprensa nipo-brasileira, atravessou o fechamento de jornais, adaptou-se às novas tecnologias e manteve viva uma comunidade de haicaístas em língua portuguesa. Sua história confunde-se, assim, com a própria consolidação do haicai brasileiro contemporâneo.

Edson Iura
A permanência do Haicai Brasileiro por trinta anos não se explica apenas pela dedicação de seus editores. Ela depende, sobretudo, das pessoas que a alimentam com seus poemas, sua leitura e sua fidelidade ao longo do tempo. Os depoimentos reunidos a seguir revelam como o Haicai Brasileiro marcou a trajetória de seus colaboradores, tornando-se, para diferentes haicaístas, um espaço de aprendizado, convivência e transformação.

Francisco Handa (Foto: Kakinet)
Francisco Handa
Por ocasião dos trinta anos da existência da coluna Haicai Brasileiro, cabe recordar como se deu a consolidação do haicai como o conhecemos atualmente, um movimento que não surgiu por acaso.

Foto: Edson Iura e Paulo Franchetti na Câmara Municipal de Campinas
Edson Iura
No início de maio de 2026, estive no plenário da Câmara Municipal de Campinas. Lá, presenciei a solenidade de concessão do título de Cidadão Campineiro ao Professor Paulo Franchetti. Justa e merecida homenagem, mais uma entre tantas já recebidas e ainda por receber, a uma vida dedicada ao conhecimento, ao ensino e, principalmente, ao haicai.
Um conto de Akutagawa Ryūnosuke
Tradução, posfácio e notas de Edson Iura
