Translúcida Ponte de Haicai: Antologia Bilíngue Português-Espanhol
Maurício de Oliveira (organizador)
Antologia bilíngue (português e espanhol) de haicais (64 haicais, 32 haibuns, 32 tankas, 16 autores) do Grupo Chá das Cinco. Apresentação do organizador. Prefácio de Vanice Zimerman. Inclui notas bio-bibliográficas. Mogi Guaçu, Becalete, 2026. 116 páginas, 14 cm x 21 cm. ISBN 978-65-6234-031-0. Contato: mau1966oliv@gmail.com.
Do prefácio: “Na sutileza de acariciar a tela de Monet… com o olhar, sinto a fluidez das tintas, tonalizando as texturas das flores, folhas e reflexos na água. Estas sensações de contemplações, pausas em tempo real, fazem parte do envolvente livro ‘Translúcida Ponte De Haicai’. Terceira Antologia organizada pelo admirável haijin, Maurício de Oliveira, escrita em Português e Espanhol. A leitura do livro, a começar pela capa, nos inspira sensações de liberdade de poder caminhar na ponte, mas também pausar os passos — kireji — para admirar os tons e sobretons do amanhecer ou pôr do sol, dos reflexos ondulando as águas, num piscar de olhos… Em suas páginas, os 16 autores com haicais, tancas e haibuns nos convidam a fazer parte de suas vivências, a partir das observações do dia a dia. Cada haijın tece com palavras cenas de suas ruas, janelas, cidades e países, com singelos e lapidados olhares, nos presenteando com a presença de kigos. Num encantado e sensorial encontro, quais telas, em aquarela, inicialmente pinceladas com outonais paletas que se deixam envolver suavemente pela passagem de cores e das outras estações do ano. Segundo Matsuo Bashô (1644-1694), ‘o haicai busca o makoto (verdade sincera) através da simplicidade, serenidade e despojamento, capturando a essência da natureza e das emoções. O mestre do haicai valorizava o sabi (sobriedade), shiori (harmonia) e hosomi (tranquilidade atenta), criando poemas que, em 17 sílabas, refletem transformações profundas.’ ‘Translúcida Ponte De Haicai’, qual metafórico caminho aproxima os haijins, numa atmosfera Zen, ao uniras letras, compartilhando-as, entrelaçando essências, memórias afetivas, mas vivenciadas em tempo presente.
Amostras:
Som de tamborim
no telhado de zinco —
chuva de verão
Cidinha Buongermino
último degrau —
entre musgos e ruínas
uma folha seca
Elciane de Lima Paulino
em meio à cidade
balança a sibipiruna —
cores do Brasil
Renata Iacovino
ao apontar o dedo
reluz a estrela de inverno —
no meio da noite
Vilmar Donizetti Pereira
