A exatidão do silêncio

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Até a Lua Vermelha
Claudio Daniel

Coletânea de poemas (166 haicais, 24 tankas, 11 “koans”). Inclui nota do autor (introdução). Inclui o ensaio “Até a lua vermelha: caminho lírico rumo à epifania do instante” de Alexandre Bonafim. Texto da orelha de Alexandre Bonafim. Inclui bio-bibliografia. Franca, Cavalo Azul, 2026. 106 páginas, 14 cm x 21 cm. ISBN 978-65-02-20863-2. Contato: www.editoracavaloazul.com.br.

Do texto da orelha: “Em ‘Até a lua vermelha’, Claudio Daniel conduz o leitor por uma poética de extrema concisão, em que haikus, tankas e koans revelam a intensidade contida nos gestos mínimos, nas estações do ano, nos animais, nas ruas e na experiência cotidiana. Cada poema concentra um instante de percepção, fazendo da imagem o centro irradiador do sentido. A tradição lírica japonesa encontra, neste livro, uma linguagem plenamente integrada ao espaço urbano brasileiro. A delicadeza da contemplação convive com a aspereza da vida contemporânea, enquanto a lua, a chuva, os gatos, os mendigos, o metrô e as árvores compõem um vasto inventário de presenças que iluminam a beleza e a fragilidade do mundo. Com rigor formal, sensibilidade visual e profunda elaboração estética, Claudio Daniel reafirma sua posição entre os grandes nomes da poesia brasileira contemporânea, oferecendo ao leitor um livro de rara limpidez, em que cada palavra ocupa o lugar exato e cada silêncio continua a ressoar muito depois da leitura.”

Amostras:

que mãos rápidas!
conversa de surdos
na saída do metrô

a flor branca
no meio do mato
viu o massacre

nuvem de inverno,
não conte à falésia
o que disse o vento!
só o sol suspeita
deste momento.

menino negro
vende chicletes
no farol vermelho

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