Rua do ipê-branco: Haicais de aprendiz
Jonas Reis
Coletânea de haicais (139 haicais, 10 haibuns, 1 tanka). Apresentação de Carlos Martins. Texto da orelha de Carlos Martins. Inclui nota biobibliográfica. Vitória, Spirito Sancto, 2026. 116 páginas, 12 cm x 18 cm. ISBN 978-85-93801-16-7. Contato: ruadoipebranco@gmail.com
Da apresentação: “O que você, leitor, está prestes a ler, não é mais uma obra qualquer de haicai. Quando digo ‘qualquer’, em hipótese alguma tenho a intenção de depreciar as demais, lançadas por colegas ou poetas que me são desconhecidos, não, todas têm seu valor. É que nesta rua sopram ventos suaves com vivo e meloso aroma, na forma do conhecimento que Jonas conquistou e que agora se amalgama na transparência de seu haicai. São poemas com a capacidade de oxigenar a forma fixa do haicai como a recebemos. Leves na sua apresentação, grafada apenas em minúsculas, com a mancha de texto solta, planando na página como um pássaro de longas asas. E, no conteúdo, há a viagem deliciosa por cenas que facilmente reconstruímos em nosso íntimo, e a surpresa que, em tão pouco espaço, ele consiga encerrar os tercetos de maneira tão inesperada, incomum. É justamente desse choque de contrastes repentino que a maior parte dos poemas ganha em haimi, em ‘sabor de haicai’. O haicai se alça à singularidade literária, por esse poder de imprimir em nós tal iluminação; de despertar um sorriso quando percebemos a profunda mensagem em uma forma feita de tão poucas palavras. Haimi!”
Amostras:
súbita nudez —
a cor dos ipês se vai
nas águas da chuva
noite nas montanhas —
o cintilar de um pirilampo
na taça de vinho
campo rociado —
os quero-queros silentes
ao alvorecer
finzinho de inverno —
o velho jardineiro volta
e revolve a terra
