Três Décadas de Caminho: A Construção de um Estilo

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Francisco Handa (Foto: Kakinet)

Francisco Handa

Por ocasião dos trinta anos da existência da coluna Haicai Brasileiro, cabe recordar como se deu a consolidação do haicai como o conhecemos atualmente, um movimento que não surgiu por acaso.


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Aponto como condições para isso o momento adequado e a união de forças dos interessados. Tudo começou com o 1.ºEncontro Brasileiro de Hai-kai, em outubro de 1986, na rampa do Centro Cultural São Paulo. Momento de popularização do haicai como uma forma de composição aberta a todos.

Em seguida foi criado o Grêmio Haicai Ipê, em 1987, que propunha um estilo próprio, que se adequava à forma tradicional em que priorizava a valorização do uso do kigô (palavra de estação) e a conformidade da métrica dos cinco, sete e cinco sons.

A proposta do Grêmio Haicai Ipê deu a base que serviu para divulgar o que se pretendia nesta composição. Outros grêmios surgiram tendo por modelo o anterior, bem como a existência de colunas de haicai nos jornais da coletividade nipo-brasileira.

De alguma forma, o que se compõe hoje é uma derivação deste modelo, em todo o território nacional. Entendendo que, sendo a literatura uma criação em constante transformação, o haicai não pode ficar alheio ao acontecimento. O campo do conhecimento da natureza brasileira, seja humana ou física, oferece motivo para se buscar elementos novos que constituam novos kigôs. Quando se trata do Brasil com a sua grandeza geográfica, as diversas regiões podem oferecer o melhor de suas expressões como assunto.

Existe uma singularidade da composição do haicai em nosso país, que se aproxima sobretudo da maneira realizada no país de origem. Menos livros de teoria, muito mais experiência de campo pela observação do que nos circunda, o estudo da linguagem e a métrica. A composição é a somatória de várias informações, que a tornam realmente o que é.

Se falamos do início desta composição, ela não se restringiu a um grupo de entusiastas e estudiosos, pois devia se estender ao gosto comum, tanto na composição como na apreciação através da leitura. Isto foi um acontecimento real. O gênero haicai, antes existente nos dicionários de língua portuguesa, daquela maneira grafada, diferente em todos os outros países, está inserido num processo histórico que culminou no que existe hoje.

Francisco Handa é monge regular da tradição Soto Zen, em São Paulo, historiador pela UNESP Assis, escritor, poeta e haicaísta. Um dos fundadores do Grêmio Haicai Ipê.


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