Arrebol de Outono: Haicais
Benedita Azevedo

Antologia de haicais (546 haicais). Apresentação de Edson Iura. Inclui nota bio-bibliográfica. Jundiaí, Telucazu, 2024. 188 páginas, 12cm x 18cm. ISBN 978-65-69708-65-0. Contato: benedita_azevedo@yahoo.com.br.
Da Apresentação: “Determinada a expandir o trabalho do Ipê, Benedita fundou, em 17 de junho de 2006, o Grêmio Haicai Sabiá em Magé, reunindo entusiastas locais e membros do Ipê para a primeira reunião em sua casa. Não satisfeita, exerceu mais uma vez sua habilidade de agregadora para inaugurar, em 16 de fevereiro de 2008, o Grêmio Haicai Águas de Março na cidade do Rio de Janeiro. A cerimônia na Fundação Roberto Marinho reuniu poetas de São Paulo, Rio de Janeiro, Magé e Niterói. Benedita é uma batalhadora incansável, não poupando esforços para registrar em livro a produção de seus grêmios. O resultado até o momento é a publicação de 12 antologias pelo Grêmio Haicai Sabiá e 9 pelo Grêmio Haicai Águas de Março. Com a chegada da pandemia e a interrupção das reuniões presenciais, Benedita rapidamente adaptou-se à era digital, levando suas amadas reuniões de haicai para a internet. Sua atuação, que já era significativa, ganhou alcance ainda maior. Atuando em vários grupos no Facebook, ela não só continuou a divulgar o haicai, como também expandiu seu trabalho para o campo do utamakura brasileiro — a definição de um repertório de topônimos poéticos nacionais para uso dos haicaístas. Até o momento, Benedita já promoveu a edição de duas antologias de utamakura, e não há sinais de que vá desacelerar. A professora Benedita, plural e determinada, com tantas atividades simultâneas, nunca deixou de enviar suas contribuições à coluna Haicai Brasileiro. São vinte anos de poemas selecionados por Edson Iura e Francisco Handa, ora registrados neste volume, que reúne seus trabalhos como testemunho de uma vida devotada ao haicai.”
Amostras:
Boca do bueiro —
Boneca de olhos abertos
Resiste à enchente.
Amendoim na praia —
O ambulante deixa amostra
Na barriga da moça.
Sopra um vento frio —
Abraçado ao próprio corpo
Homem do quiosque.
Casa sem jardim —
O bosque vizinho empresta
Duas borboletas.
