Caminho Suave do Haicai: Haicais Infantis
Cristina Chinen e Carlos Martins

Coletânea de haicais (78 haicais de autoria compartilhada). Prefácio de Alvaro Posselt. Apresentação de Cristina Chinen. Apresentação de Carlos Martins. Contracapa de Maísa Cardoso. Contém bio-bibliografias. Contém ilustrações não creditadas. Porto Alegre, Bestiário, 2026, 78 páginas, 15 cm x 15 cm. Miolo em papel couché. ISBN 978-65-6056-213-4. Contato: www.bestiario.com.br
Do prefácio: “Assim é o haicai. No poema japonês, temos em sua imagem mental o passaporte para uma explosão de sentidos. Sua linguagem simples e objetiva facilita essa interação conferindo-lhe um caráter universal. O haicai é indicado para a faixa etária de zero a cem, ou sem, de sem limite. Desde as crianças que estão na barriga das mães às pessoas da quarta idade. Para as crianças, a rima é a referência de poesia. Quem sabe rimar? Coração rima com quê? Macarrão. Rimou! A importância da musicalidade e do ritmo no poema constrói uma ponte de sentido para elas, acessa sua sensibilidade e interage com seu mundo em construção. É o poder da poesia dialogando com a criança. No campo da alfabetização, o haicai em sala de aula tem caráter multidisciplinar. Em português envolve a questão da leitura, do incentivo à leitura, primeiras leituras, construção de texto, ampliação de vocabulário, características da poesia (verso, estrofe, rima e métrica); em geografia, elementos como campo, colina, mar, serra, vegetação, questões atmosféricas, clima; em ciências, trata de fauna e flora; em história pode entrar na cultura, história e influência japonesa no Brasil; em matemática, brinca com o número de pernas dos bichos, desde a centopeia até a cobra (o saci pode entrar na brincadeira), também a diferença de temperatura entre frio e calor; em artes pode também explorar os desenhos, as ilustrações, a composição visual do poema na folha – pintura, colagem, bricolagem. Tudo isso como apenas um resumo, ou melhor, uma introdução das possibilidades que o haicai como ferramenta em sala de aula pode nos proporcionar.”
Amostras
Ah, nada sutis!
Barulhentos e fofoqueiros,
os bem-te-vis.
Menino de boné
tira o tênis para brincar —
Mas que chulé!
Folhas no chão —
A piscina de bolinhas
do gato brincalhão.
Chuva vá embora!
Quero brincar no parque,
volta em outra hora.
